Holanda

Mudanças pontuais

Nem teria como ser diferente. Afinal de contas, é notório que nem Bélgica nem Holanda têm condições financeiras de cobrir uma oferta generosa que seja feita pelo quarteto dos grandes centros futebolísticos europeus. Daí, a falta de um negócio que tenha feito tremer os mercados de ambos os países. Com tal cenário, também não é de se espantar que a política vigente na janela de inverno seja a de compras baratas, apenas para fortalecer o elenco, envolvendo jogadores que já atuam no próprio país, ou que venham de mercados menores, ou mesmo apostas jovens. E a volta da Eredivisie (Heerenveen e Feyenoord abrem o returno) e Jupiler League (Anderlecht x Cercle Brugge), se não traz times com as mesmas caras, tampouco mostra mudanças profundas.

A bem da verdade, a Holanda já tivera sua transferência mais comentada ainda em dezembro – claro, Huntelaar. E pode-se dizer, hoje, que só os vinte milhões de euros obtidos com a ida do atacante para o Real possibilitaram que o Ajax tivesse êxito na única sondagem mais ousada vinda da Eredivisie: a contratação de Robbie Wielaert junto ao Twente. Wielaert – que chega para ser titular – já era objeto de desejo antigo em Strandsvliet. Tanto que o Ajax já o tentara contratar na janela de verão, em julho. Mas, ainda em meio à reestruturação, os Godenzonen não fizeram frente ao Twente, que manteve o beque e capitão do time em Grolsch Veste.

A atitude dos Enschedese provou-se eficaz, uma vez que o zagueiro provou manter o bom nível de jogo, atuou em todas as dezessete partidas na Eredivisie e foi útil na nova ascensão da equipe, que chegou ao fim do turno na terceira posição. Além disso, Wielaert ganhou oportunidades na primeira partida da seleção B da Holanda, o que pode sinalizar que Bert van Marwijk esteja, no mínimo, interessado em uma experiência. Com tal importância adquirida, não foi surpreendente o anúncio da renovação de contrato com o Twente, até 2012, feita em dezembro.

Mas, na renovação, a multa rescisória estipulada não era inacessível a propostas que surgissem. Aí surgiu o Ajax, montado nos euros obtidos com Huntelaar. Interessado em um zagueiro central mais confiável, desde que Oleguer caiu de produção, Marco van Basten deu o sinal verde para uma oferta concreta por Wielaert. E mesmo que os três milhões e quinhentos mil euros oferecidos não tenham seduzido, à primeira vista, o presidente do Twente, Joop Munsterman, o jogador de 30 anos ficou decidido a ir para a Amsterdam Arena, junto de seu agente, Kees Ploegsma. Atitudes como a perda da capitania de sua equipe (Blaise Kufo ganhou a braçadeira) e o fato do zagueiro ameaçar entrar na Justiça contra os Tukkers já faziam crer que o acordo era iminente. E no dia 12 de janeiro, ele foi fechado em definitivo.

Sem Wielaert e sem outra presença constante na zaga do Twente durante o primeiro turno (o brasileiro Douglas, contundido), restou a Steve McClaren correr atrás de possíveis substitutos. O primeiro nome foi João Carlos, zagueiro brasileiro, atualmente no Genk. O negócio até era plausivel, uma vez que o time belga anda interessado na aquisição de Stein Huysegems, sem espaço justamente no Twente. Mas a troca não saiu. Assim, o interesse virou-se para Peter Wisgerhof, de bom desempenho no NEC. E, justamente na quarta (14) em que esta coluna foi redigida, o negócio foi fechado, por três anos e meio.

Os Nijmegenaren, aliás, correram sério risco de perder o treinador, o principal artífice da boa temporada. Mario Been nunca fez segredo: seu sonho é treinar o Feyenoord, clube para o qual torce e por onde jogou. Por toda a temporada, ele conviveu com os boatos de que logo chegaria ao De Kuip, com o péssimo ano do clube da Het Legioen. Tudo isso amainou com a renovação de Been com o NEC.

Pelo menos até o Feyenoord soltar a bomba, também na quarta: Gertjan Verbeek estava demitido. Mesmo sendo considerado um dos menos culpados da crise pela torcida, as reservas da direção do clube em relação ao seu trabalho e a má relação dos jogadores com ele (o grupo alega que os trabalhos físicos eram pesados demais – daí o alto número de contusões – e que Verbeek não abria espaço para diálogo) minaram suas chances, bem como as do assistente Wim Jansen e do diretor técnico Peter Bosz, que também deixaram o clube. Depois, a própria diretoria do Feyenoord anunciou que tentaria adquirir Been. Sem sucesso, resta o interesse em nomes como Willem van Hanegem, Leo Beenhakker ou Ronald Koeman. Por enquanto, o auxiliar de Verbeek, Leon Vlemmings, comanda o time interinamente.

