Holanda

No meio do caminho (I)

18 rodadas já disputadas, agora o Campeonato Holandês repousa em berço esplêndido na pausa de inverno. E os clubes fogem como podem do frio que domina a maior parte da Holanda neste início de 2013 – embora a temperatura esteja menos gelada do que de costume, por volta de 9º, com um cenário “apenas” nublado e periodicamente chuvoso. A situação é mais amena a ponto de nenhum jogo ter sido adiado por questões como nevascas ou coisas parecidas.

De todo modo, é hora dos times procurarem balneários de clima mais estimulante, para se prepararem bem, rumo à metade decisiva da temporada. O Ajax repetirá a dose (a contragosto, diga-se de passagem), vindo ao Brasil para treinos, entre 6 e 13 de janeiro, concluindo com um amistoso contra o Vasco; o líder Twente se mandará para Gran Canaria, ilha espanhola; o Feyenoord também vai para a Espanha, ficando no balneário de Marbella; o Vitesse é outro time a tomar o caminho espanhol, treinando em Alicante; já o PSV viajará para Bangcoc, na Tailândia.

E enquanto os clubes se preparam, a coluna parte para a análise de como transcorreu a temporada para cada um dos 18 times da Eredivisie, dividida em duas partes. E o cenário geral é auspicioso: ao contrário da temporada passada, onde AZ e PSV despontavam, o equilíbrio impera atualmente, com cinco pontos separando o primeiro do quinto colocado. Vejamos como andam as coisas, então.

PSV

Posição: 1º lugar, com 40 pontos em 18 jogos (líder pelo maior saldo de gols)

Técnico: Dick Advocaat

Destaque: JeremainLens (atacante)

Objetivo do início: título

Perspectiva: Aos poucos, a equipe se acertou. Vai estar firme na disputa pela taça.

É bem certo que o clube de Eindhoven só comemorará seu centenário em 31 de agosto. Ainda assim, não há dúvidas de que os Boeren estão secos para celebrá-lo com alguma conquista. Ainda mais se essa conquista for a da Eredivisieschaal, que não vem há quatro anos para a sala de troféus do Philips Stadion. No entanto, o início de temporada não fazia crer nisso: o time estava bem irregular, e a campanha na Liga Europa foi abaixo da crítica – resultando na eliminação, claro.

Mas das trevas fez-se a luz. Após algum tempo tateando a melhor equipe a levar a campo, Dick Advocaat encontrou o que queria. Na defesa, Waterman fez por merecer a confiança e se consolidou no gol, enquanto Marcelo e Derijck fixaram-se no miolo de zaga. No meio-campo, a dupla Van Bommel-Strootman enfim rende o que se esperava, e Wijnaldum cresceu de produção como armador, no lugar do lesionado Toivonen. E, finalmente, Lens é dos melhores jogadores do campeonato. Resta saber seMertens fará bem a função de Narsingh, fora do returno, por contusão no pé.

Mas o importante é que, depois de muito sofrer, o PSV tem uma cara. E uma cara boa. Focado no campeonato, é bem provável que chegará muito forte para completar 100 anos com o 22º título holandês de sua história.

Twente

Posição: 2º lugar, com 40 pontos em 18 jogos

Técnico: Steve McClaren

Destaque:NacerChadli (atacante)

Objetivo do início: vaga na Liga Europa

Perspectiva:Pragmaticamente, o time continua nas cabeças. Se resistir à pressão dos concorrentes, também chega bem para os momentos decisivos.

No início do campeonato, o Twente vivia um contrassenso: passou oito rodadas invicto, liderando o torneio, e desagradava a toda a torcida. Com a campanha deficiente na Liga Europa, resultando em eliminação na primeira fase, faltou pouco para a pressão se tornar insuportável. Só que o ambiente continuou inalterado nos Tukkers: Steve McClaren seguiu prestigiado, com sua linha pragmática, e o time-base manteve-se.

Aposta premiada. A equipe assimilou a estratégia e manteve-se regular no restante do primeiro turno, embora tivesse empates e derrotas pelo caminho. Não só houve quem crescesse de produção (Castaignos e, principalmente, Chadli), como houve quem entrasse em alguma emergência e se saísse bem, como RasmusBengtsson, que substituiu o dinamarquês Bjelland na zaga e tornou-se titular. E a torcida, por sua vez, foi se adaptando.

Time regular, disputando a liderança ponto a ponto, técnico adotando esquema pragmático, inexistência de crises… isso já deu certo em 2009/10. Deu certo agora, no turno, apesar dos pesares. E pode dar certo ao final do campeonato. Pelo menos, a solidez do Twente prova isso.

Ajax

Posição: 3º lugar, com 37 pontos em 18 jogos (maior saldo de gols)

Técnico: Frank de Boer

Destaque: Christian Eriksen (meio-campista)

Objetivo do início: título

Perspectiva: A necessidade de reação não é tão urgente como era nas últimas duas temporadas. É manter a ascensão, e o tricampeonato será bem provável.

