Holanda

No meio do caminho (II)

Se a disputa do título do Campeonato Holandês está equilibrada (e com clubes que não haviam participado dela, como o Vitesse), isso significa que alguns clubes que eram presenças habituais da primeira parte da tabela de classificação andam negando fogo na temporada atual. E, de fato, isso anda ocorrendo, como se saberá daqui a pouco. No entanto, as surpresas na parte de baixo dos 18 times são menores. Boa parte dos times que procura escapar do rebaixamento já tinha esse destino como expectativa, ao início da Eredivisie – embora a coluna tenha errado em algumas apostas.

De todo modo, aos poucos, os clubes vão se firmando para o reinício, na próxima semana. O PSV cumpriu sua tarefa, e ganhou o amistoso contra o Muangthong United, da Tailândia, em Bangcoc, recebendo até uma taça; o Ajax encara sua intertemporada brasileira mais tranquilamente do que em 2012, tendo visitado a Vila Cruzeiro, treinando na Praia da Barra etc.; em Marbella, na Espanha, o Feyenoord recebeu a ótima notícia da compra em definitivo de Graziano Pellè, liberado pelo Parma. Mas vamos terminar com as análises desta pausa no Holandês.

Heracles

Posição: 10º lugar, com 20 pontos em 18 jogos (na frente pelo maior saldo de gols)

Técnico: Peter Bosz

Destaque: Ninos Gouriye (meio-campo)

Objetivo do início: vaga na Liga Europa

Perspectiva: A perda de Armenteros tirará o poder de fogo da equipe no ataque. Mas, caso consiga se refazer dela rapidamente, o time de Almelo pode cumprir a meta.

É possível dizer que os Almelöers seguem a mesma toada das últimas temporadas. Um elogiável trio de ataque em Lerin Duarte, Everton e Samuel Armenteros, responsável por 16 dos 35 gols da equipe na atual temporada – o que, somado aos sete gols do ponta-de-lança Ninos Gouriye, responde por mais da metade das vezes em que os Heraclieden comemoraram gols na Eredivisie.

No entanto, com a transferência de Armenteros para o Anderlecht, confirmada nesta semana, o destino do clube acabou virando uma ligeira incógnita, já que o atacante sueco de ascendência cubana era o goleador dos Tukkers, com 9 gols. Todavia, vendo-se mais profundamente, não há razões para desespero. O todo do Heracles é coeso, e a equipe tem plenas condições de suprir a perda e lutar pela vaga no play-off por Liga Europa.

Groningen

Posição: 11º lugar, com 20 pontos em 18 jogos

Técnico: Robert Maaskant

Destaque: Michael de Leeuw (meio-campista)

Objetivo do início: escapar do rebaixamento

Perspectiva: Os jogadores têm o mérito de serem esforçados, e terem conseguido remontar uma espinha dorsal dentro do time. Ainda há dificuldades, mas a esperança é maior.

O péssimo returno feito em 2011/12 – e as perdas na janela de transferências entre uma temporada e outra – poderia fazer pensar que o Groningen iria penar, outra vez, nas últimas posições do campeonato. E o mau início (duas derrotas e um empate) fazia pensar nisso. Mas, aos poucos, Robert Maaskant foi estabelecendo um ambiente calmo e tranquilo para se trabalhar. E os jogadores, então, reformaram uma base dentro do time titular.

Michael de Leeuw sobressaiu-se como o coordenador das jogadas de armação, suprindo a falta que Tadic fazia. Na defesa, embora falhe vez por outra, Luciano voltou a se fixar no gol – e Virgil van Dijk cresce. Só o ataque ainda precisa de definição: David Texeira não acaba com a desconfiança, e Género Zeefuik vive sob pressão para melhorar fisicamente. Ainda assim, a maior preparação do Groningen faz crer que o time pode superar o desafio de sonhar com coisa maior do que apenas escapar da queda.

AZ

Posição: 12º lugar, com 18 pontos em 18 jogos (na frente pelo maior saldo de gols)

Técnico: Gertjan Verbeek

Destaque: Adam Maher (meio-campista)

Objetivo do início: vaga na Liga Europa

Perspectiva: de longe, a maior decepção da Eredivisie. As perdas enfraqueceram o time mais do que se esperava, e os destaques (que existem) não conseguem resolver isso.

