O fantasma voltou

Como se sabe, a Eerste Divisie, segunda divisão holandesa, tem um regulamento complicado. Mas uma coisa é certa: o campeão dela tem o acesso garantido à Eredivisie da temporada seguinte. E, na 26ª rodada da Jupiler League (é, o mesmo nome oficial do Campeonato Belga, pelo patrocinador igual) 2010/11, o Zwolle parecia destinado a retornar ao Holandês, após sete anos.
Parecia. Porque, nas três rodadas seguintes, a equipe acumulou três empates sem gols – e, em todas, o vice-líder RKC Waalwijk venceu, diminuindo a diferença. Esta continuou caindo, até o confronto direto, na 32ª. Vitória do RKC, por 3 a 0. Em pleno Zwolle Stadion. Na penúltima rodada, o desastre se consumou: empate dos Zwollenaren com o Den Bosch, e o RKC assumindo a liderança, com um 7 a 0 sobre o RBC Roosendaal.
Após 23 rodadas na ponta, os Blauwvingers a perderam. E viram os Católicos serem campeões e promovidos, após arrancada fulminante. O consolo é que haveria a chance de conquistar o acesso na Nacompetitie. Novamente, falha no instante final: decidindo contra o VVV-Venlo, penúltimo colocado na Eredivisie, foram derrotados. O trauma de perder um título quase certo foi imenso. Ainda mais tendo o artilheiro da Jupiler League (Sjoerd Ars, com 26 gols), e as melhores campanhas tanto dentro como fora de casa.
Todos esses três parágrafos exibiram o fantasma que o Zwolle viveu em 2010/11. Pois ele está de volta. Após seguir em velocidade de cruzeiro, novamente liderando com sobras a segunda divisão, o Zwolle viu uma diferença segura escapar rapidamente. Quando 2012 começou, a Eerste Divisie estava parada, e o time tinha 15 pontos de diferença para o Sparta Rotterdam, segundo colocado. Agora, ela está em três pontos. A nove rodadas do final da liga.
E não se pode dizer que o time mudou muito. É verdade que Ars, o destaque do ano passado, foi-se para o Levski Sofia. Mas Nassir Maachi não deixou que a falta fosse sentida: briga firme pelo posto de principal goleador, com 16 gols, um a menos do que Jack Tuyp, do Volendam. Na defesa, o goleiro Diederik Boer é um dos melhores do campeonato. Há atletas experientes na Eredivisie, como o meia Arne Slot. E promessas cedidas por clubes da elite, como o zagueiro Darryl Lachman, iniciado no Groningen, e o atacante Alexander Bannink, do Twente.
No banco de reservas, Art Langeler é uma possível revelação entre os técnicos holandeses – antes da contratação de Marco van Basten, era até cogitado para ir rumo ao Heerenveen. No entanto, terá de solucionar esse fantasma que retornou aos Zwollenaren, após vários resultados ruins. Isso inclui até uma virada vexatória para o Helmond Sport: jogando em casa e vencendo por 2 a 0, o time alviazul permitiu o 3 a 2.
O resumo do suspense foi bem dado por Diederik Boer: “Ainda não há frustração no grupo, mas isso não pode e não deve ser perdido pela segunda vez. O cenário sombrio não pode se repetir.”
Bate e volta
Charleroi e Eupen estavam na primeira divisão da Bélgica, no ano passado. E caíram para a EXQI League (segunda divisão), tendo diferentes razões como as principais. Os Zebrados sofreram com as discordâncias entre a família iraniana Bayat, que comanda o clube: Abbas Bayat é presidente interino, no lugar do sobrinho Mogi, que deixou o clube reclamando do tio. Já os Pandas sofreram com várias mudanças de técnico: três.
E, no entanto, ambos são favoritos a retornar para a Jupiler League já em 2012/13. Seja como campeões (ambos têm 55 pontos, seis à frente do Oostende, e o Charleroi lidera pelo maior número de gols pró), seja como campeões de período (o Eupen foi melhores nas primeiras dez rodadas, e os Zebrados lideraram as 12 seguintes).
Para isso, nem precisam evitar crises. O Charleroi recebeu protestos da torcida pelas três demissões de técnicos ao longo da temporada: começou com Jos Daerden, que deu lugar ao húngaro Tibor Balog, substituído por Mario Notaro, sucedido por Dennis van Wijk.
Enquanto isso, clubes como Oostende, Waasland-Beveren e Lommel United apenas esperam. Enquanto os dois vindos da Jupiler League prometem um bate e volta.



