Holanda

O que houve, campeões?

Jupiler League e Eredivisie começaram com uma lupa de atenção maior ainda sobre os atuais donos de seus troféus. Na Bélgica, ainda relativamente intacto pela janela de transferências, todos queriam ver se o Standard começaria a temporada 2009/10 como terminara a 2008/09. Pelos lados holandeses, a vontade de ter uma ideia mais definida sobre o eventual “fogo de palha” do time de Alkmaar.

Pois bem, pelo menos na primeira rodada, nenhum dos dois conseguiu manter seu posto com sucesso. Os Rouches foram surpreendidos, jogando em casa, pelo Sint-Truiden, o campeão da segunda divisão, ao passo que os Alkmaarders perderam para os próprios nervos, contra o Heracles Almelo. Mas, então, o que aconteceu?

Na Bélgica, um pouco de presunção

A verdade é que o atual bicampeão belga entrou no gramado do Maurice Dufrasne um pouco aturdido, ainda, pela falta de ritmo de jogo. Algo mais do que natural – e que, diga-se de passagem, pode até se transformar em cansaço, daqui a alguns meses, pela necessidade que haverá de intercalar o campeonato com os jogos da fase de grupos da Liga dos Campeões.

E a questão é que torcida e imprensa belgas também exageraram um pouco nos prognósticos sobre a partida. Claro, o Standard era o favorito. Mas não se devia tirar os méritos do Sint-Truiden, que, além de tudo, tinha o álibi de se superar, em campo, exatamente para reforçar a ideia de que o campeonato apenas começara, e que era bom esperar antes de qualquer coisa.

E os Canários conseguiram provar da melhor maneira possível: abrindo o placar rapidamente (Chimedza fez 1 a 0 aos seis minutos de jogo) e segurando-se com eficiência. Pelo menos até os 15 minutos, quando Igor de Camargo empatou para os anfitriões, com um chute de longe.

Aparentemente, o segundo tempo ia colocar as coisas em seus devidos lugares, com Igor virando o jogo aos 11 minutos, após escanteio. Foi exatamente aí que o Sint-Truiden mais surpreendeu. Ao continuar impondo força na defesa e, mais surpreendente, garra no ataque, os Trudonnaires receberam a recompensa com o empate de Vincent Euvrard.

E, no penúltimo minuto de partida, o sinal de que os visitantes (e neófitos de Jupiler) roubariam a cena. O Standard, que se salvara da perda do título ao ver um pênalti defendido nos acréscimos do jogo contra o Gent, na última rodada, provou do próprio veneno: após Buyssens tocar com a mão na bola, Axel Witsel foi executar a cobrança. E Simon Mignolet, goleiro que já tivera boa atuação, coroou seu dia defendendo a cobrança do “Soulier D'Or” da última temporada.

Mas os aplausos ao Sint-Truiden, as vitórias de Anderlecht e Club Brugge, a eleição de Mignolet como melhor jogador da primeira rodada da Jupiler League, tudo isso não apaga a velha história: é apenas a primeira rodada. Chance de reação, o Standard a tem, totalmente. E já na volta a campo, contra o Germinal Beerschot.

Na Holanda, nervosismo

O caso do AZ já foi um pouco mais sério. Jogando em casa, na grama sintética do Polman Stadion, o Heracles Almelo também abriu o placar cedo: aos sete minutos da primeira etapa, com o brasileiro Everton. Era o início de uma jornada onde os Almelöers veriam o quanto podem ter acertado com a contratação de Gertjan Verbeek, que tanto sofreu no Feyenoord, para treinar o time, no lugar de Gert Heerkes.

Com um time jovem – notadamente no ataque -, o time alvinegro conseguiu envolver rapidamente um AZ que, assim como o Standard, ainda está à procura do melhor entrosamento. Portanto, também não impressiona que, ancorado na rapidez de Everton e Willie Overtoom e no bom dia de Mark-Jan Fledderus, o time da casa tenha feito 3 a 0.

E aí viu-se o ponto que desestabilizou o AZ. Após ter conseguido, a duras penas, diminuir para 3 a 2, o time de Ronald Koeman perdeu-se nos próprios nervos. Exemplos disso foram os casos de Gill Swerts e Graziano Pellè. O lateral-direito belga e o atacante italiano, ao invés de ajudar a levar o time rumo a um empate possível (e que levantaria o ânimo da torcida), perderam a cabeça. E foram expulsos, nos acréscimos.

Não adiantaram as reclamações de Martens sobre a atuação do árbitro Reinold Wiedemeijer. A KNVB, para piorar, foi impiedosa na suspensão de ambos: cinco jogos para Pellè, e quatro para Swerts. Porém, volte-se àquele velho conceito de que “é apenas a primeira rodada”. E é mesmo. De mais a mais, um certo time, no ano passado, começou perdendo nas duas rodadas iniciais da Jupiler League… e terminou como campeão.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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