Holanda

Posição contaminada

A defesa continua sendo o calcanhar de Aquiles da seleção holandesa – e, não por acaso, o setor mais debatido da equipe de Bert van Marwijk. Embora o miolo formado por Ooijer e Mathijsen venha sendo titular desde a Eurocopa, ambos ainda sofrem com a falta de confiança de torcedores e imprensa do país. Substitutos imediatos, como Heitinga, também sofrem com desempenhos ruins em seus times. E a questão não melhora nas laterais, onde Boulahrouz e Van Bronckhorst começam a ouvir mais vozes pedirem por Marcellis e Braafheid na equipe, ainda que estes sejam “novatos” na Oranje.

Aparentemente, a posição de goleiro era a única que não sofria com discussões: depois da aposentadoria de Van der Sar, Stekelenburg era o nome tido e havido como sucessor. O que ninguém esperava era que, entre a vitória contra a Noruega e esta rodada das Eliminatórias europeias, em que o time pegará Escócia e Macedônia em Amsterdã, a coisa mudasse a ponto de tornar a vaga de camisa 1 a mais discutida.

O fato é que o segundo semestre de 2008 – e o início de 2009 – prejudicaram muito a regularidade de “Steks”. No começo da estadia de Van Marwijk no banco, ele jogou o primeiro amistoso, contra a Rússia, e foi seguro. A pulga começou a se instalar atrás da orelha dos holandeses na derrota para a Austrália, em Eindhoven, quando o arqueiro do Ajax acabou sendo expulso ainda no primeiro tempo (sem culpa, já que ele teve de fazer a falta em Kennedy após uma bola mal recuada).

Depois, veio a lesão num tendão do ombro, ainda durante o primeiro turno do Campeonato Holandês, que o tirou dos gramados pelos três últimos meses de 2008. O período de recuperação também foi seu azar, já que serviu para a ascensão do reserva Vermeer. No retorno aos treinamentos, em janeiro, Marco van Basten até devolveu a titularidade no Ajax a Stekelenburg, mas não foram poucas as pessoas que defendiam a continuidade para o titular da Jong Oranje nas Olimpíadas de Pequim.

No retorno da Eredivisie, “Stekelbaars” assustou os torcedores dos Godenzonen. O goleiro habitualmente seguro, com porte físico respeitável (1,97m e 92 kg), presença na área e tido como mais carismático do que Van der Sar, voltara assustado, com o tempo de bola prejudicado, falhando nas bolas aéreas e em cobranças de falta. Mas foi na última partida da Oranje, o amistoso contra a Tunísia, que o sinal amarelo acendeu de vez: no gol de empate dos africanos, o chute de Jaidi podia até ser indefensável, mas Stekelenburg certamente não ajudou ao estar adiantado.

Depois, quando parecia voltar ao ritmo normal, o goleiro foi vítima de uma forte gripe, que o enfraqueceu e lhe tirou alguns quilos. Vermeer voltou ao gol contra o Utrecht e não decepcionou. E, antes da partida de ida contra o Olympique, na Copa Uefa, Van Basten anunciou que o jogador de 23 anos seria o titular do gol Ajacied até o fim da temporada.

A efetivação de Vermeer desencadeou nova discussão sobre quem seria o arqueiro ideal para a Oranje. E Bert van Marwijk telefonou para Van der Sar, tentando fazer com que o veterano deixasse novamente a aposentadoria da seleção de lado, já que, com as performances na Premier League e na Liga dos Campeões, o goleiro do Manchester United continua sendo unanimidade em seu país natal.

Por um lado, a recusa de Van der Sar é elogiável: um retorno retardaria o desenvolvimento de possíveis substitutos, servindo apenas de paliativo. Por outro, manteve o ponto de interrogação debaixo das traves. Interrogação ampliada por vários outros problemas: lesões que atingiram Henk Timmer e Michel Vorm (este, cortado da convocação), as idades avançadas do já citado Timmer e Boschker, a falta de experiência de Velthuizen – que também chegou a se contundir – e Vorm na equipe profissional… não à toa, chegou-se a cogitar a convocação de Vermeer, apoiada até por Van Basten: “É uma boa ideia.”

Contudo, com o início dos treinos da seleção, em Katwijk, a pressão sobre Stekelenburg parece menor. Ao perder a vaga no Ajax, uma frase sua impressionou: “Pensei que iria permanecer como titular. Estou irritado e desapontado. Motivado? No momento, não.” Agora, recebe o apoio de Van Marwijk, que fez questão de garantir sua vaga na equipe (“Ele é o melhor para o posto, além de ter maior experiência”), e de um símbolo da posição na Holanda, Hans van Breukelen (“Um goleiro titular, capitão do time, não deve se abater por uma decisão do técnico. Não se ele é o titular da seleção de seu país”). 

Van Breukelen ainda foi cirúrgico ao dar um conselho pessoal a Stekelenburg: “Deixe o Ajax o mais rápido possível.” Sem dúvida, deixar a Eredivisie em busca de um campeonato mais competitivo na Europa não só seria benéfico para o goleiro nascido em Haarlem, mas poderia até ser o empurrão que falta para torná-lo reconhecido em todo o continente. Capacidade para tanto, Stekelenburg tem. A questão é que ele teria de fazer isso logo, uma vez que já não é tão novo assim, com seus 26 anos de idade. Além do mais, o fato de estar na reserva o deixa em um círculo vicioso. O próprio Stekelenburg já assumiu o desejo de sair de Amsterdã rumo a um grande clube europeu. Porém, sem jogar, ninguém saberá de sua capacidade. E ele prosseguirá num campeonato eclipsado como o holandês, adiando o seguimento da carreira, talvez irremediavelmente.

Pelo menos, no meio e no ataque da Holanda, nada de mudanças: no 4-2-3-1, Van Bommel e De Jong fazem a dupla de cabeças de área, Van Persie, Van der Vaart e Kuyt devem fazer a armação e o papel das finalizações caberá a Huntelaar. Inclusive, Van der Vaart, enfrentando dificuldades no Real Madrid, declarou: “Temi, pela primeira vez, não ser convocado, mas Van Marwijk me dá a confiança que falta no Real.” Certamente, meias e atacantes devem se esforçar em cumprir seu papel. De problemática, na Holanda, já basta a defesa.

Um adversário, dois rumos

Duas partidas contra o mesmo adversário podem definir o rumo que a Bélgica seguirá nestas Eliminatórias. O final do ano passado deu muitas esperanças de que o time possa brigar a sério por uma vaga na Copa do Mundo, mas, com Espanha, Turquia e Bósnia também envolvidos na busca pelo lugar na África do Sul, o time de Rene Vandereycken tem a obrigação de ganhar quantos pontos forem possíveis contra os três adversários diretos. Os espanhois podem até ser favoritíssimos á vaga direta, mas turcos e bósnios são perfeitamente alcançáveis.

E Vandereycken não sofreu grandes problemas para fazer a convocação, nem para escalar o time que irá a campo contra a Bósnia, primeiro em Bruxelas, depois em Zenica. Sim, Vincent Kompany está contundido e talvez não jogue a partida no Rei Balduíno, mas, nesse caso, o treinador pode muito bem colocar Pocognoli na zaga, junto de Van Buyten. Ou mesmo recuar Simons, formando uma dupla experiente e até abrindo uma vaga no meio, provavelmente para Witsel. Tom de Mul também sofre com lesão no tornozelo, mas já não estava entre os titulares. Ou seja: os belgas têm, sim, tudo para superar bem os desafios contra a Bósnia. E, daí, partir para enfrentar turcos com a vantagem de jogar em casa.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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