Na última temporada, os Ajacieden chegaram a estar na sexta colocação, bem atrás de PSV, AZ e Twente. E isso, depois de iniciado o returno. Pois bem: o time repetiu a dose de 2010/11. Tratou de engatar 13 vitórias consecutivas para assegurar o bicampeonato, na penúltima rodada. Muito bem, muito bom, era o caso de um raio caindo duas vezes no mesmo lugar, mas não era muito saudável repetir isso. Mesmo com as inevitáveis perdas nas transferências, o Ajax precisava se recompor com mais rapidez.

Felizmente para ele, o time de Amsterdã parece ter aprendido a lição. Embora não tenha apresentado nada de encher os olhos, o time ficou invicto por um longo tempo (só caiu na 11ª rodada, contra o Vitesse). Com a chegada de Moisander, de estilo parecido com o de Vertonghen, a zaga se recompôs rapidamente da perda do belga. E, no meio-campo, quase nada mudou: Eriksen continua dando as cartas, agora com o auxílio de Schöne. No ataque, Siem de Jong ganhou os importantes auxílios de Hoesen e Fischer, revelações que podem ser muito úteis no returno.

E o estilo da equipe não mudou: ênfase no toque de bola, marcação adiantada, bastante entrosamento entre os jogadores… mas, agora, com a vantagem de acompanhar Twente e PSV a par e passo. O Ajax, mais do que nunca, está com a chance nas mãos para alcançar o tricampeonato seguido que não lhe chega desde a temporada 1995/96.

Feyenoord

Posição: 4º lugar, com 37 pontos em 18 jogos

Técnico: Ronald Koeman

Destaque: Graziano Pellè (atacante)

Objetivo do início: vaga na Liga Europa

Perspectiva: O time é mais fraco do que os três ponteiros, mas sobra otimismo no ambiente. Isso pode pesar, e incluir a equipe entre os favoritos.

O Feyenoord se preocupava um pouco, antes do início do campeonato. Claro, entrava na disputa motivadíssimo, pelo vice-campeonato de 2011/12. Mas também pensava na perda de John Guidetti, o elemento que catalisou o time rumo à superação. Houve a tentativa de manter o sueco em Roterdã, mas ela não deu certo. Além disso, vieram as perdas de Vlaar e El Ahmadi.

Mas o campeonato foi transcorrendo. Antes mesmo do início, Mathijsen foi contratado para o miolo de zaga. O Feyenoord foi vendo que não era tão difícil manter o nível alcançado na última temporada – afinal de contas, personagens como Clasie e Schaken seguiam atuando bem. Houve o crescimento de gente como Bruno Martins Indi, hoje figura fundamental na defesa do Stadionclub. E, por fim, Graziano Pellè ascendeu, até tornar-se um dos goleadores da temporada, o homem que faltava.

Tudo isso resultou num término de primeiro turno altamente positivo: invencibilidade nas últimas oito partidas, com seis vitórias. Como em 2011/12, o otimismo sobra no ambiente. O time continua bastante aguerrido em campo. A torcida apoia. Já na primeira rodada de 2013, haverá o Klassieker contra o Ajax. Um grande teste para que a equipe possa ver se há chances de sonhar com o título que há 14 anos não vem.

Vitesse

Posição: 5º lugar, com 35 pontos em 18 jogos

Técnico: Fred Rutten

Destaque:WilfriedBony (atacante)

Objetivo do início: vaga na Liga Europa

Perspectiva: Houve um enfraquecimento nas últimas rodadas. Ainda assim, a coesão da equipe e o entusiasmo mantêm as chances do primeiro título nacional da história do clube.

Desde que Merab Jordania chegou, o crescimento do Vitesse era visível. No entanto, dentro do projeto que o georgiano trombeteou tão logo tornou-se presidente do clube, pensava-se em competir diretamente pelo título holandês somente em 2015. Mas o critério bem usado nas contratações transformou os aurinegros na grande sensação do primeiro turno.

As razões para isso são variadas. Há o bom rendimento dos jovens emprestados pelo Chelsea (principalmente de Van Aanholt, dos melhores laterais esquerdos da Eredivisie). A segurança da dupla formada por VanGinkel e Theo Janssen, no meio. E, claro, o incrível rendimento de WilfriedBony no tocante a fazer gols, o Vitesse conseguiu uma invencibilidade de nove partidas, a maior de sua história na Eredivisie.

Nada mal. Entretanto, o time começou a demonstrar certas fragilidades nas últimas rodadas do turno. De nada adianta ter vencido Ajax, PSV e Feyenoord se houve derrota para Heerenveen e VVV-Venlo, na 16 e 18ª rodadas, respectivamente. Além disso, será difícil para Bony resistir às ofertas que poderão vir já nesta janela de transferências. Caso mantenha o marfinense e recupere a regularidade, o Vitesse tem tudo para manter as chances de antecipar o vaticínio de seu dono e conquistar o primeiro título de sua história.

Utrecht

Posição: 6º lugar, com 30 pontos em 18 jogos

Técnico: Jan Wouters

Destaque:AnouarKali (meio-campista)

Objetivo do início: escapar do rebaixamento

Perspectiva: O time, enfim, livrou-se da pesada influência das perdas sofridas na última temporada. Cuidando-se, estará brigando por vaga na Liga Europa.

A má campanha do Utrecht no Holandês da última temporada deveu-se, principalmente, à incapacidade do time em superar perdas importantes, como as de Vorm e Van Wolfswinkel, sem que os remanescentes conseguissem repô-las sem problemas. Pelo visto, isso aconteceu na temporada atual. À primeira vista, nada mudou no time: o esquema de Jan Wouters é o mesmo.

E, ao mesmo tempo, tudo mudou. Porque vários jogadores, enfim, começaram a render. Se faltava goleiro aos Utregs desde a saída de Vorm, RobbinRuiter preencheu a lacuna, enfim: a despeito de falhas até grotescas, é dos melhores goleiros da Eredivisie. No meio-campo, Kali e Oar assumiram a tarefa de armar as jogadas, com êxito. E, no ataque, Jacob Mulenga e Gerndt voltaram a atuar satisfatoriamente. Bastou para um crescimento em relação à última temporada. E isso já é muito.

NEC

Posição: 7º lugar, com 24 pontos em 18 jogos

Técnico: Alex Pastoor

Destaque:Melvin Platje(atacante)

Objetivo do início: vaga na Liga Europa

Perspectiva: A reação vista no returno da temporada passada foi mantida. Isso já é motivo de comemoração. O objetivo não só não mudou, como é bem plausível.

Ao final do primeiro turno, na temporada passada, os Nijmegenaren penavam em 15º lugar, com o perigo do rebaixamento a incomodar. Só que a equipe reagiu no segundo turno (foi a quinta melhor equipe, nas últimas 17 rodadas), e conseguiu um oitavo lugar – honroso, tendo em vista as circunstâncias que ameaçaram a equipe.E o desempenho nesta primeira metade de Eredivisie dá mostras de que o NEC aprendeu bem a lição tida no último ano.

Tendo como álibi a rapidez (Leroy George e Melvin Platje são dois atacantes imparáveis, pelas pontas) e a habilidade no meio-campo (Victor Pálsson e Ryan Koolwijk mostram capacidade elogiável de tomar a bola e sair jogando, repondo a ausência forçada de Evander Sno, recuperando-se de problemas cardíacos), a equipe tem tudo para manter-se segura na temporada.

ADO DenHaag

Posição: 8º lugar, com 23 pontos em 18 jogos

Técnico: Maurice Steijn

Destaque: Tom Beugelsdijk (defensor)

Objetivo do início: escapar do rebaixamento

Perspectiva: Após uma perigosa ressaca vista em 2011/12, a equipe voltou a se recuperar. Ainda precisa de alguns cuidados, mas voltar a querer vaga na Liga Europa é algo saudável.

No início da última temporada, o time de Haia viveu um importante momento: contra o Tauras, da Lituânia, pela segunda fase preliminar da Liga Europa, atuava pela primeira vez em 23 anos numa competição continental. Mas, ao final dela, sobrara a decepção de uma péssima temporada. Sem o técnico John van denBrom, o time decaiu. Fez um returno péssimo, e terminou brigando contra o rebaixamento.

E, então, mais uma vez, um clube conseguiu mudar sem grandes alterações. Com o mesmo técnico de 2011/12, Maurice Steijn, e a mesma base no time, a equipe exibiu performances mais regulares. Não a ponto de ser considerado favorito ao título. Mas a ponto de ver velhos conhecidos voltarem à boa forma, como Jens Toornstra. E de revelar, em Wormgoor e Beugelsdijk, uma das boas duplas de zaga do Campeonato Holandês. Caso o cuidado prossiga, Haia terá motivos para comemorar.

RKC Waalwijk

Posição: 9º lugar, com 22 pontos em 18 jogos

Técnico: Erwin Koeman

Destaque: Teddy Chevalier (atacante)

Objetivo do início: vaga na Liga Europa

Perspectiva: Embora façam uma trajetória mais acidentada do que os concorrentes, os Católicos vão se recuperando. Tomando cuidados, conseguirão o que pretendem.

O RKC é um time irregular. Tanto ganhou do líder PSV (3 a 2, na primeira rodada do campeonato) como foi derrotado pelo NAC Breda, penúltimo colocado (2 a 1), e não passou de um empate sem gols com o Willem II, lanterna da Eredivisie. Essa irregularidade é notada até no retrospecto do time ao final do primeiro ciclo: cinco vitórias, sete empates e seis derrotas.

E, no entanto, a equipe ocupa posição relativamente sossegada. Por quê? Por ter um bom goleiro, JeroenZoet. Um atacante confiável, em Teddy Chevalier. E, no meio-campo, onde a perda de Evander Sno ainda é sentida, FlorianJozefzoon conseguiu se concentrar mais na armação, enquanto Robert Braber cuida da marcação. Em torno desses protagonistas, o RKC se montou bem. E deve manter essa coesão para não decair.

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