Holanda

Patinho feio?

Pode-se dizer que o amistoso contra a Áustria foi mais do mesmo para a seleção da Holanda. Não é segredo nenhum que a equipe de Bert van Marwijk forma, junto de Alemanha e Espanha, o conjunto das três melhores seleções do mundo – e não só porque todas elas formaram o pódio da Copa, mas pela qualidade das atuações. A Oranje tem ganho seus jogos sem nenhuma dificuldade, e era favorita destacada contra a Áustria, em Eindhoven. Não impressiona, portanto, que o time tenha feito 3 a 1 sem muito esforço.

Nem impressiona que Wesley Sneijder tenha sido, novamente, um dos grandes destaques do triunfo holandês. Em mais uma jogada de pura inteligência, o meio-campista provou porque é um dos cinco melhores futebolistas europeus: uma tabela com Theo Janssen, e o voleio da entrada da área, numa bola difícil, que encobriu o goleiro Jürgen Macho e, com uma dose de sorte, bateu no travessão antes de entrar. Golaço, que mostra como o camisa 10 da Internazionale está voltando a evoluir, após um final de ano que não fez justiça ao ótimo 2010 que já havia tido.

O parceiro de Sneijder na jogada do primeiro gol, por sua vez, também está aproveitando bem as oportunidades que Van Marwijk tem lhe dado. Janssen está se revelando um meio-campista mais hábil do que Nigel de Jong, com maior habilidade na saída de bola – e, diga-se de passagem, menos exageros na marcação. Sem contar a “arma secreta”, que são seus perigosos chutes de longe. A ausência de De Jong, lesionado, acabou dando mais uma chance ao jogador do Twente contra os austríacos. E ele está aproveitando. A continuar assim, logo deverá se estabelecer no grupo para as eliminatórias da Euro 2012.

Entretanto, o jogo de Eindhoven teve um destaque que passou despercebido. Klaas-Jan Huntelaar não marcou um gol tão bonito quanto o de Sneijder. Foi um gol típico de finalizador, ao escorar um cruzamento de Erik Pieters, na segunda trave, no segundo tempo. E, assim, o Dremptenaar apenas cumpriu seu papel na seleção. Apenas? Não, quando se vê os dados: “Hunter” marcou pelo sexto jogo seguido na Holanda. Mais: igualou os 26 gols de Kick Smit, jogador dos anos 1930 e 1940, e tornou-se o oitavo maior artilheiro da história da Oranje. Ainda com um tempo provavelmente longo de carreira, dá para se supor que ele possa subir nessa lista.

E, aí, faz-se necessário um olhar mais cuidadoso a respeito da carreira do jogador de 27 anos. Em seu desempenho no futebol holandês, Huntelaar despontou mesmo a partir da temporada 2005/06: na primeira metade, jogando pelo Heerenveen, média de 1,1 gol por jogo (17 em 15 partidas). Na segunda, já contratado pelo Ajax, exatamente um gol por partida (16 em 16). 33 gols, e a artilharia do Campeonato Holandês. Paralelamente a isso, o posto de principal goleador, e melhor jogador, do Europeu Sub-21 de 2006. E, na estreia pela Oranje principal, em 16 de agosto de 2006, dois gols nos 4 a 0 sobre a Irlanda.

Seguiram-se mais duas ótimas temporadas pelo Ajax – em 2007/08, mais uma artilharia na Eredivisie, com 33 gols em 33 jogos. E, enfim, a oportunidade de ouro num grande centro do futebol europeu, indo para o Real Madrid, na metade da temporada 2008/09. Aí começou a queda de desempenho: o atacante fez oito gols, em 20 jogos. Mas naufragou em meio à alta rotatividade existente entre os titulares em Chamartín. Encostado, foi para o Milan, em 2009/10.

E foi ainda pior em Milanello. Revelando uma certa inadequação ao estilo de jogo mais duro da Série A italiana, Huntelaar esteve longe de ser a principal referência de finalização rossonera, papel para o qual foi contratado. E, de certa forma, teve de começar tudo de novo, indo para a Alemanha, onde encontraria uma liga mais modesta, embora ainda de nível respeitável.

Lá, sim, voltou a obter atuações satisfatórias. Mesmo que tenha caído um pouco de produção em relação ao começo de sua passagem pelo Schalke 04, o atacante voltou a ser titular com frequência, e a ter mais confiança em suas atuações. O que, talvez, influa neste ótimo desempenho que tem mostrado pela seleção.

E aí se dá o pulo do gato. Mesmo que tenha passado por turbulências na sua carreira em clubes, Huntelaar não passou um ano sem marcar gols pela Holanda. Mais: alcançou, em 2010, seus melhores números pela Oranje, marcando 11 gols em 13 jogos. E já começou 2011 bem. Além disso, enquanto marcou um gol contra a Áustria, seu substituto e antecessor no papel de “homem-gol” holandês, Ruud van Nistelrooy, passou em branco. Pode ser um sinal de que Ruud, aos 34 anos, já não seja o artilheiro que foi em tempos idos. Não é questão de capacidade, que RvN sempre teve; é apenas o fato de que o tempo passa.

Portanto, é de se considerar: talvez Huntelaar não seja o fracasso completo que parecia ser no Milan. É hora de reconhecê-lo, e não de continuar com críticas que parecem cada vez mais sem razão.

Por pouco

Ao perder Dick Advocaat para a Rússia, a seleção da Bélgica parecia ter a prova de que estava afundada em uma grande crise. Com Georges Leekens a comandá-la, teria de começar do zero. Pois para uma equipe que parecia tão desalentadora, os últimos meses têm sido uma ótima surpresa. E, enquanto Advocaat sofre na Rússia, com direito a derrota para o Irã, os Diabos Vermelhos vão mostrando uma grande capacidade de reação.

E, no jogo contra a Finlândia, em Gent, os Diabos Vermelhos tiveram uma nova prova de que ainda têm capacidade. Contando com a estreia de Nacer Chadli (que decidiu defender o time belga ao invés de Marrocos, país de seus ascendentes), a equipe mostrou bastante movimentação no ataque, graças aos de sempre: Witsel, Lukaku, Hazard.

Não impressionou, portanto, a abertura do placar, com Witsel, já no segundo tempo. Apenas o final poderia ser melhor: uma desatenção da defesa possibilitou a Roni Porokara (que atua na Jupiler League, pelo Germinal Beerschot) fazer o empate para os finlandeses, aos 48 minutos do segundo tempo.

Mas o sentimento continua sendo positivo entre os belgas. Basta ver as palavras de Leekens: “Estou muito contente, foi um jogo instrutivo. Tenho sentido algo muito positivo nos meus rapazes. No geral, acho que estamos fazendo tudo muito bem.” Não deixa de ser engraçado. Ainda mais quando se vê o dobrado que Advocaat está cortando na Rússia.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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