O primeiro desafio
Desde 2009, o Twente vive a melhor fase dos 47 anos de sua história. Vice-campeão holandês, naquele ano, o time de Enschede alcançaria, enfim, a glória do título nacional em 2009/10. Na temporada seguinte, foi vice-campeão na liga, e abocanhou a Copa da Holanda. De quebra, ainda tinha desempenhos honrosos em competições europeias. Só que o final da temporada 2011/12 deu a entender que o sonho estava acabando: um opaco sexto lugar, e a queda nos play-offs por vaga na Liga Europa, para o RKC Waalwijk. A vaga para o torneio só foi salva pelo “presente” dado pelo índice do Fair Play, da UEFA.
Pois bem, os Tukkers parecem ter aprendido a lição. Porque o começo de temporada é bastante satisfatório nos lados do Grolsch Veste. Prova disso é a sequência atual no Campeonato Holandês: em seis rodadas, seis vitórias. Desempenho que igualou a melhor sequência do clube num início de campeonato em sua história, em 1968/69, quando alcançou o terceiro lugar na Eredivisie. E, se não ganhou na primeira rodada da fase de grupos da Liga Europa, pelo menos mostrou mais capacidade do que o PSV: conseguiu até abrir 2 a 0 contra o Hannover 96, não tendo ganho por cinco minutos de pane, em que permitiu o empate dos Roten.
Mas, talvez, o início auspicioso não seja tão surpreendente assim, porque deve-se principalmente a qualidades que o Twente já cansou de mostrar: a habilidade em buscar reforços baratos, que mantenham o nível razoável do time, e o sossego que o treinador tem para trabalhar. É bem certo que Steve McClaren só o tem porque Co Adriaanse foi defenestrado sem mais nem menos, no ano passado. Mas, enfim, o técnico inglês consegue concretizar o objetivo que o presidente Joop Munsterman tinha em mente quando decidiu apostar de novo nele, depois das esquecíveis passagens por Wolfsburg e Nottingham Forest: melhorar a defesa.
Esquecíveis também foram as passagens de um dos reforços do Twente no exterior. Por sinal, um velho conhecido: sem ter impressionado em Bayern Munique, Celtic ou Hoffenheim, Edson Braafheid ganhou a oportunidade de voltar à lateral esquerda, após o empréstimo conseguido no final da janela de transferências. E tem ido tão bem quanto Robbert Schilder, seu antecessor, já ia. Essa manutenção de nível fez com que ninguém sentisse a troca de jogadores.
Até porque os pilares da defesa, Wisgerhof e Douglas, continuam firmes e fortes com a camisa do Twente – por mais que o brasileiro (pré-convocado por Louis van Gaal para os jogos da Holanda contra Andorra e Romênia, pelas eliminatórias da Copa de 2014) deseje uma transferência não é de hoje. De todo modo, caso um dos dois zagueiros se lesione, o dinamarquês Andreas Bjelland e o belga Dedryck Boyata – emprestado pelo Manchester City – estão a postos.
No meio-campo, mais um reforço para a temporada atual tornou-se o destaque. O sérvio Dusan Tadic anda exibindo as mesmas qualidades que o fizeram ser o grande destaque do Groningen em 2011/12: além de armar bem o jogo, Tadic é um meia bastante rápido, embora não marque tanto (tarefa que fica a cargo de Willem Janssen e de outro reforço, o chileno Felipe Gutiérrez). E sua importância na criação foi potencializada com a lesão nos meniscos que mantém Leroy Fer afastado dos campos.
E, se Fer era (é, a bem da verdade) goleador da equipe na temporada – 3 gols, junto de… Tadic -, Nacer Chadli e Luc Castaignos têm feito bem a tarefa de suprir essa carência insuspeita. O belga assume satisfatoriamente a lacuna deixada por Luuk de Jong, como a principal referência de ataque da equipe, enquanto o jovem holandês mostra rapidez e perspicácia. Por duas vezes, na temporada, Castaignos já aproveitou lances em que goleiros repuseram mal a bola em jogo para chegar nela antes dos zagueiros e colocá-la nas redes.
Uma delas, inclusive, salvou o Twente de um aperto, nesta semana: Castaignos marcou o gol do 1 a 0 contra o RVVH, da terceira divisão, na segunda fase da Copa da Holanda, aos 48 minutos da etapa final. Além de tudo, o Twente enfrentará, na próxima rodada da Eredivisie, somente o campeão Ajax – que, se não venceu todas as partidas da temporada atual, demonstra estar bem para tentar o tricampeonato.
Enfim, o Twente terá um teste mais respeitável. Para manter sua invencibilidade na Holanda (embora seja difícil imaginar que o time bata o recorde de sequência de vitórias – o PSV venceu todas as 17 partidas do turno, em 1987/88). E para provar que aprendeu com a leve queda que tomou.



