Não é impossível

Nestes nove anos em que a seleção da Bélgica está fora de uma competição internacional importante, em poucas vezes a equipe deu tantos motivos para desânimo quanto nas Eliminatórias para a Copa de 2010. O começo fora auspicioso, com boas atuações nos empates contra Turquia e Espanha, ainda em 2008. Só que, no ano seguinte, o time despencou.
Primeiramente, foi a derrota para a Bósnia, na CrystalArena de Genk, que deixou a equipe longe de uma vaga no Mundial da África do Sul – e encurtou a permanência de René Vandereycken no comando da equipe. Auxiliar até então, Franky Vercauteren assumiu o cargo, interinamente, enquanto Dick Advocaat só chegaria em 2010. Só que o humilhante 5 a 0 sofrido para a Espanha, mais uma derrota para a Armênia, aceleraram a chegada do holandês, que terminou os trabalhos na qualificação.
O tempo passou, Advocaat teve passagem curta e turbulenta pelos Diabos Vermelhos, Georges Leekens retornou ao banco. E, hoje, as perspectivas voltaram a ser esperançosas para os belgas. Para começo de conversa, o time melhorou de astral, visivelmente. E está tendo um início animador nas Eliminatórias da Euro 2012: mesmo que a Alemanha seja inatingível, atualmente, a equipe de Leekens vem logo na segunda posição. Um ponto à frente da Turquia. E jogando melhor do que o time de Guus Hiddink.
Só que nem esses tempos de esperança fizeram com que o nome dos belgas fosse cogitado frequentemente como candidato a vaga na Copa de 2014, tão logo foram anunciados os participantes do Grupo 1. Mesmo que a chave seja das mais equilibradas da qualificação europeia rumo ao Mundial a ser disputado no Brasil.
Talvez, se haja algum favorito, é a Sérvia, já que alguns jogadores da equipe têm talento e idade para estarem em 2014, ainda que gente como Stankovic e Vidic tenha presença incerta – no caso do meio-campista da Internazionale, é bem provável que ele não esteja. Agora, a Croácia, ainda que tenha alguma frequência em Mundiais e uma base ainda com idade para a próxima Copa, não é um rival tão inatingível.
Ainda mais tendo-se em vista o material humano à disposição de Georges Leekens. Primeiramente, no gol, se Gillet é titular, na reserva vêm Mignolet e Courtois, duas boas revelações do gol belga – sem esquecer de Logan Bailly e Proto. Na zaga, há duas duplas já prontas para serem escaladas: ora Kompany e Van Buyten, ora Vermaelen e Vertonghen, sem contar os possíveis reservas, como Alderweireld.
No meio-campo, Timmy Simons, experiente, permite a abertura de caminhos para que Fellaini e Witsel sejam a dupla principal, sem esquecer de Defour e das promessas Mertens e Yassine El Ghanassy. Finalmente, no ataque, as opções também são vastas: Vleminckx, Igor de Camargo, Vossen, Ogunjimi, Hazard, Dembélé… finalizando com Lukaku, que finalmente terá a chance que tanto sonhava para deixar de ser promessa.
Não parece uma equipe tão abaixo da média do segundo escalão europeu, que é onde a Bélgica está agora. Ainda mais quando se nota que a equipe conseguiu empatar um amistoso com a Eslovênia, fora de casa, por 0 a 0. E jogando melhor.
Claro, é preciso deixar bem claro: apesar de ter seus jogadores presentes em grandes centros do futebol europeu, essa geração não tem condições de igualar os feitos da “era de ouro” vivida entre 1980, com o vice-campeonato europeu, e 1994, com a honrosa campanha na Copa do Mundo. E ressalte-se: a Bélgica, hoje, é uma equipe de segundo escalão do futebol europeu.
Mas é um time melhor do que Macedônia e País de Gales. E equivalente a Escócia e Croácia. Por isso, pode sonhar com o retorno a uma Copa do Mundo. Ele é possível.



