Holanda

Não dava

Houve promessas de uma Copa “sustentável”. Houve promessas de novos estádios, como o remodelado De Kuip, vizinho ao atual local do estádio do Feyenoord. Houve passeio de bicicleta por Amsterdã, capitaneado pelo Comitê Organizador. Houve até mesmo visita ao Brasil – está certo que o motivo era um campo feito pela Fundação Johan Cruyff, para crianças carentes, mas aproveitou-se a oportunidade para mais um lobby.

No entanto, a votação em Zurique revelou o que já era esperado: a campanha de Holanda e Bélgica para voltarem a sediar um torneio, juntas, dezoito anos após a Euro 2000, tinha poucas chances de vitória. E, ainda assim, fez um papel dos mais honrosos, conseguindo passar para o escrutínio final – e com quatro votos, dois a mais do que a incrível (ou nem tanto) derrocada da candidatura inglesa.

A partir daí, foi o final do sonho. Pode-se até dizer que foi estranho o fato da candidatura ter perdido dois votos em relação à rodada inicial – e fica a questão sobre quais teriam sido os desertores. Todavia, ficar com apenas dois votos foi o mais natural. Afinal de contas, os rivais eram a candidatura de Espanha/Portugal, países bem mais tradicionais e com um projeto mais palpável, e a vitoriosa campanha da Rússia, que apostou no apoio maciço do governo – apoio até financeiro, este.

E as reações foram, naturalmente, tristes e orgulhosas ao mesmo tempo. Se Ruud Gullit, o presidente do Comitê Organizador, se disse “muito frustrado”, Michel D'Hooghe, um dos votantes do Comitê Executivo da Fifa, preferiu falar do orgulho: “Estou realmente chateado, um pouco, mas estou feliz por termos chegado à última rodada.”

De certa forma, a candidatura era justa. Afinal de contas, a experiência de sediar uma Eurocopa há dez anos foi relativamente bem sucedida. De mais a mais, havia condições de se organizar uma Copa com bastante respeito ao meio-ambiente – algo supostamente em voga, nos dias atuais. Exemplos disso seriam, por exemplo, o forte apego às bicicletas existente na Holanda, e o bom sistema de transporte público sem a utilização de carros.

Havia, além disso, a curta distância entre as cidades: para se usar um exemplo, enquanto um dos principais desafios da Rússia para 2018 será modernizar as ligações entre as cidades de seu vasto território (como escreveu o jornalista russo Grigoriy Telingater, em seu texto para o blog da Trivela, trens de alta velocidade só vão de Moscou a São Petersburgo), a maior distância entre municípios belgas e holandeses seriam os 374 quilômetros entre a holandesa Enschede e a belga Charleroi.

Contudo, é preciso reconhecer que ainda não haviam sido dadas muitas garantias para as exigências da Fifa – tanto é que o relatório originado das visitas da delegação da entidade às sedes avaliara o risco como “médio”. De mais a mais, quase todos os estádios teriam de aumentar sua capacidade para sediar a Copa. Isso, se existissem. Afinal, a Holanda teria de construir o já mencionado Novo Kuip, em lugar próximo ao atual De Kuip, enquanto a Bélgica teria de começar do zero, em Liège, Charleroi, Bruxelas e Antuérpia.

Talvez a melhor definição para o esforço feito para que o Be e o Ne do Benelux sediassem um Mundial tenha sido dada por Michel D'Hooghe: “Usamos muito bem a nossa munição, mas ela estava sendo usada contra mísseis supersônicos.” Em suma: ganhou quem tinha mais condição. Ou mais investimento, se é que se entende.

Reação! Reação?

Quando o zagueiro alemão Torben Joneleit abriu o placar para o Racing Genk, esperava-se que a equipe crescesse para a vitória sobre o Gent, terceiro colocado, na partida que abriu a 17ª rodada do Campeonato Belga. Um gol contra do brasileiro João Carlos pôs tudo a perder. E Shlomi Arbeitman deu a vitória surpreendente, mas merecida, aos Búfalos, de virada.

Era a chance que o Anderlecht queria, para conseguir, enfim, recuperar a liderança da Jupiler League. Até levou um susto do lanterna Charleroi, que abriu o placar com Onur Kaya. Mas, no segundo tempo, os Mauves conseguiram virar o jogo, até a goleada por 4 a 1. E reconquistaram a ponta da liga, com 37 pontos, um à frente do Genk.

Porém, ainda não foi completa a reação sonhada do time de Ariël Jacobs. Tudo porque o time foi facilmente superado pelo Zenit, na Liga Europa. O 3 a 1 ficou barato, e a classificação para os 16-avos de final, embora possível, é difícil: a equipe receberá o Hajduk Split, precisará vencer, e torcer para que o time russo vença o AEK.

Será difícil. Mas, só aí, o Anderlecht poderá dizer que se recuperou.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo