Holanda

Ponha-se no seu lugar, Holanda

19 minutos do segundo tempo. A seleção da Alemanha já vence por 2 a 0 o amistoso contra a Holanda, na Imtech Arena de Hamburgo. E as duas seleções preparam alterações em seus times. Elas revelam, então, as intenções dos dois treinadores: enquanto Joachim Löw fortalece o lado ofensivo da National Mannschaft, colocando a coqueluche germânica da vez, Mario Götze, em lugar de Lukas Podolski, Bert van Marwijk, por sua vez, deixa claro que vai fortalecer a marcação no meio, tirando Kevin Strootman e colocando Nigel de Jong.

Passa-se apenas um minuto desde as duas alterações. E Thomas Müller passa a bola a Mesut Özil. O meio-campista carrega-a livre de marcação, passando pela defesa da Oranje com toda a facilidade do mundo. Entrega a pelota a Miroslav Klose, que, já na área, chega pela direita e devolve a Özil, que toca livre para o gol vazio. 3 a 0 Alemanha. Havia 15 anos que a seleção holandesa não sofria uma derrota tão dura – a última fora o também categórico 4 a 1 da Inglaterra, na Eurocopa de 1996.

A facilidade com que o ataque alemão envolveu a defesa da Oranje deixou clara a diferença entre as duas equipes. Não que, de uma hora para outra, a equipe de Van Marwijk tenha se igualado às San Marino da vida: ninguém em sã consciência despreza um vice-campeonato mundial. Porém, as más atuações do time nos dois amistosos recentes deixam claro que suas virtudes foram superestimadas.

É até repetitivo dizer que as virtudes do time laranja foram superestimadas principalmente pelas performances nas eliminatórias para Copa de 2010 e Euro 2012, já que os adversários tinham um nível que ia de mediano a abaixo do risível. Mesmo porque, se fosse assim, a Holanda não teria superado o Brasil em Port Elizabeth, no 2 de julho de 2010 que marcou a grande virada deste elenco conduzido por Van Marwijk. No entanto, não é pela longa invencibilidade mantida que a Holanda deixou de ter falhas.

E o local onde elas mais se concentram é na defesa. Talvez melhor seja dizer na linha de quatro defensores, já que o gol não é problema: Stekelenburg tem um bom nível e seus reservas, Vorm e Krul, são os melhores entre os disponíveis para desafiar o goleiro da Roma. Porém, o miolo de zaga continua dando plenos motivos para sofrimento.

Heitinga e Mathijsen são muito esforçados, sempre se dedicam em cada bola, mas dificilmente resistem a ataques mais bem entrosados e rápidos. Como era o ataque da Alemanha, com a habilidade de Özil, a vitalidade de Thomas Müller e a inegável capacidade que Klose tem para colocar a bola nas redes. A fragilidade da dupla pode até não ser tanta, mas é inegável.
A tal ponto que a federação promete apressar o pedido à Uefa para que Douglas, já naturalizado, possa defender a Oranje já na Euro – pelas leis, ele teria de esperar um ano após a naturalização para poder jogar pela seleção. E nem isso alteraria muito as coisas. Douglas é dos melhores zagueiros da Eredivisie, sim. Mas tem como seu ponto forte exatamente o que Heitinga e Mathijsen têm de sobra: raça, desejo de ganhar. O brasileiro nascido em Florianópolis até tem mais talento com a bola nos pés. Mas não é a panaceia que resolverá os problemas da defesa da Oranje.

Pior ainda foram as laterais. Van der Wiel até foi discreto – para o bem e para o mal. Mas Braafheid, que supostamente teria a marcação como ponto forte, foi uma tragédia. Nem tanto contra a Suíça, mas contra a Alemanha, sim. Deixou uma avenida muito bem aproveitada por Özil, Thomas Müller, por quem quer que estivesse lá. Basta ver que, no primeiro gol, Klose aparece em suas costas para escorar o lançamento e deixar Müller livre para abrir o placar.

Diante de uma superioridade tão grande dos germânicos, só restou a Sneijder (que nem podia fazer muito, baleado que estava – lesionou-se no treino de segunda, e só foi para o jogo após teste) agir com bom humor: “Melhor perder da Alemanha agora do que na Euro”. Porque é indiscutível que, agora, a Holanda foi posta no seu lugar. Que é entre as melhores seleções do mundo, sim. Mas muito abaixo do que se pensa. 

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Equipe Trivela

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