Depois do trio de grandes, o AZ podia ser considerado o melhor time holandês, após a temporada passada. Com uma equipe bastante sólida – e contando com o talento de Adam Maher, ainda uma das grandes promessas do futebol holandês -, os Alkmaarders se aproveitaram da queda do Twente, na parte final da Eredivisie, para garantir a quarta posição.

O que não se suspeitava é que as perdas da janela de transferência fossem impactar tanto na equipe. Sem Moisander, a defesa ainda está encontrando o entrosamento; sem Rasmus Elm, o meio-campo perdeu alguma pegada na marcação. E Maher, Altidore e Gudmundsson, ainda os destaques da equipe, não conseguem eclipsar essas falhas. Daí a pesada queda na temporada atual. Que deve ser controlada. E melhorada, se possível.

Heerenveen

Posição: 13º lugar, com 18 pontos em 18 jogos

Técnico: Marco van Basten

Destaque: Alfred Finnbogason (atacante)

Objetivo do início: vaga na Liga Europa

Perspectiva: Queda ainda pior do que a do AZ. Com um time falho na defesa e sem impacto no ataque, Marco van Basten outra vez encara tarefa difícil.

Os sonhos para a temporada atual eram enormes: melhorar a quinta posição da temporada passada, continuar o crescimento notável observado no último Campeonato Holandês… e, para Marco van Basten, era uma oportunidade de melhorar a imagem seriamente atingida pela decepção no Ajax. O time demonstrava capacidade para, no mínimo, fazer um papel honroso. Não é o que tem acontecido.

A única nota de destaque da equipe é a profusão de gols que Alfred Finnbogason marcou no turno: 14, em 16 jogos, média que já o fez virar alvo de boatos, na janela de transferências. Fora isso, apenas o bom desempenho de Filip Djuricic, na armação das jogadas. É só. A perda do trio Assaidi-Dost-Narsingh atingiu duramente o ataque, e a defesa sofre com a inconstância – é a mais vazada da Eredivisie (38, junto do VVV-Venlo e do Willem II). À sua maneira, o time da Frísia é decepção tão grande quanto o AZ.

Zwolle

Posição: 14º lugar, com 15 pontos em 18 jogos (na frente pelo maior saldo de gols)

Técnico: Art Langeler

Destaque: Denni Avdic (atacante)

Objetivo do início: escapar do rebaixamento

Perspectiva: o objetivo continua o mesmo. Pelo esforço dos Zwollenaren (e até algum talento, no caso de Avdic), podem, e até merecem, consegui-lo.

Esperava-se que o Zwolle fosse o saco de pancadas do campeonato. Não é que o time tenha mudado da água para o vinho, mas se mostrou mais duro de ser superado. Vendeu caro as derrotas para PSV e Ajax, e ainda arrancou um empate com o Twente. De quebra, alguns jogadores renderam mais do que se esperava. Joey van den Berg foi o dono na defesa, e ainda subia ao ataque – já marcou três gols; Rochdi Achenteh cresceu no meio-campo; e Denni Avdic mostrou-se promissor, no ataque.

Foi o suficiente para superar Roda JC e VVV-Venlo, terminando o turno mais distante das zonas de rebaixamento. Mas a labuta continuará dura nas últimas 16 rodadas. E o clube continuará tendo de se esforçar para evitar o retorno à Eerste Divisie – a começar na 19ª rodada, quando já volta enfrentando o líder PSV. Manter-se na divisão de elite seria ótima despedida para a dupla Art Langeler/Jaap Stam, que já teve a saída anunciada para o fim da temporada.

Roda JC

Posição: 15º lugar, com 15 pontos em 18 jogos

Técnico: Ruud Brood

Destaque: Mark-Jan Fledderus (meio-campista)

Objetivo do início: vaga na Liga Europa

Perspectiva: a irregularidade do Roda nas últimas campanhas continua. Após uma sequência de duas temporadas elogiáveis, a equipe caiu e tem o rebaixamento a perturbá-la.

Quando Ruud Brood chegou para comandar o Roda JC, a partir da nova temporada, esperava-se que a equipe obtivesse algo semelhante ao tido na temporada 2011/12 – ou seja, a chegada aos play-offs por vaga na Liga Europa. Time para isso, tinham. As perdas não haviam prejudicado tanto a espinha dorsal da equipe. Contudo, o time se enrolou sozinho.

