Holanda

Quem sabe?

Foi uma participação tão incrível como desgastante. Apesar de ser considerada uma equipe que podia fazer bom papel, raras eram as pessoas que acreditavam ser a Holanda capaz de superar adversários como o Brasil e chegar à final da Copa do Mundo. A superação do elenco – bem como o trauma de, mais uma vez, ter deixado uma decisão de Mundial com o vice-campeonato – elevou o nível de tensão a tal ponto que o relaxamento após o Mundial foi, mais do que compreensível, necessário.

Isso pode ser visto nas palavras que Bert van Marwijk disse, em entrevista publicada na edição desta semana da revista Voetbal International: “Nunca, antes, eu havia precisado de férias. Após a Copa do Mundo, eu estava completamente vazio. Não se pode esquecer que foi algo único. Não só na percepção, mas também pela duração. Estivemos juntos por um período de dez semanas. Pense nos outros torneios em que a Holanda foi longe. 1974, 1978, 1988… eram torneios muito menores. Com menos participantes, uma menor preparação, e, por tanto, atenção muito menor da mídia.”

Porém, já se passaram quase dois meses desde que Iniesta chutou aquela bola no gol de Stekelenburg e acabou com o sonho do título. Agora, já é hora de a Holanda recomeçar um ciclo de trabalho de dois anos, com vista a outro torneio. Desta vez, rumo à Euro 2012. Torneio que ainda mostra possibilidades à geração vice-campeã na África do Sul – que, em sua maioria, estará apenas chegando aos 30 anos. Do time que Van Marwijk escalou no último dia 11 de julho, somente o aposentado Van Bronckhorst não deverá estar presente.

Isso poderia ser sinal de falta de renovação. Mas não é. Porque, ao mesmo tempo que manteve a maioria da base que formou a Oranje vice-campeã mundial (16 dos 23 jogadores convocados para as partidas contra San Marino e Finlândia, pelas Eliminatórias da Euro, estiveram na Copa do Mundo), Van Marwijk decidiu apostar em alguns jogadores jovens. E faz bem, já que a nova geração tem atletas de talento. Como Vurnon Anita, lateral esquerdo que tornou-se titular no Ajax. Ou Jeremain Lens, dos atacantes mais promissores da Holanda atualmente.

Ainda fazem parte das convocações jovens que ainda merecem chances maiores, como Hedwiges Maduro (que voltou a ser convocado, após um longo tempo) e Ron Vlaar – barbada para começar a ser integrado ao grupo. E há aqueles que foram cortados da pré-convocação, mas integrarão o grupo principal em questão de meses, como Siem de Jong – que toma, cada vez mais, a posição de principal armador do Ajax. Vale lembrar: este De Jong tem como nome Siem. Logo, não é o Nigel que ficou famoso pela solada no peito de Xabi Alonso, na final da Copa.

Todavia, foi um veterano a principal atração da convocação. Um veterano de 34 anos de idade. Que, aliás, nem estava na convocação, inicialmente: só entrou por uma lesão no tornozelo, que forçou o corte de Robin van Persie. Mas, afinal, após dois anos sem atuar pela Oranje, Ruud van Nistelrooy está de volta. Obviamente, não se pode dizer que sua volta significa, imediatamente, titularidade: afinal, “Van The Man” já não é nenhum garoto, e tem histórico de contusões no joelho.

Ainda assim, o bom começo pelo Hamburg na Bundesliga atual (3 gols em duas rodadas, sendo um dos artilheiros da competição) fez lembrar que o nativo de Oss é o último grande atacante de área que a Holanda produziu, inegavelmente. Afinal, fala-se de alguém que fez sucesso por Manchester United (mais) e Real Madrid (menos), e que tem 33 gols em 64 jogos, sendo o quarto maior goleador da seleção. Além disso, Van Persie até foi camisa 9 na Copa, mas ainda não foi um “autêntico” camisa 9. E Huntelaar, o finalizador por excelência, não decolou na carreira.

