Holanda

Mesmo sem vaga na LC, PSV vive bom clima no centenário

Zoet; Brenet, Rekik, Bruma e Willems; Maher, Wijnaldum e Schaars; Jozefzoon, Locadia e Depay. Eis a escalação com que o PSV entrou em campo na rodada passada do Campeonato Holandês, há quase uma semana, contra o Heracles Almelo. E ela representou de forma clara a mudança que o time de Eindhoven exibe nestes primeiros jogos da temporada 2013/14. Foi simplesmente a primeira vez em 32 anos em que o PSV escalou uma equipe somente com jogadores holandeses (em 12 de março de 1981, o time fez 2 a 0 no MVV Maastricht levando a campo Pim Doesburg – lembra dele? -, Willy van de Kerkhof, Poortvliet, Stevens e Wildschut; Landsbergen, Erwin Koeman e Janssen; Valke, Van der Kuijlen e René van de Kerkhof).

Mas paremos com os preciosismos estatísticos e falemos do que importa: o fato de que o PSV comemorará seu centenário, neste dia 31 de agosto, enfrentando o Cambuur Leeuwarden com um espírito renovado, e um clima otimista. Em que pese a chateação de ter ficado apenas com a Liga Europa como prêmio de consolação, apesar de boas atuações contra o Milan, nos play-offs da Liga dos Campeões, os Boeren deixam a torcida contente. Se houve o tropeço contra o Heracles, no empate em 1 a 1, o time é o melhor do Trio de Ferro, atualmente, na Eredivisie: são dez pontos em quatro rodadas, apenas dois atrás do líder Zwolle, único com 100 por cento de aproveitamento.

Claro, a boa campanha se deve a várias boas atuações. Wijnaldum, por exemplo, assume um papel de movimentação muito importante no meio-campo, vivendo sua melhor fase desde a chegada a Eindhoven (já marcou três gols). No ataque, Memphis Depay ainda não marcou tantos gols, mas demonstra mais esforço do que Tim Matavz, ficando em vantagem para ocupar a vaga no time titular, em detrimento do esloveno. Além de Depay, ainda há Florian Jozefzoon, demonstrando muita velocidade pela direita.

Mas se há um símbolo dos tempos esperançosos que o PSV vive, esse é Zakaria Bakkali. O belga de ascendência marroquina, de 17 anos, causou furor logo em sua segunda partida oficial pelos Eindhovenaren. Ao marcar três gols no 5 a 0 contra o NEC, bateu um recorde: com 17 anos e 196 dias, Bakkali tornou-se o mais jovem jogador a deixar a bola nas redes adversárias por três vezes, superando Collins John, em 2 de outubro de 2003, pelo Twente, contra o Groningen, contando 18 anos e dois dias.

Se já vivia a necessidade de ter de escolher entre Bélgica e Marrocos para fazer a sua carreira profissional em seleções, o atacante passou a ser ainda mais cobiçado. E já tentado a optar pelos Diabos Vermelhos, Bakkali foi convocado por Marc Wilmots para o amistoso contra a França, há pouco mais de duas semanas. Poderia ter sido a grande chance de despontar, mas não foi: lesionado na virilha, o camisa 19 do PSV foi cortado.

Pior: desde então, ficou em recuperação, não sendo relacionado nem para os jogos do Holandês, nem para as partidas da Liga dos Campeões. De todo modo, a Bélgica ainda aguarda por Bakkali: Marc Wilmots o chamou para o jogo contra a Escócia, pelas eliminatórias da Copa do Mundo. Sem ter partidas oficiais, o atacante pode mudar de ideia, mas parece pouco provável.

Só que, se a Bélgica pode contar com Bakkali para jogos importantes, o PSV não teve a mesma sorte. Sem ele, ainda houve o 3 a 0 contra o Go Ahead Eagles, mas houve as dificuldades contra o Heracles Almelo: sofrendo um gol logo no começo, o empate só foi alcançado no fim, graças a uma rara presença de experiência, com Park Ji-Sung.

Mas não houve salvação na Liga dos Campeões. O que soou até cruel, já que o PSV não foi mal nas duas partidas contra o Milan. No 1 a 1 de Eindhoven, o time trazia muito mais perigo à meta de Abbiati, até sofrer o gol. Continuou insistindo, até obter o empate que lhe dava esperança para o jogo de volta. No Giuseppe Meazza, a história se repetiu, de certa forma: começaram melhor, mas tomaram o gol de Boateng. Tiveram ótima chance no início do segundo tempo, com Wijnaldum, e não marcaram. Logo depois, Balotelli fez 2 a 0.

De certa forma, o Milan apontou o caminho para este PSV: de nada adianta ter um time com jovens talentosos se não há gente capaz de definir uma partida em um lance. Resta aos torcedores esperar que os Boeren continuem progredindo, no Holandês e na Liga Europa, para chegarem ao fim da temporada com um time mais amadurecido. Mas principalmente, que continuem revelando jogadores como andam fazendo no início desta temporada. Assim, o clube tornará um pouco mais brilhante sua história centenária.

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