PSV e Ajax chegam para o clássico precisando melhorar
Pode até soar estranho que a coluna só vá falar do Campeonato Holandês após seis rodadas terem se passado. Tão estranho como falar qualquer coisa em definitivo sobre um campeonato antes que se passe certo tempo. Afinal de contas, fazer prognósticos com apenas uma rodada passada (ou duas, ou três) é o suprassumo da precipitação. Mas já se passaram seis rodadas da Eredivisie. Não são tantas assim, mas já se pode ter uma ideia de como as equipes estão.
E dois dos principais times da Holanda estão em situações irregulares. À beira do encontro no próximo domingo, às 11h30 (horário de Brasília), no Philips Stadion, em Eindhoven, Ajax e PSV precisam resolver as suas situações dentro da atual temporada. Não que estejam pelejando para sair da zona do rebaixamento, ou que haja turbulências desesperadoras dentro deles, mas os desempenhos dentro de campo estão deixando as torcidas das duas equipes preocupadas.
Basta olhar para a tabela de classificação. O PSV já até podia estar liderando o campeonato (está um ponto atrás do surpreendente Zwolle), mas sofre com uma sequência de três empates. Nem isso é tão ruim quanto foi a performance da equipe em sua estreia na fase de grupos da Liga Europa, contra o Ludogorets, da Bulgária. Mesmo contra uma equipe supostamente mais fraca, o time apresentou preguiça no ataque, como se pudesse definir a partida à hora que quisesse, e hesitação na defesa, que foi aproveitada pelo time búlgaro, com a boa vitória por 2 a 0 em pleno Philips Stadion.
Não era para tanto. Embora enfrente alguns contratempos (como a lesão no tornozelo, que forçou o zagueiro Karim Rekik a passar por uma cirurgia, forçando Jorrit Hendrix a ser colocado como parceiro de Jeffrey Bruma no miolo de zaga), a equipe já tem uma base formada: Jeroen Zoet no gol, Stijn Schaars como volante, Adam Maher na armação, e o trio de ataque com Zakaria Bakkali e Memphis Depay nas pontas e Tim Matavz como finalizador.
Entretanto, o time não conseguiu “pegar no breu”, ainda. Após sofrer uma contusão, Bakkali, que vinha sendo o grande destaque, ainda recupera o ritmo. Park Ji-Sung, a contratação que poderia trazer mais experiência ao jovem elenco, não consegue trazer muita utilidade pelas pontas, como tem sido comum escalá-lo – até porque o meio-campo, posição original do sul-coreano, tem tido atuações razoáveis.
É curioso ver Park na direita do ataque, até pelo fato de Ola Toivonen só não ter saído do PSV por falta de clubes interessados. Com isso, o sueco vai ficando, e vai sendo escalado, como foi contra o Ludogorets. Resta ver como o time irá a campo no próximo domingo, sem Georginio Wijnaldum, desfalque certo, por lesão lombar. Só que ainda há esperança de que uma vitória traga mais empolgação ao espírito do time. Caso contrário, a torcida continuará vaiando atuações apáticas como a contra o Ludogorets.
Já no Ajax, a questão é o drama que o clube esperava não ter de enfrentar: a perda de jogadores importantes para centros maiores do futebol europeu. O fim da janela de transferências foi cruel para os Ajacieden: não só o Tottenham chegou e levou Christian Eriksen (mesmo que isso já fosse esperado), mas o Atlético de Madrid, repentinamente, tirou Toby Alderweireld da zaga alvirrubra.
Claro, ainda houve tempo do clube participar da janela de transferências. Às pressas, o meio-campista Lerin Duarte, do Heracles, foi contratado. Natural, pois Duarte já era cogitado para ocupar a lacuna deixada por Eriksen no elenco. O problema é que outra ausência sentida e imprevista ocorreu: vitimado por um pneumotórax (presença de ar na cavidade pleural, resultante de uma lesão ou pancada), Siem de Jong foi internado às pressas e precisou de alguns dias de repouso. E a bem da verdade, ainda nem se recuperou plenamente: até joga, mas não fica os 90 minutos em campo.
Com isso, a dinâmica do meio-campo e do ataque no Ajax foi completamente alterada. Duarte, que não é um armador de ofício, até tenta ir para o ataque, mas às vezes tem comportamento mais de atacante do que de meio-campista. Enquanto isso, cabe a Christian Poulsen e Thulani Serero cuidarem da marcação. Na zaga, sem Alderweireld, Stefano Denswil, que ainda era do time de aspirantes do Ajax, foi efetivado às pressas no time titular (era para a vaga ser de Joël Veltman, mas este lesionou o joelho e ficará fora por dois meses) e ainda constrói o entrosamento com Niklas Moisander.
Com isso, pode parecer que o 4 a 0 imposto pelo Barcelona aos Ajacieden foi um massacre. Até refletiu a superioridade clara dos Culés, mas de modo exagerado. O Ajax teve fragilidades defensivas, principalmente no segundo tempo, mas exibiu qualidades no ataque e até trouxe alguma pressão aos catalães. Bojan teve uma atuação razoável, e a marcação por pressão até obteve algum resultado, mas um jogo impecável de Messi (e por que não dizer, de Neymar) levou o Barça à goleada.
O problema do Ajax é no Holandês. A defesa tem demonstrado irregularidade em seu nível de jogo. O que leva a resultados extravagantes, como o 3 a 3 contra o Heerenveen. E mesmo nas vitórias (como o 2 a 1 contra o Zwolle, semana passada), o time sofre além do necessário com os ataques adversários. Com isso, o quarto lugar representa uma posição que deve ser melhorada.
O clássico do próximo domingo reúne duas equipes que têm problemas a resolver. Será interessante ver se isso resulta num jogo cheio de cuidados, ou se teremos uma partida destemida em termos táticos, como o emocionante 3 a 2 da temporada passada que praticamente definiu o tricampeonato do Ajax. Não será um jogo tão decisivo, lógico, mas será importante.