Desde que se colocou novamente à disposição da seleção – primeiro, na intenção frustrada de ir à Copa do Mundo -, Van Nistelrooy tem dado constantes declarações para tentar sensibilizar Van Marwijk a recolocá-lo de vez no grupo. A primeira delas, antes mesmo de substituir Van Persie, foi “Van Marwijk sabe que eu sou holandês, e sabe que eu não estou mais machucado”. Já durante os treinamentos, o atacante afirmou: “Estou muito feliz com esta chance. Para mim, isto é um assunto aberto. Naturalmente, Van Persie se recuperará, mas espero muito mostrar que o técnico não pode se esquecer de mim.”

Van Marwijk, por sua vez, parece reticente, mas deixa no ar qual pode ser o futuro de Van Nistelrooy na Oranje. E, lembrando de um jogador que esteve na Copa do Mundo, sinaliza que o camisa 22 do Hamburg pode continuar na seleção: “Ruud está com 34 anos, e terá 36 na Euro. Não será fácil estar lá, mas eu também disse isso de André Ooijer. E a situação é parecida. Também falei que André tinha idade avançada e seria difícil que ele estivesse na Copa. Mas ele foi e jogou contra o Brasil. Não descarto que aconteça o mesmo com Ruud.”

Resta saber se Van Nistelrooy terá paciência para esperar a definição de sua situação. Afinal de contas, fala-se de um jogador que tem seus rompantes de raiva – e que, ao saber que não era prioridade para Marco van Basten, deixou de defender a seleção por oito meses, em 2007. E, conhecendo Van Marwijk, não é nada absurdo esperar que Huntelaar talvez possa iniciar como titular contra sanmarineses e finlandeses. Se acontecer, Van Nistelrooy terá de saber esperar.

Se souber – e se mostrar a capacidade para marcar gols que sempre teve, nas oportunidades que lhe forem dadas -, com certeza, Van Nistelrooy não poderá ficar fora do grupo. E poderá ser, mais do que o jogador a reanimar a Holanda, o elo de ligação entre a participação cheia de anticlímax na Euro 2008 e o futuro, na Euro 2012. Talento para voltar ao topo, o time tem. Como, aliás, reconhece o próprio comandante de há dois anos, na Áustria e na Suíça, Van Basten: “Sabemos que temos qualidade.”

De novo, com um grande desafio

A participação decepcionante nas Eliminatórias para a Copa de 2010 já passou. Dick Advocaat, que teve passagem tão rápida quanto turbulenta pela KBVB, também é página virada. A Bélgica, agora, tem de reconstruir o sonho de voltar a um torneio importante. E já começará as Eliminatórias da Euro tendo um grande desafio pela frente: mesmo jogando no Rei Balduíno de Bruxelas, enfrentará só… a Alemanha.

Há aqueles que encaram o desafio com otimismo, caso do experiente Timmy Simons: “É importante que estejamos muito concentrados, mas não acredito que uma vitória seja improvável.” Há aqueles que preferem esperar, caso de Vincent Kompany: “Queremos vencer, mas não sei em que patamar estamos em relação às grandes equipes europeias. Após o jogo, terei uma ideia mais definida.” E há aqueles que reconhecem a grandeza do desafio, caso do técnico Georges Leekens: “A Alemanha é, atualmente, o melhor time do mundo, junto da Espanha.”

A verdade, talvez, esteja no fato de que será duro vencer, mesmo em casa, um Nationalelf que revelou, na Copa, ter um meio-campo rápido e técnico. Mesmo assim, isso não significa que as duas partidas – além da Alemanha, há a Turquia, em Istambul – sejam definitivas para o futuro dos Diabos Vermelhos. É como disse Kompany: “Enfrentar a Alemanha é importante, não decisivo.”

De mais a mais, não se sabe ainda o que esta geração belga pode fazer totalmente. Se os símbolos desta equipe (o capitão Vermaelen, Defour, Witsel, Dembélé, Fellaini) sequer alcançaram os 25 anos, o que dizer de Eden Hazard e Romelu Lukaku, apontados como duas das maiores revelações da Europa, que mal completaram 20? O próprio Lukaku já reclamou da pressão: “As pessoas, às vezes, se esquecem de que eu só tenho 17 anos.” Portanto, é melhor ter calma. Só o tempo irá dizer se esta geração dará motivos para a Bélgica sorrir.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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