Holanda

Os grandes reagem

Virou moda falar no nivelamento por baixo do Campeonato Holandês, nas últimas temporadas. Graças à organização, clubes como Heerenveen, Groningen e NAC Breda conseguiam aparecer constantemente entre os dez primeiros colocados da tabela – isso, para não falar de AZ e Twente, que conseguiram superar a barreira de “médios” para desafiar o Trio de Ferro.

Ajax e Feyenoord, por suas vezes, viam o domínio quase insuperável ruir, por vários erros e problemas, dentro e fora de campo. Somente o PSV, mais estruturado, conseguia resistir à pressão. Mas, na temporada passada, não deu para segurar: o título do AZ parecia fazer prever o começo de uma nova época, em que o nivelamento por baixo supracitado resultaria em maior equilíbrio.

Mas o tempo passou, e começou a temporada atual. E, após 14 rodadas, o que se vê é que só o líder Twente ocupa o lugar do Davi a desafiar o trio de Golias já conhecido. Após começar a temporada com grandes sonhos, o AZ foi duramente atingido pelo golpe da falência do DSB – e já sofre com a ameaça de tempos mais difíceis. O Heerenveen começa a reagir levemente, ainda com chances de passar da fase de grupos da Liga Europa. Já o Groningen, que quase participou da segunda fase preliminar da LE, agora é meramente um time ameaçado pelo rebaixamento – e chega a cometer vexames como perder para o lanterna RKC Waalwijk.

Enquanto isso, o Trio de Ferro se recupera. E volta a imperar na Holanda. Principalmente o PSV. Já se falou aqui como, pouco a pouco, Fred Rutten começou a recuperar o espírito dos Eindhovenaren, afetado após a desastrosa passagem de Huub Stevens. Mas o impressionante é o quão longe está indo a regularidade da equipe. A ponto de um recorde, que durava há 34 anos, ter sido batido na última partida.

Ao golear o Heracles Almelo por 4 a 0, os Boeren acumularam a 31ª partida de invencibilidade. Simplesmente a maior marca da história do clube, nesse quesito. A última vez que se viu uma desvantagem para o clube ao fim de 90 minutos foi em 21 de março, quando o Feyenoord venceu o clássico no De Kuip, por 1 a 0, no returno da Eredivisie passada. E isso também equivale a dizer que o time ainda não perdeu sob o comando de Fred Rutten, em jogos oficiais: em 23 partidas, entre campeonato nacional e Liga Europa, 19 vitórias e quatro empates.

Evidentemente, tal sequência invicta não é sinônimo de equipe invencível – até porque é sabido como o nível da Eredivisie é deficiente, em comparação com campeonatos maiores na Europa. Todavia, a equipe mostra, de longe, mais pontos positivos do que no período 2008/09. Agora, há uma base, sem grandes experimentos, que prejudiquem o desenvolvimento.

Andreas Isaksson ganhou mais segurança, no gol, ao passo que dificilmente a linha de quatro defensores deixa de ser formada por Manolev, Ooijer, Salcido e Pieters (a despeito de Francisco Rodríguez ter reposto a vaga do contundido Ooijer na zaga central, contra o Heracles). No ataque, Dzsudzsák brilha menos do que no início da temporada. Mas nem é tão necessário, já que Otman Bakkal domina a armação, até eclipsando Afellay, no meio-campo, e Danko Lazovic recuperou suas boas atuações – sem contar a boa surpresa que é Jonathan Reis. Dois pontos atrás do Twente, o PSV está à espreita, só esperando um erro para assumir a liderança.

Mesmo mais atrás (3º colocado, com 32 pontos, quatro atrás do PSV), o Ajax não deixa de brilhar. Prova disso foi a atuação avassaladora contra o Heerenveen: 5 a 1. E com destaque para o único reforço de destaque maior que a equipe de Martin Jol teve, antes da temporada: com dois gols, Demy de Zeeuw se firma, cada vez mais, como o dínamo do meio-campo dos Godenzonen. Não só auxilia Eyong Enoh na marcação (papel que já fazia no AZ), mas revela um talento insuspeito para armar as jogadas que serão concluídas, principalmente, por Marko Pantelic e Luis Suarez.

O Feyenoord, que até começou com esperanças mais vivas de finalmente encerrar o jejum de dez anos sem títulos, já diminuiu bastante seu ímpeto. Tanto é que, na última rodada, não saiu do empate sem gols com o Utrecht. Mas, ora bolas, está em quarto, ainda que a sete pontos do arquirrival de Amsterdã. E completa uma temporada em que o Trio de Ferro consegue reagir e mostrar que, quando ferido, ainda pode comprovar o merecimento de sua tradição.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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