Que seja eterno enquanto dure

“Já há algum tempo o clube está no bom caminho. Vem de uma situação difícil, mas está conduzindo uma política compreensível, para poder estar financeiramente saudável de novo, no futuro. A KNVB, por meio de sua comissão de licenças, controla essa política e constata que, neste momento, o clube se mantém dentro do plano aprovado para avançar à categoria 2, novamente.”
Na verdade, a tradução feita acima, de uma nota divulgada no site da federação holandesa, cometeu uma omissão propositada: não citou o nome do clube. Porque uma coisa é falar que a nota se refere a um clube da Eerste Divisie. Outra, bem diferente, será dizer que ela veio do diretor de futebol profissional da KNVB, Bert van Oostveen, e se refere ao Feyenoord.
Explique-se: no ano passado, a própria federação divulgou uma lista de clubes profissionais, levando em conta a situação financeira. Da Eredivisie, apenas o Heerenveen estava na categoria 1, pertencente aos clubes saneados (os outros integrantes, a saber, eram Go Ahead Eagles, Volendam e Telstar). Na categoria 2, dos clubes em situação “incômoda”, mas não grave, estavam AZ, PSV, Ajax e Twente. E, na categoria 3 (a da “pindaíba”), figuravam Roda JC, NEC, Willem II, Excelsior e… o mais prestigioso clube de Roterdã.
Logo, ser “aprovado pela KNVB” dá uma espécie de incentivo para que o clube siga tentando se sanear. O que, de fato, é item de primeira necessidade para que o clube tenha chance de ser concorrente nas competições nacionais, algum dia. Agora, sabe-se que a torcida valoriza muito mais o que vê em campo. Felizmente, para ela, o Stadionclub também tem dado motivos para sorrisos como já não dava há algum tempo.
Porque o time de Ronald Koeman, junto do Ajax, é o único invicto na Eredivisie. Não só isso: mostrando algumas atuações muito boas, como nos 3 a 0 sobre o Roda JC, na segunda rodada, ou os 4 a 0 aplicados no De Graafschap, na semana passada. Não que o esquema de Koeman tenha transformado os alvirrubros numa potência: continua o mesmo 4-3-3 de sempre. A questão é que, talvez, o ex-zagueiro dê a seus comandados a confiança que já não tinham mais em Mario Been – daí a demissão dele, às vésperas do início da temporada.
Tal tranquilidade no ambiente tem feito com que alguns jogadores exibam rendimentos bons, de modo até surpreendente para a normalidade. Como Jerson Cabral, atacante que tem sido bastante veloz e criativo pelas pontas. Ou, então, John Guidetti: emprestado pelo Manchester City, o atacante sueco já marcou dois gols, nos dois jogos em que atuou na Eredivisie. Ou até Guyon Fernandez, vindo do Excelsior, que se mostra bastante esforçado e oportunista.
Além disso, peças já conhecidas, como Vlaar, El Ahmadi e Erwin Mulder, demonstram uma segurança pouco vista na última temporada, inesquecível pela série de turbulências. O otimismo tem sido tão grande que Ronald Koeman até já repreendeu a equipe, pelo único tropeço na Eredivisie. “Poderíamos ter dois pontos a mais, se houvéssemos marcados mais uma vez contra o Heerenveen, que estava com nove homens”, disse à imprensa o técnico, referindo-se ao 2 a 2 com os frísios.
Mas, após passar facilmente pela segunda fase da Copa da Holanda (4 a 0 no VVV-Venlo), ainda há chances de o clube chegar à ponta. Uma delas é já neste final de semana, quando o adversário é simplesmente o AZ, líder do campeonato. Pode até ser que a invencibilidade do Feyenoord não seja imortal, posto que é chama. Mas todos no De Kuip esperam que ela seja infinita enquanto dure.



