O fiel da balança

Quando o hexagonal final do Campeonato Belga estava para começar, Anderlecht e Racing Genk monopolizavam as atenções – e a disputa do título. Afinal, os Mauves haviam terminado a primeira fase apenas um ponto à frente do Genk. E ambas as equipes foram, inegavelmente, os destaques da temporada da Jupiler League. Se fosse para apontar alguém que pudesse entrar no meio da briga, seria o Gent, que terminou sete pontos atrás do time de Franky Vercauteren.
E, no entanto, após duas rodadas do hexagonal final, é o Standard Liège que virou o fiel da balança. Isso, após um término de fase classificatória bastante discreto – os Rouches só conseguiram superar o Mechelen nas últimas rodadas, entrando no hexagonal como sextos colocados. De repente, tudo mudou: duas vitórias, e a equipe saltou para a terceira posição do Play-off I, com 31 pontos, dois atrás do Anderlecht e quatro atrás do Racing Genk. Isso, tendo ganho de ambos, já.
Porque, na primeira rodada, a equipe treinada por Dominique D'Onofrio tinha pela frente simplesmente o Anderlecht, em pleno Constant Vanden Stock. Pois contou com um grande dia do camaronês Aloys Nong para fazer 3 a 1. Isso, jogando com um time misto, deixando os titulares descansarem para a semifinal da Copa da Bélgica. Com a vitória, o time de Liège ajudou o Racing Genk, que fez 2 a 1 no Lokeren.
Para o Genk, então, era chegar e vencer, na segunda rodada. Até porque a vaga do Standard na decisão da Cofidis Cup já estava garantida, com os 4 a 2 sobre o Gent. E os comandados de Vercauteren até cumpriam a tarefa, vencendo por 1 a 0. Até os trepidantes últimos minutos do jogo no Maurice Dufrasne. Primeiro, Thibaut Courtois (dos principais goleiros da Jupiler League) derrubou Nong, e Axel Witsel empatou, aos 41 minutos. E, aos 46, nos acréscimos, Nong virou o jogo – e fez o inferno de Sclessin explodir de alegria.
Com isso, o que era um time discreto, que entrou no hexagonal pela porta dos fundos, voltou a ser uma equipe respeitável. Longe do time entrosadíssimo que fez história com o bicampeonato que enterrou 25 anos de jejum, em 2007/08 e 2008/09. Mas, ainda assim, um time esforçado. Tendo deixado o cargo de diretor técnico para treinar a equipe, meio às pressas, após a confusão em que Laszlo Bölöni foi demitido, Dominique D'Onofrio conseguiu, aos poucos, pacificar o ambiente dentro do elenco. E o ítalo-belga começou a dar o seu tom à equipe.
Paralelamente a isso, houve a manutenção de Defour e Witsel, dois remanescentes do bicampeonato. Sem a muitas vezes cogitada transferência de ambos para um centro grande da Europa, os dois meio-campistas transformaram-se nos pilares do esquema que D'Onofrio armou. Com alguns reforços razoáveis, como Pocognoli, para a zaga, e, mais recentemente, Jelle van Damme, para o meio-campo, a retaguarda ficou mais protegida.
E, finalmente, a ausência de Jovanovic e Mbokani, no ataque, foi suprida pela quantidade. Que trazia uma ligeira qualidade. Nong, Mohamed “Memé” Tchité, Mbaye Leye, Luigi Pieroni, Gohi Bi “Zoro” Cyriac: nenhum deles é um atacante acima de qualquer suspeita. Mas, pelo menos, aproveitam uma chance, vez por outra.
Com isso, o Standard virou a grande surpresa do início da fase decisiva do Campeonato Belga. E tentará dar prosseguimento ao sonho do título, enquanto Anderlecht e Racing Genk se enfrentam, tentando evitar uma derrota que aprofundaria a crise. Que começou com uma derrota para os Rouches.



