Holanda

Na pressão

21ª rodada do Campeonato Holandês. O Twente joga fora de casa, contra o Zwolle. Bastaria uma vitória para superar o Ajax (que empatara com o Roda JC, por um gol), e ficar a apenas três pontos do PSV, que também tropeçara, ficando no 2 a 2 com o Vitesse. Parecia simples: era apenas um jogo contra o 16º colocado do torneio. E estava simples, com o gol de Dusan Tadic, logo aos 11 minutos da etapa inicial. Só que os Tukkers preferiram recuar. Passaram o resto da partida cozinhando o jogo, ficando na defesa, tentando garantir os três pontos.

Por vias tortas – precisamente, um pênalti altamente discutível de Leroy Fer em Denni Avdic, apitado por Tom van Sichem, a nove minutos do fim de jogo -, o Twente foi punido. Estava dado o início de uma crise que vitima a equipe de Enschede, justamente num momento crucial da temporada. Em quatro jogos pela Eredivisie, no ano de 2013, o time vermelho ainda não venceu. Claro, isso já se vê na tabela: embora siga na terceira posição, isso se dá apenas pelo maior saldo de gols em relação ao Feyenoord, que também tem 44 pontos. E a distância para o líder PSV já está em seis pontos.

Poderia ter melhorado na 22ª rodada, na semana passada, contra o Willem II – lanterna do Holandês, bom lembrar. O time até jogou com rapidez, fez o gol ainda no primeiro tempo, e tinha 45 minutos para tentar pressionar ainda mais os Tricolores, até por jogar no Grolsch Veste. Não adiantou: o mesmo erro da partida no Ijsseldelta, contra o Zwolle, foi cometido. O time se recolheu, preferiu administrar o resultado, jogar apenas para garantir os três pontos, deixou o Willem II chegar e… só para ser mais cruel, aos 45 minutos do segundo tempo, em chute de longe, Ricardo Ippel empatou a partida.

O empate por 1 a 1 deixou mais consequências, além da indisfarçável sensação de derrota. E elas foram entre a torcida. Isso já havia se iniciado depois do empate contra o Zwolle: alguns torcedores fizeram questão de fazer uma reuniãozinha com Steve McClaren e Edson Braafheid, para pedirem por melhores resultados. Não houve nenhuma ameaça física, que aí já seria demais. Mas isso já dá uma prova de como a tensão cresceu no Twente.

Felizmente, a torcida decidiu protestar de maneira pacífica: nos 15 primeiros minutos do jogo contra o Willem II, a torcida que frequenta a Vak P (setor dos adeptos mais fanáticos) esvaziou propositadamente as cadeiras, para ficar um setor abaixo, vaiando a equipe. Somente então voltaram à Vak P para assistirem ao jogo e torcerem normalmente. Mas, com o empate no final da partida, não houve jeito: novos protestos, com o aceno de lenços brancos e o coro “werken voor je kankergeld” – em holandês, algo como “trabalhamos para pagar o seu salário de m****”.

Só restou a Wout Brama, o capitão da equipe, explicar o que muitos já sabiam: “Não queríamos nada além de um bom resultado. Mas, no final do jogo, o medo se espalhou de novo entre a equipe. Foi a mesma história. Nós voltamos demais para a defesa, e aconteceu outra vez: um gol do adversário. Horrível”. E Brama também reconheceu: “Nós estamos do lado do treinador. Mas você sabe: em caso de mau resultado, geralmente o treinador é o bode expiatório”.

E Steve McClaren também desmentiu que irá se demitir: “Não sou de largar o navio. Acredito no time”. Em todo caso, também reconheceu que sua posição está sob alto perigo: “Se eu confio em mim? Pergunte a eles. Por mim, deveríamos ficar juntos”. No caso, “eles” refere-se à diretoria, que certamente analisará a situação do inglês, em caso de derrota para o Heerenveen, no próximo sábado.

O mais curioso é ver que a equipe do Twente não está tão ruim. Talvez, o único problema seja visto na defesa: Rosales e Braafheid andam fraquejando na marcação pelas laterais. Além disso, o meio-campo tem oferecido pouca ajuda no início da contenção, o que faz com que tudo estoure na linha de quatro marcadores – e, em última análise, em cima de Mihaylov, que anda fazendo ótimas atuações no gol. Com a queda na atuação defensiva, não impressiona que a única derrota em 2013 (4 a 2 para o Utrecht, em casa) tenha sido a primeira vez que o Twente tomou quatro bolas na rede, desde 6 de maio de 2012 – vitória do VVV-Venlo por 4 a 2, na última rodada da Eredivisie passada.

Mas Tadic, Castaignos, Fer, Willem Janssen, todos eles exibem atuações razoáveis. Nem boas, nem ruins. Na média do que têm feito nos últimos tempos. Talvez a ausência do lesionado Chadli esteja perturbando um pouco, mas não muito. Agora, é inegável: o Twente está na pressão, correndo sério risco de ver PSV e Ajax se distanciarem na disputa do título holandês. Passou da hora de ser mais ousado dentro de campo. As últimas rodadas provaram isso.

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