Holanda

Seleção da Eredivisie

A revista “Voetbal International” costuma realizar, todo final de mês, uma votação em seu site, para saber qual foi a seleção daquele mês no Campeonato Holandês, mais o técnico. E, no caso da votação de abril, ocorreu um fenômeno nunca visto em tal votação: 10 dos 11 membros da equipe eram do Ajax. Isso, sem contar o técnico, Frank de Boer.

Nada mais lógico: afinal de contas, os últimos dois meses do ano marcaram uma reação ainda mais impressionante dos Ajacieden em relação à do ano passado. A equipe de Frank de Boer chegou ao título empilhando doze vitórias consecutivas, e dominando indubitavelmente seus adversários. Logo, nada mais lógico que ela tenha o maior número de jogadores na seleção que esta coluna decidiu fazer, iniciando uma retrospectiva da Eredivisie.

Mas, no entanto, como ignorar a campanha estupenda do Feyenoord – tendo em vista os potenciais das duas equipes no início da temporada, até melhor que a do Ajax? E o AZ? E o Heerenveen, que chegou a sonhar com o título em determinado momento? Bem, é melhor que o leitor veja os 11 melhores jogadores da Eredivisie 2011/12, na opinião deste colunista.

Esteban

No final da temporada passada, o goleiro costarriquenho já vinha recebendo oportunidades no AZ, substituindo Sergio Romero. O argentino já vinha alimentando o desejo de sair, e foi liberado para a Sampdoria, sem muitos problemas. E, durante sua primeira temporada como titular, Esteban justificou a razão de ter sido contratado ainda em 2010: com porte físico imponente e muita segurança debaixo das três traves, o camisa 34 foi uma barreira respeitável. A ponto de ter sido o goleiro menos vazado da temporada (35 gols em 34 jogos), e de ter saído por mais jogos com a meta invicta (15 jogos, quase metade da Eredivisie). De fato, Esteban deu pouquíssimos motivos para que os Alkmaarders sentissem falta de Romero.

Daryl Janmaat

A lateral direita é uma posição relativamente carente na Holanda. Basta ter em mente que o reserva de Van der Wiel, Boulahrouz, é um zagueiro que joga improvisado há algum tempo na posição. Nesta temporada, no entanto, surgiu alguém que pode, quem sabe, trazer alguma opção a Bert van Marwijk. Pelo menos na seleção sub-21, Janmaat já é o titular do time de Cor Pot há algum tempo. E, no Heerenveen, tomou a posição, apresentando segurança na marcação. Tendo em vista que o ponto fraco de Van der Wiel é exatamente esse, Janmaat talvez mereça aposta. É pagar para ver. E o Feyenoord já pagou: a partir da próxima temporada, o lateral já vestirá a alvirrubra de Roterdã.

Jan Vertonghen

Há algum tempo, o zagueiro belga tornou-se o esteio do time do Ajax. Desde que subiu ao time profissional, em 2007, Vertonghen apresenta muita técnica na zaga – o que lhe permite até subir ao ataque, ou ser improvisado no meio-campo, como volante. Sem contar a capacidade de iniciar ataques, carregando a bola desde o campo de defesa. O beque sempre fez isso com muita elegância e espírito de liderança – até por isso, tornou-se capitão da equipe após a saída de Stekelenburg. Mas, em 2011/12, Vertonghen atingiu o estágio da maturidade: foi o símbolo da reação do Ajax. Além dos desarmes sempre na bola, fez oito gols na temporada, índice respeitável para um zagueiro. Ainda mais porque não foram gols somente em jogadas aéreas, como se espera. Enfim, Vertonghen ficou grande demais para a Holanda. Eleito melhor jogador da temporada, deverá sair. Candidatos a novo local de trabalho não faltarão, certamente.

Toby Alderweireld

Vertonghen, companheiro e compatriota na zaga do Ajax, poderia olhar para Toby Alderweireld e dizer: “Eu sou você ontem”. Porque, enquanto o colega esbanja segurança, o belga de 23 anos ainda exibe demasiada impetuosidade, em alguns momentos. Não é nem nunca foi violento, mas avança ao ataque de modo meio destrambelhado, além de cometer certas falhas na marcação. Todavia, atuar ao lado de alguém habilidoso como Vertonghen fez com que Alderweireld crescesse ao longo da temporada. E o entrosamento adquirido entre os dois foi bom para ambas as partes. Até porque Alderweireld tende a assumir a liderança da zaga do Ajax, com a saída provável de Vertonghen. Por mais que outro zagueiro, Jeffrey Gouweleeuw, do Heerenveen, tenha demonstrado habilidade, o outro belga da defesa do Ajax parece pronto para “ser” Vertonghen amanhã.

Alexander Büttner

Na campanha que levou o Vitesse aos play-offs por vaga na Liga Europa (no clássico contra o NEC, perdeu a ida por 3 a 2, e decidirá um lugar na “final” em casa, no próximo domingo), pode-se dizer que um dos atletas fundamentais para a temporada razoável dos Arnhemmers já estava lá, antes mesmo da chegada de Merab Jordania para aumentar um pouco a mobilidade no elenco. Alexander Büttner já era bastante usado no elenco, podendo jogar no meio-campo e na lateral. Porém, efetivado na esquerda, passou a agradar bastante. E foi a ele que Bert van Marwijk recorreu, para preencher a vaga deixada pelo corte de Erik Pieters na pré-convocação da Euro. Não deixa de ser um prêmio pela regularidade apresentada por Büttner na temporada, que o mantém como titular do Vitesse há alguns anos.

Jordy Clasie

Curiosamente, Clasie não era nem o principal jogador do seu próprio setor no Feyenoord, que dirá do próprio time. Parecia apenas um coadjuvante para a técnica de Otman Bakkal e a velocidade de Jerson Cabral. Aos poucos, o meio-campista de 20 anos de idade foi revelando suas principais características: não só era um cão de guarda incansável na marcação, como também incorporava em suas atuações a vibração que a torcida do Stadionclub sempre admirou em um jogador. Além disso, aos poucos, foi ocupando o lugar de Cabral como jogador que leva a bola ao principal armador da equipe. Sem contar o perigo que levava nos chutes de fora da área. O resultado foi esse: pelo lado da raça, Clasie foi o símbolo de uma equipe que se esforçou muito para chegar ao final estupendo de Eredivisie que teve.

Siem de Jong

Se Vertonghen é o alvo possível de transferências para centros maiores quando o assunto é defesa, no ataque do Ajax também não há muitas discussões: Siem de Jong revela-se, cada vez mais, um jogador muito técnico no aspecto ofensivo. Tanto para finalizações (com 13 gols, foi o grande goleador Ajacied no Holandês), como na armação das jogadas. Além disso, apresenta a grande qualidade de crescer em jogos decisivos: assim como fizera no jogo do título de 2010/11, contra o Twente, marcou duas vezes na partida que marcou a conquista do bicampeonato, contra o VVV-Venlo. Era mais fácil, verdade, mas não deixa de ser um indício de aumento da produtividade na hora necessária. Algo que poderia ser levado em conta quando Van Marwijk decidisse os cortes que fará até decidir os jogadores que levará à Euro 2012. Certamente, Siem seria um jogador útil para a Oranje.

Christian Eriksen

No lado ofensivo do Ajax, não há muita discussão: Siem de Jong é o jogador fervilhante, aquele que decide jogos. E Eriksen aparenta maior frieza – às vezes, frieza até demais, diga-se de passagem. Afinal de contas, só às vezes o armador de 20 anos conseguiu decidir algum jogo. No entanto, talvez essa seja uma qualidade: o dinamarquês parece ser aquele imperturbável atleta que detém a capacidade de ditar o ritmo de um jogo. E, embora não seja muito decisivo, Eriksen ajudou o Ajax, com passes que deixavam companheiros na cara do gol. Não é à toa que já tornou-se titular absoluto da seleção dinamarquesa. E que já chame a atenção de clubes grandes Europa afora. Talvez seja cedo para uma transferência, ainda. Mas, que a frieza de Eriksen pode ajudá-lo, na medida certa, pode.

Luciano Narsingh

Geralmente, quando se fala de um jogador bom pelas pontas, imagina-se um sujeito de habilidades técnicas tão grandes quanto a ineficácia em concluí-las, ou quanto o egoísmo em passar a bola a outro companheiro. Não é o caso do jogador que atua pela direita no Heerenveen: Narsingh foi o autor de 20 assistências no clube frísio. O atleta que mais passes terminados em gol deu na temporada 2011/12 do Campeonato Holandês. E, por pouco, não foi o maior autor de assistências da história da Eredivisie: apenas duas a menos que o recordista no quesito, um tal Ruud Gullit, na temporada 1983/84, pelo Feyenoord. Com tal capacidade para chegar ao ataque e ajudar nos gols, o descendente de indianos termina a Eredivisie em alta: é um dos 36 pré-selecionados para a Euro, com chances reais de ficar na lista final, e é disputado entre Ajax e PSV. Nada mal para alguém que tinha tudo para ser comparado a outros pontas holandeses que terminaram sendo mais egoístas do que habilidosos.

Bas Dost

Todo brasileiro que acompanha futebol com certo fanatismo lembra da celeuma que foi a convocação de Afonso Alves, por Dunga, para a Seleção Brasileira. O mineiro não demonstrou futebol suficiente, de fato, para ficar no grupo que disputou a Copa de 2010. Mas, pelo menos, Afonso tinha o álibi de poder dizer que fez 34 gols em 31 jogos pelo Heerenveen, sendo quase o Chuteira de Ouro na temporada 2006/07. Pois bem: o atual jogador do Al-Rayyan quase perdeu o álibi. Porque Bas Dost foi sinônimo de gol no Holandês, marcando simplesmente 32 gols em 34 jogos. Em algumas vezes, o camisa 12 do clube da Frísia teve desempenho assustador (no melhor dos sentidos), como marcar os cinco gols no 5 a 0 contra o Excelsior. É certo que o Campeonato Holandês tem defesas risíveis, e que Dost é limitado tecnicamente. Mas não deixa de ser um feito. Que leva Dost a ser cogitado em clubes médios continente afora.

John Guidetti

Quando foi cedido ao Feyenoord, pelo Manchester City, no último dia para transferências de jogadores a clubes europeus, era difícil imaginar que o sueco de ascendência italiana faria tanto sucesso em Roterdã. Pois, se a incrível história encerrada com um honroso vice-campeonato tem um protagonista, Guidetti é este. O atacante caiu quase imediatamente nas graças da torcida ao marcar gol em seu primeiro jogo com a camisa do clube, contra o NAC Breda. Ao longo da temporada, foi entabulando um sólido namoro com ela. E este se transformou em casamento no dia 29 de janeiro, quando Guidetti marcou três gols no clássico contra o Ajax, em que uma vitória por 4 a 2 acabou com um jejum de sete anos sem vitórias no De Klassieker. Agora que a temporada se encerrou, Guidetti talvez volte ao City. A torcida pede sua permanência, para que esse amor que terminou com um final (quase) feliz não tenha durado apenas uma temporada.

Técnico: Ronald Koeman

Frank de Boer até merecia o posto, tendo ganho dois títulos nacionais em suas duas primeiras temporadas comandando uma equipe profissional. Entretanto, a mudança que Koeman protagonizou no Feyenoord foi incrível. Contratado ainda antes do início da temporada, o ex-zagueiro, que encerrara sua carreira do lado de dentro dos campos em Roterdã, precisava se recuperar, após trabalhos ruins em Valencia e AZ. E conseguiu fazê-lo, brilhantemente. Dando oportunidades e incentivo ao jovem elenco, sem exigir resultados nem colocar pressão demais, Ronald conseguiu criar um bom ambiente (exatamente o erro de Mario Been). Contando com o talento de alguns pupilos, viu o time crescer até garantir o vice nacional. Tal qual Steve McClaren conseguiu com o título do Twente, em 2009/10, o treinador do Feyenoord viu a Eredivisie reerguer sua carreira.

Exposta a lista, o colunista pede a sua ajuda, caro (e raro) leitor. Como você sabe, daqui a menos de um mês se inicia a Euro 2012. E os 36 jogadores pré-convocados por Bert van Marwijk logo iniciarão seu trabalho, no centro de treinamentos de Hoenderloo. No entanto, a Eredivisie se encerrou recentemente – e a Jupiler League ainda tem uma rodada para acabar, mesmo com o Anderlecht já campeão e o Club Brugge já na Liga dos Campeões.

Sendo assim, há três opções para as próximas duas semanas:

1) Fazer a retrospectiva mais completa da Eredivisie na próxima semana, e a do Campeonato Belga, na coluna de 25 de maio. Sobre a Euro, só se fala após Van Marwijk definir a lista final dos 23, em 29 de maio.
2) Fazer a cobertura da Euro mais forte já a partir da próxima semana, deixando as retrospectivas para depois do torneio continental de seleções.
3) Fazer destas seleções do campeonato as retrospectivas, nas próximas duas semanas.

Ajudem na escolha do colunista. Como prêmio, ele dará… o seu muito obrigado.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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