A defesa se mostrou bastante fragilizada – Danilo Pereira, por exemplo, é um zagueiro inconstante até emocionalmente. E, no ataque, embora Sanharib Malki continue exibindo média elogiável de gols (meio por jogo), Mark-Jan Fledderus é quem mais tem se esforçado, armando as jogadas e também marcando. Pouco, para uma equipe que sofre muitos gols. E que, por eles, está em má situação.

VVV-Venlo

Posição: 16º lugar, com 15 pontos em 18 jogos

Técnico: Ton Lokhoff

Destaque: Uche Nwofor (atacante)

Objetivo do início: escapar do rebaixamento

Perspectiva: novamente, os Venlonaren brincam com fogo. Com poucos destaques, a equipe bordeja a Nacompetitie, como fez nas últimas duas temporadas.

A equipe de Venlo não aprende. Ano passado, só se salvou do rebaixamento na Nacompetitie, ao superar o Helmond Sport no jogo final do play-off. Assim como fizera em 2010/11, ao frustrar o Zwolle. Pois, neste ano, a tendência dos aurinegros é se esforçar, novamente, para evitar o rebaixamento indo ao “torneio da morte”. O mais curioso é que o VVV pode fazer isso.

Ton Lokhoff sequer tem recebido pressões como Glen de Boeck, seu antecessor, recebeu: afinal de contas, não se pode fazer muito com o elenco disponível. Entre os jogadores, até há lampejos de talento, vistos em Barry Maguire, Robert Cullen, Ricky van Haaren(!) e Uche Nwofor. Mas fica nisso. A partir desses é que o VVV terá de partir para ver se o raio cai três vezes no mesmo lugar. Cabe repetir o alerta feito na retrospectiva da temporada 2011/12 para a equipe: sorte não dura para sempre. 

NAC Breda

Posição: 17º lugar, com 14 pontos em 18 jogos

Técnico: John Karelse (até a 9ª rodada), Adri Bogers (entre a 10ª e 13ª rodadas) e Nebojsa Gudelj

Destaque: Jelle ten Rouwelaar (goleiro)

Objetivo do início: escapar do rebaixamento

Perspectiva: após um melancólico ano de centenário, a tarefa continua bem difícil para a equipe. Até pode acontecer, mas o espírito indica o contrário.

Só o fato do NAC Breda ser a única equipe do Campeonato Holandês a ter trocado de técnico em meio à temporada já dá uma indicação da profunda crise que vive a equipe. Outro fato: terminar 2012 com uma vexatória goleada de 6 a 1, em casa, sofrida para o PSV – com o primeiro tempo já indo por 4 a 1. E tudo isso, justo no ano em que o clube de Breda completou 100 anos. Pior: o cenário parece sem chances de mudança, a médio prazo.

Nebojsa Gudelj, ex-jogador do próprio NAC e pai do meio-campista Nemanja, só vê coisas boas no time quando olha para o gol, onde Ten Rouwelaar faz o que pode (com algumas falhas esporádicas, verdade). Ou no meio-campo, em que Kees Luijckx se desdobra na marcação e na armação – para Lurling concluir. É pouco. Bem pouco. Talvez seja insuficiente para deter o único time pior que o NAC, o Willem II – que, pelo menos, aparenta mais entusiasmo.

Willem II

Posição: 18º lugar, com 12 pontos em 18 jogos

Técnico: Jurgen Streppel

Destaque: Aurélien Joachim (atacante)

Objetivo do início: escapar do rebaixamento

Perspectiva: a tarefa continua bem difícil. Mas a equipe parece mais motivada do que alguns concorrentes à frente, ao contrário do pálido 2010/11 em que foi rebaixada.

Pode parecer que os Tilburgers são o pior time da temporada. Mas, diante do que se via na melancólica temporada 2010/11, quando a equipe parecia um zumbi esperando o inevitável rebaixamento, a impressão é que os jogadores não se entregarão sem luta. O time parece mais esforçado do que o da queda.

E, às vezes, mostra até algum talento, como no meio-campo, com Marc Höcher, ou no ataque, onde o luxemburguês Aurélien Joachim vai fazendo seus golzinhos – e mesmo seu reserva, Jens Podevijn, mostra serviço sempre que entra. Com isso, embora a possibilidade do rebaixamento seja enorme, os Tricolores mostram um esforço que aumenta a esperança de escapar.

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