Rumos diferentes

Já se falou, aqui na coluna, que há algum tempo o Twente experimentava um novo crescimento, e que, enfim, Michel Preud'homme começava a dar sua cara à base que conquistara o título holandês em 2009/10. Na Liga dos Campeões, porém, isso ainda não havia acontecido: o time continuava com problemas, e, apesar de ainda ter chances de conquistar vaga na Liga Europa (e até, diga-se de passagem, de avançar às oitavas de final da LC), nada indicava que isso acontecesse.
O Ajax, por sua vez, parecia enfrentar um retorno à condição relativamente tranquila que enfrenta na temporada. Afinal de contas, ainda que a equipe houvesse tido o tropeço contra o Excelsior, quando precisou correr atrás do empate, tudo havia voltado à normalidade com a vitória sobre o Heerenveen.
De mais a mais, o Heracles Almelo, rival da rodada, era plenamente superável, ainda que o jogo fosse em Almelo. De mais a mais, em termos continentais, o time de Martin Jol cumpria sua tarefa: venceu o Auxerre na Amsterdam ArenA, e ganhava a esperança de terminar a quarta rodada da fase de grupos na vice-liderança do Grupo G. Era ganhar do Auxerre e torcer pelo Real Madrid contra o Milan.
E, de fato, os Godenzonen não tiveram muita dificuldade contra os Almeloers. É certo que o empate de Willie Overtoom assustou um pouco. Porém, contando com El Hamdaoui em fase abençoada – e com o retorno de mais capacidade de armação ao meio-campo, já que Siem de Jong voltava ao time, recuperado de contusões. Com isso, a goleada por 4 a 1 foi um resultado até lógico. E mantinha a equipe na disputa pela primeira posição da Eredivisie, além do ânimo em alta para o jogo contra o Auxerre.
O Twente, por sua vez, tinha um desafio definitivo para provar se sua ascensão era real ou se não resistiria contra adversários mais fortes. Pelo menos para os padrões holandeses, nada poderia ser mais difícil do que um confronto direto contra o líder PSV. E em pleno Philips Stadion.
Pois, se o duelo foi equilibrado até certo ponto, os Tukkers dominaram-no plenamente a partir do segundo tempo. Principalmente, contando com uma atuação ótima de Janssen, que foi um cão de guarda na marcação e sempre trouxe perigo ao ataque, conduzindo bem a bola na armação e se arriscando na já notável habilidade com os chutes de longe.
Além disso, o trio de atacantes, após algumas experimentações de Preud'homme, já parece mais cristalizado nos últimos jogos. E segue o mesmo exemplo das últimas exitosas temporadas: um finalizador (que já foi Nkufo, e hoje é Janko), cercado por dois jogadores mais técnicos, que chegam bem pelas pontas (já formaram duplas assim Elia e Arnautovic, e Ruiz e Stoch). No caso atual, os dois encarregados são Ruiz e Chadli – e ambos continuam demonstrando boa técnica. Basta ver o belo gol que o belga de ascendência marroquina marcou.
Mas ainda havia a Liga dos Campeões. E o Ajax chegava como franco favorito para enfrentar o Auxerre. Pois foi surpreendido por um Auxerre muito mais incisivo do que havia sido na Holanda. Desde o começo, o AJA partiu para o ataque – até mesmo por jogar em casa. E ainda contou com uma boa dose de sorte para abrir o placar, num chute de Frédéric Sammaritano que resvalou em Jan Vertonghen.
Não se pode dizer, porém, que Martin Jol viu passivo o desempenho opaco dos Ajacieden na primeira etapa. E tratou de mudar isso no segundo tempo, com as entradas de Siem de Jong e Miralem Sulejmani, nos lugares de Eyong Enoh e Vurnon Anita. Deu resultado. E a equipe martelou, pressionou, insistiu, até que saiu o gol de Toby Alderweireld. O empate já dava alguma esperança de conseguir a vitória.
Entretanto, a desorganização e a desatenção da defesa impediram que o time se recompusesse rapidamente, após cobrança rápida de falta por Kamel Chafni. E Steeven Langil ficou livre para fazer 2 a 1. Em vez da vitória que poderia transformar o Ajax em vice-líder do grupo, o que vinha era uma derrota decepcionante. Não é que o time não tenha a menor chance de vencer Milan e Real Madrid. Mas é muito mais difícil de supor que isso aconteça.
O Twente, por sua vez, tinha outro leão para matar: enfrentar o Werder Bremen, no Weserstadion. Não que os Papagaios fossem adversários temíveis, como lanternas do Grupo A. Mas era uma partida fundamental, se o time quisesse continuar sonhando com vaga na Liga Europa. E, em grande parte do jogo, os Tukkers sofreram bastante, vendo o Werder pressionar bastante e até chutar na trave.
Porém, tudo mudou com a expulsão de Torsten Frings, aos 30 minutos do segundo tempo. Era a chance de que o time de Preud'homme precisava, se quisesse vencer o jogo, já que o principal marcador do time alemão estava fora. Chance plenamente aproveitada, com os gols de Chadli e Luuk de Jong.
A vitória valiosa em Bremen colocou o time de Enschede muito perto da vaga na Liga Europa. E corroborou a tese cada vez mais forte: a de que o Twente continua sua ascensão, e não decairá rapidamente, como o AZ.
Rumo encontrado?
Apesar de ter conseguido superar o Westerlo, o Anderlecht ainda tinha uma certa dificuldade em recuperar a esperança de conquistar a liderança da Jupiler League. Afinal de contas, tinha cinco pontos de distância para o Racing Genk, mesmo com a derrota deste para o Kortrijk.
No entanto, o caminho para conseguir diminuir esta diferença era relativamente fácil. Na 13ª rodada, havia o que a imprensa belga chamou de “Super Sunday”: o confronto dos Mauves com o Racing Genk. Fora de casa. Aí, foi a vez de Jonathan Legear fazer a diferença.
Ele cruzou a bola para o primeiro gol do RSCA, de Sacha Kljestan. E, no segundo tempo, apareceu novamente, para recolocar o time na frente, cruzando para Romelu Lukaku fazer 2 a 1 (Thomas Buffel empatara para a equipe de Franky Vercauteren). A diferença estava diminuída. Para dois pontos. Parece, enfim, que, depois dos problemas enfrentados após a eliminação na fase de grupos da Liga dos Campeões, os Paars-witten voltaram a querer entrar na disputa do título a sério.



