Holanda

O salto foi dado

São as revelações. São o futuro. São eles que levarão a Bélgica de volta às competições internacionais. Todas essas frases têm sido constantemente atribuídas a dois meio-campistas: Axel Witsel e Steven Defour. Nada mais justificável. Afinal, na reação que trouxe o Standard de volta a um papel de protagonista na Jupiler League, os dois podem ser considerados as grandes revelações que surgiram.

No entanto, os últimos três anos já passaram. E os dois meio-campistas estavam começando a entrar no perigoso limbo que há entre jogadores considerados “promessas”, sobre os quais há uma boa expectativa, e atletas cuja melhor fase já passou, que perderam a oportunidade de se destacar, de aproveitar a chance para conseguirem destaque definitivo. Basta mencionar que, enquanto ambos passaram os últimos três anos no Standard Liège, Eden Hazard construiu a carreira lentamente, no Lille, virando destaque pouco a pouco.

Resultado: atualmente, no time de Georges Leekens, Hazard é a grande aposta: se não é titular da seleção, é constantemente utilizado. Isso, para não falar da cobiça que grandes clubes europeus exercem sobre o nativo de La Louvière. Por outro lado, mesmo tendo vaga garantida na base dos Diabos Vermelhos, Defour e Witsel ainda não conseguiram se transformar nos jogadores que (ainda) prometem ser.

No entanto, um grande passo foi dado, nesta semana. Pelo menos, por um deles. Há algum tempo, Witsel também era observado a par e passo por clubes de centros maiores do futebol europeu (chegou-se a falar até em Milan, num determinado momento). Tudo, graças à volta de suas boas atuações. Após passar um tempo em baixa, pela gravíssima contusão que provocou em Marcin Wasilewski, do Anderlecht, em 2009, o meio-campista nascido em Guadalupe tornou-se, novamente, um dos grandes destaques na campanha do vice-campeonato dos Rouches, na Jupiler League passada.

E, finalmente, nesta semana, Witsel conseguiu o salto de que sua carreira precisava. É verdade que não é um salto tão grande: o Campeonato Português é bem superior ao nível do Belga, mas ainda não é um torneio de ponta. Mas, ora bolas, o meia vai para o Benfica, um dos raros clubes lusos a poder exercer papel digno nas competições europeias. E, caso chegue com disposição para jogar, não há dúvidas de que poderá ser titular. E um titular de grande valia, na armação das jogadas para a dupla Saviola-Cardozo finalizar.

Além disso, nos últimos dias, também cresceram os rumores de uma provável transferência de Defour. A negociação mais concreta não deu certo: após conversas envolvendo o jogador, seu procurador e seu sogro com o Lokomotiv Moscou, a transação fracassou. No entanto, não é difícil imaginar que o capitão do Standard também esteja próximo de deixar o clube em que está desde 2006. Até porque o futebol inglês também o quer. No ano passado, o Aston Villa já fez uma porposta. Agora, foi a vez do Stoke.

Enfim, Witsel e Defour parecem prontos para deixarem de ser promessas e tentarem escapar mais seriamente da ameaça de “foguetes molhados”. A Bélgica espera que tenham sucesso.

O começo do sonho

Poucos esperavam que o ADO Den Haag conseguisse ficar na parte de cima da tabela, na última temporada da Eredivisie. Que dirá conseguir uma vaga nos torneios europeus. Os auriverdes de Haia tinham equipes médias, nos últimos campeonatos, e até contavam com crises, vez por outra.

Só que, sob John van den Brom, tudo mudou em 2010/11. O ex-jogador de 44 anos conseguiu fazer um time coeso e esforçado, com alguns destaques, como o meio-campista Jens Toornstra (revelação, já convocado para a seleção sub-21 da Holanda) e, principalmente, Dmitri Bulykin.

O russo chegou meio eclipsado ao Den Haag, vindo do Anderlecht, por empréstimo. Resultado: vice-artilheiro do Campeonato Holandês, com 21 gols. Coroando a grande performance na temporada regular, com o sétimo lugar, o time venceu o Groningen, no play-off pela Liga Europa. E voltou a uma competição continental, após 24 anos.

Só que Van den Brom saiu, recebendo a missão de fazer o ambicioso Vitesse engrenar, após a campanha ruim no Holandês. E cabe, agora, a Maurice Steijn, auxiliar que já assumia o time vez por outra, conseguir levar o time à fase de grupos da Liga Europa. Começar bem o sonho, começou, ao vencer o Tauras, da Lituânia, fora de casa no jogo de ida da segunda fase preliminar. Agora, é tentar continuar.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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