O PSV se acerta

Após uma temporada em que Huub Stevens teve uma passagem das mais turbulentas e coube a Dwight Lodeweges apenas conduzir os trabalhos sem maiores problemas, o que até rendeu ao clube um lugar na Liga Europa, o PSV chegou para o período 2009/10 bastante otimista, com a chegada de Fred Rutten e de alguns reforços. E já se apontou aqui: estava dando certo.
Todavia, faltava ainda o salto definitivo. Já com uma campanha bastante regular, os Boeren vinham tendo o azar de ir de encontro a um Twente de regularidade ainda mais notável – pelo menos no Campeonato Holandês. E aí, mesmo que tivesse um desempenho absolutamente elogiável, a liderança não chegava para o time de Rutten.
Pois bem, chegou o momento. A rigor, nem era esperado que fosse diferente. Afinal de contas, o PSV é francamente superior ao Roda e ao NEC. E foi o que provou, fazendo 1 a 0 na equipe de Kerkrade, em jogo atrasado da 18ª rodada, num lance fortuito (Manolev chutou, e o goleiro Bram Castro falhou, deixando a bola livre para Danny Koevermans completar no rebote). E, mais ainda, aplicando um categórico 3 a 0 nos Nijmegenaren, sem sofrer susto algum no Philips Stadion.
As surpresas ficaram por conta dos pequenos furos que apareceram no casco do Twente. Em dois empates sem gols, contra Utrecht e Groningen, os comandados de Steve McClaren mostraram uma incapacidade pouco recomendável para não marcar gols. A ponto de o goleiro Sander Boschker ter até criticado Miroslav Stoch, Blaise Kufo e Bryan Ruiz, o trio de ataque, exigindo que McClaren entrasse no meio da discussão, para serenar os ânimos.
E, enquanto o Twente teve um solavanco fundamental, o PSV apenas continuou sendo regular. O que, aliás, é a característica de vários atletas no time titular. Pegue-se, por exemplo, Stanislav Manolev. O lateral-direito búlgaro pode não ser um jogador indiscutível, mas é um jogador que pôs fim à necessidade de improvisações no setor.
Do mesmo modo, Andreas Isaksson esqueceu o começo difícil em De Herdgang e voltou a ter boas atuações. No meio-campo, Ibrahim Afellay também não costuma decepcionar, mesmo que raramente brilhe de modo intenso. E, finalmente, no ataque, há um fenômeno semelhante ao vivido pelo Anderlecht (já descrito, também): mesmo sem excelência, a alternância de protagonismo entre os jogadores faz com que se veja uma mudança que faz bem aos desempenhos. Ora Dzsudzsák chama o jogo para si, ora é Lazovic, ora Koevermans, ora Toivonen. Na última partida, foi o sueco, marcando dois gols.
E, assim, já depois do término do turno da Eredivisie, o PSV se acertou. E virou o jogo para assumir uma posição de destaque, na disputa pelo título, que deve ser travada mesmo com o Twente. O cenário de domínio parece ter voltado ao normal em Eindhoven.
Vale a aposta
Nem há muito como se falar em outra coisa no Ajax, em semana que verá o esperado De Klassieker, contra o Feyenoord. Mas a contratação de Nicolás Lodeiro causou certos comentários, na linha do “boa contratação”. Mais do que justificado. Afinal de contas, fala-se de um jogador apontado como um dos mais talentosos a ter surgido no Uruguai, nos últimos tempos.
Mas, além disso, a vinda de Lodeiro pode ser interessante pelas variações táticas que pode representar à equipe de Martin Jol. Se bem lapidado, recebendo chances com comedimento, o meio-campista pode representar o preenchimento de uma lacuna na Amsterdam Arena: a falta de um meio-campista que arme o jogo.
Por enquanto, Demy de Zeeuw tem feito este papel – e até tem sido satisfatório. Mas é um volante de ofício. Com ótima saída de bola, é verdade, mas um volante. Lodeiro pode ser o jogador a parar a bola e armar o jogo, desafogando até mesmo o compatriota Luis Suarez. Vale a aposta.



