Holanda

Os 40 anos de um dos maiores especialistas em fazer gols: Ruud van Nistelrooy

As temporadas extraterrestres de Messi e Cristiano Ronaldo nos fizeram perder um pouco a referência, mas um atacante que fornece 30 gols por temporada para o seu clube sempre foi muito valorizado. Ruud Van Nistelrooy fez isso duas vezes pelo PSV e uma pelo Real Madrid. No Manchester United, alcançou essa média ao longo de cinco temporadas, marcando 150 vezes. Bom com as duas pernas, forte e inteligente, o ex-jogador, que se tornou o novo quarentão do futebol nesta sexta-feira, sempre encontrava uma solução para finalizar.

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O começo de carreira de Nistelrooy foi tardio. Aos 21 anos, com a camisa do Heerenveen, finalmente chamou a atenção. Não fez tantos gols, apenas 13 em 31 jogos. Foi sua técnica dentro da área que valeu uma transferência para o PSV, clube em que ficou durante três temporadas. A última foi prejudicada por uma séria lesão, que inclusive atrasou sua transferência para o Manchester United. Nas outras duas, foi artilheiro do Campeonato Holandês.

Custou caro, por volta de € 28 milhões, que era um valor altíssimo na época em que Ferguson o levou a Old Trafford, onde acabaria ficando cinco anos. A maior trajetória de Nistelrooy em um único clube – com exceção do Den Bosch, no qual surgiu. Era um momento confuso do Manchester United, o pior da Era Ferguson depois que os títulos começaram a aparecer. O time da Tríplice Coroa estava sendo renovado e muitas das transferências do escocês, como Barthez, Verón e Kleberson, não deram o resultado esperado.

Nisltelrooy deu. Fez 36 gols na sua primeira temporada, sendo 23 na Premier League e dez na Champions League em que o Manchester United caiu para o Bayer Leverkusen nas semifinais. Seu grande momento foi na seguinte. O Arsenal chegou a ter cinco pontos de vantagem, a dez rodadas do fim. O United precisava de algo extraordinário para tirar o título do adversário e encontrou isso em Nistelrooy. Ele marcou 13 vezes na reta final, seu time alcançou nove vitórias e um empate e se consagrou campeão inglês.

Mas foi o único troféu da Premier League que ele conquistou. Em seguida, viriam os Invencíveis do Arsenal e depois o bicampeonato do Chelsea, turbinado pelo dinheiro de Roman Abramovich. As relações com Ferguson e o resto do elenco começaram a se deteriorar. Ele entrava em constantes conflitos com um jovem Cristiano Ronaldo e, quando não ganhou nem um minutinho em campo na decisão da Copa da Liga de 2006, contra o Wigan, tudo foi por água abaixo.

O Manchester United usou um time alternativo naquela campanha. Como Louis Saha havia disputado as fases anteriores, ganhou a merecida chance de começar jogando em Wembley. O próprio Nistelrooy admite isso. Mas Ferguson preferiu usar suas substituições para colocar Richardson, Evra e Vidic em campo. O holandês reagiu xingando o seu técnico com uma palavra ainda não identificada pelos historiadores do futebol inglês. Ferguson, em seu livro, a descreveu como “****”.

“Na terceira substituição, eu perdi o controle. Isso não deveria ter acontecido, mas aconteceu”, reconhece Nistelrooy, em entrevista ao Huffington Post. “Eu cheguei a me aquecer e estava pronto para entrar. Estava três ou quatro a zero (placar final foi 4 a 0), o jogo havia terminado. Não é que eu havia vencido cinco ligas e três Copas da Inglaterra naquele momento. Era só uma liga (2002/03) e uma FA Cup (2003/04). Eu estava muito orgulhoso daquele dia e queria alguns minutos, fazer minha parte na final”.

Foi o fim de Nistelrooy no Manchester United. No dia anterior à última rodada da Premier League, contra o Charlton, Ferguson foi ao seu quarto de hotel e avisou que ele não jogaria. Seu último jogo na Inglaterra foi um empate sem gols com o Middlesbrough, no qual desperdiçou um pênalti. Nistelrooy reuniu-se com a seleção holandesa para a Copa do Mundo de 2006 e, quando voltou, foi vendido para o Real Madrid.

Na Espanha, já aos 30 anos, conquistou duas vezes o Campeonato Espanhol, chegando a um total de cinco títulos de liga – dois pelo PSV. Marcou 53 gols nas suas duas primeiras temporadas, mas voltou a se machucar seriamente. Com as chegadas de Cristiano Ronaldo, Kaká e Benzema, perdeu definitivamente o seu espaço e foi decido ao Hamburgo. Jogou uma temporada e meia na Alemanha, outra completa pelo Málaga, e se aposentou, aos 36 anos.

E embora não tenha uma prateleira de troféus do tamanho da que merecia, foi um especialista dos gols, um jogador de muita qualidade e um dos melhores artilheiros da sua geração.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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