Fora isso, apenas alterações de rotina. O PSV conseguiu contratar Ola Toivonen, pagando ao Malmö quatro milhões pelo atacante sueco, mas precisa reforçar a defesa, já que Salcido ainda pode ser dispensado e Culina, saudoso da família, acertou o retorno à Austrália. Aliás, da A-League saíram dois australianos para teste: o atacante Nikita Rukavytsya, nascido na Ucrânia, cedido pelo Perth Glory para testes no Twente, e o meia James Holland (que, aprovado, já fechou com o AZ). Falando no líder da Eredivisie, este corre o risco de perder Niklas Moisander para o resto da temporada, vitimado por problemas no joelho. Caso o outro zagueiro titular, o mexicano Moreno, também machucado, não volte tão cedo, será a hora de procurar um jogador para a posição.

O Utrecht demorou para consumar o interesse em Ben Sahar e o De Graafschap conseguiu ser mais rápido para ter, por empréstimo junto ao Chelsea, o avante israelense. O ADO Den Haag liberou Boy Waterman, sem oportunidades no clube, e ganhou, do Feyenoord, Timothy Derijck e Danny Buijs. No Ajax, foram dispensados Laurent Delorge, Dennis Rommedahl (NEC) e Hans Vonk voltou para o Heerenveen onde atuou de 1996 a 2004 (para gáudio de Gentenaar, que volta a integrar o elenco). O Vitesse, fora o técnico Theo Bos (mais nas Curtas), adquiriu em definitivo Rogier Molhoek e Julian Jenner, emprestados do AZ.

E na Bélgica?

Na Jupiler League, o marasmo foi semelhante. A não ser por uma aposta: embora Moussa Maazou alegasse que não pensava muito em transferências, mesmo ostentando o posto de artilheiro da temporada, com 11 gols, não deu para o Lokeren resistir quando Evgeni Giner, presidente do CSKA Moscou, e Roman Babayev, diretor geral do clube, chegaram oferecendo aproximadamente cinco milhões de euros pelo passe do atacante nigerense, por cinco anos de contrato, mais dois jogadores do CSKA. Negócio fechado no ato. Se serve de consolo, o Lokeren fica com Maazou até o fim da Jupiler e, desde já, tem para o resto do torneio o polonês Janczyk, que não impressionou em Moscou e fica na Bélgica até junho.

O Club Brugge livrou-se de perder Stijnen para o Rubin Kazan. Mas o goleiro cobrou da diretoria reforços para o time, que terminou 2008 com um assustador mês de dezembro. Dentro da linha anunciada de dar mais espaço a jovens, chegaram da Bundesliga o repatriado Vadis Odjidja-Ofoe (vindo do Hamburgo, por 900 mil euros, até 2013) e, do Borussia Dortmund, o alemão Marc-Andre Kruska (por 500 mil euros, até 2011). Perdendo espaço no meio-campo, Ivan Leko foi-se para o Germinal Beerschot. Porém, 2009 não começou muito melhor do que 2008 terminou: numa atuação apática, os Blauw-en-Zwart conseguiram ser eliminados da Copa da Bélgica pelo Roulers, lanterna da Jupiler League. Após reunião entre diretoria, treinador e elenco, ficou definido pelo diretor Luc Devroe e pelo presidente Michel D'Hooghe: caso a partida contra o Malines, primeira do returno, não traga um bom resultado, chegará ao fim a passagem de Jacky Mathijssen pelo Jan Breydel.

Caso possa-se dizer que alguém saiu ganhando, este foi o Standard. Até agora, a única perda foi a de Dante. O interesse por Jovanovic continua, principalmente de clubes ingleses, como Aston Villa e Everton, mas já parece menor e não será espantoso caso o sérvio prossiga em Sclessin até o fim do campeonato. As apostas para o futuro chegaram com as contratações do goleiro Bolat e do atacante Benteke, junto ao Genk. Bolat deixou Espinoza ligeiramente preocupado: o goleiro equatoriano, titular dos Rouches, disse que, embora não vá sair do Maurice Dufrasne, quer uma renegociação do valor de seus salários. Depois, a contratação de mais dois jovens, o atacante congolês Tresor Mputu (TP Mazembe) e o zagueiro turco Mehmet Sarper Kiskaç (Ankaragücü). Para completar, Igor de Camargo renovou contrato até 2013. Restava ainda o interesse por Tom de Mul, sem espaço no Sevilla, mas o meia fechou com o Genk, que começou a negociar primeiro.

Enfim, o time de Laszlo Bölöni terá poucas alterações e poderá brigar sem traumas com o Anderlecht pelo título. Pelo menos, até junho, quando, aí sim, a diáspora será quase inevitável.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo