Holanda

No improviso

Convencionou-se, no futebol, que ter um time bem entrosado, cujos jogadores se conhecem, é meio caminho andado para uma performance segura, que geralmente leva às vitórias. E pode-se dizer que o PSV tem um time desses: considerando-se as mudanças ocorridas entre um torneio e outro durante a atual temporada (além, claro, de lesões), dá para cravar a defesa da equipe em Isaksson no gol, Bouma e Marcelo na zaga, Manolev e Pieters nas laterais – no caso deste, que fraturou o pé no fim de 2011, Jetro Willems o substituiu constantemente.

Só que tal lógica tem sido constantemente desafiada pelos Eindhovenaren. Ainda mais na última semana. O time entrou nela sendo líder do campeonato, e jogaria em casa. Rival difícil, verdade: o Twente. Todavia, vencer era altamente possível. Só que a realidade caiu em forma de um catastrófico 6 a 2. Então, vinha a ida contra o Valencia, pelas oitavas de final da Liga Europa: 4 a 2 no Mestalla – que chegaram a ser 4 a 0. E, finalmente, o ato final: um 3 a 1 inapelável do NAC Breda. 13 gols sofridos em apenas sete dias.

Mas tudo isso é culpa da defesa, somente? Nem tanto. Óbvio que há uma parcela. Poucos times tomam treze gols sem que seus zagueiros tenham o mínimo de responsabilidade. E ficou claro, por exemplo, que Bouma e Marcelo foram envolvidos facilmente por atacantes rápidos. Fossem eles Ola John, do Twente, que os engoliu em Eindhoven. Ou Soldado, do Valencia, que teve ótimo dia nos 4 a 2. Ou Santi Kolk, do NAC Breda. 

Agora, também é verdade que a postura ofensiva do meio-campo do PSV faz com que a defesa tenha de segurar todos os ataques adversários sozinha. Strootman, Toivonen e Wijnaldum sempre haviam conseguido manter certo equilíbrio entre a maior capacidade ofensiva que têm e a ajuda que já diminuía o sofrimento defensivo. Abandonaram isso nas últimas partidas. Para piorar, há apenas um reserva capaz de ajudar mais na defesa, Atiba Hutchinson. E o resultado foi o desastre que se viu. 

O qual, aliás, custou posições num dos jogadores menos culpados de tudo: Isaksson perdeu novamente a posição para Przemyslaw Tyton, já recuperado da lesão na cabeça sofrida contra o PSV. Está certo que o sueco até já ficaria de fora do retorno das oitavas da Liga Europa – machucou-se. No entanto, dá para se prever que ser barrado pela segunda vez é um sinal de que o camisa 1 pode viver seus últimos dias em De Herdgang.

E, obviamente, a sequência aziaga estourou do lado mais fraco. Já se sabia que Fred Rutten deixaria o PSV ao final da temporada. Ainda assim, os Boeren mantinham um desempenho satisfatório na temporada, e nada indicava que Rutten corria risco. Passou a correr já após o 6 a 2 para o Twente. Em uma semana, saiu do gramado do estádio Rat Verlegh, em Breda, completamente abalado. Na entrevista coletiva, fez questão de pedir que o assunto “demissão” não fosse abordado, já que estava sem condições de falar sobre ele. Contudo, seu comportamento já era o de um demissionário.

E a saída de Rutten foi antecipada numa entrevista coletiva concedida pela diretoria do PSV, na última segunda-feira. E, dentre as várias soluções aventadas (vinda de Van Gaal, ou Advocaat), tomou-se a melhor atitude: colocar Phillip Cocu como interino, até o final da temporada. Afinal de contas, o ex-meia é querido pela torcida. É filho da terra. Representa como poucos a última grande fase dos Eindhovenaren, tendo sido personagem importante no time semifinalista da Liga dos Campeões 2004/05. Em Eindhoven despontou, entre 1995 e 1998. E para lá voltou na  fase final de carreira, entre 2004 e 2007.

E, mais importante, Cocu queria começar a sua carreira como técnico. Para isso, já planejava deixar o cargo de auxiliar de Rutten – e também o de Bert van Marwijk, na seleção holandesa. Ganhou a chance. Terá o melhor ajudante possível: Ernest Faber, seu colega na comissão técnica liderada por Van Marwijk, já estava contratado pelo PSV. E teve a vinda do FC Eindhoven, da segunda divisão, antecipada.

Agora, a seu favor, Cocu terá um time focado em um só objetivo: a conquista da Eredivisie, já que a Liga Europa é coisa do passado, após o empate com o Valencia. Será um trabalho ligeiramente improvisado. Mas que pode dar certo. Tanto para o interino, pois pode lhe render uma efetivação, como para o PSV.

Perseguição

A coluna falou sobre o trauma que poderia voltar ao FC Zwolle, na edição passada. Na rodada mais recente da segunda divisão holandesa, os Zwollenaren fizeram 1 a 0 no Den Bosch. O perseguidor Sparta Rotterdam perdeu, pelo mesmo placar, para o Fortuna Sittard. Estão de brincadeira com a coluna, definitivamente.
 

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Equipe Trivela

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