Holanda

Marcas do que se foi

No início do mês, a federação holandesa fez um anúncio surpreendente: Bert van Marwijk renovara contrato com a entidade, e deverá continuar à frente da seleção até 2016. Caso cumpra o compromisso por todo o prazo, o treinador de Deventer se tornará simplesmente o comandante que mais vezes esteve à frente da equipe laranja – honra que pertence ao falecido inglês Bob Glendenning, com 87 partidas entre 1923 e 1940.

Para quem já pensava em largar o cargo que ocupa após a Euro 2012, é o grande reconhecimento de como o trabalho de Van Marwijk devolveu à seleção batava status, posição, reconhecimento de um dos grandes times do mundo, atualmente. Claro, tudo isso dinamizado após o 2 de julho de 2010 – data da vitória contra o Brasil, na Copa do Mundo (não que o time brasileiro fosse poderoso, mas era o rival mais tradicional possível). E, em 2011, a Holanda conseguiu deixar esse status inalterado.

Certo, a classificação para a Eurocopa já estava muito bem encaminhada. E seria confirmada com atuações seguras, na maioria das vezes. Uma delas, histórica, como no 11 a 0 contra San Marino – sim, a seleção mais fraca da Europa, mas foi a maior goleada que a Holanda já conseguiu desde seu primeiro jogo, ora bolas. Algumas vezes, houve dificuldades, como nos 5 a 3 sobre a Hungria. Mas a vaga para o torneio continental foi conseguida sem problemas.

Mais do que isso: Van Marwijk ganhou alguns jogadores muito úteis na formação do elenco que jogará as três partidas da primeira fase em Kharkiv, na Ucrânia. Houve Wijnaldum, Luuk de Jong, Theo Janssen… mas o principal deles, claro, Strootman. Sempre é bom lembrar que, há um ano e meio, ele era jogador do rebaixado Sparta Rotterdam. Hoje, é titular absoluto do PSV e da Oranje. E tudo graças ao seu grande mérito: conseguir manter o meio-campo seguro sem usar de violência (o que fez crescer o rendimento do parceiro Van Bommel) e oferecer melhor toque de bola.

Outro jogador que conseguiu entrar de vez no campo de visão de Van Marwijk foi Tim Krul. Com Stekelenburg e Vorm machucados e três goleiros estreantes para amistosos contra Brasil e Uruguai, o arqueiro do Newcastle conseguiu superar Ten Rouwelaar e Cillessen, os outros convocados. Saiu-se muito bem, especialmente no amistoso em Goiânia. E, ao ganhar a titularidade nos Magpies, mostrou-se amplo merecedor dela, sendo dos melhores goleiros na primeira metade do Campeonato Inglês.

Só que 2011 terminou com o sinal amarelo aceso para os laranjas. Tudo devido a dois amistosos com atuações abaixo da média: o empate sem gols com a Suíça e, principalmente, a derrota impiedosa para a Alemanha (houve ainda a derrota para a Suécia, na última partida da qualificação para a Eurocopa, mas esta não quis dizer muita coisa).

Contra os helvéticos, o problema foi mais a apatia apresentada – a escalação foi bastante mudada. Já contra os germânicos, eternos rivais, o time era praticamente o titular (excetuando-se Babel, no lugar de Robben, e Braafheid, na vaga de Pieters). E não ofereceu a menor resistência ao Nationalelf. Algo que já era preocupante. E que terá de ser pensado, após se saber que o time de Joachim Löw é um dos adversários na primeira fase da Euro, junto de Dinamarca e Portugal.

Aí, chega-se ao ponto da conversa. Ao contrário de Alemanha e Espanha, cujas seleções impõem superioridade natural, a Holanda precisa de esforço constante para mostrar que é uma das grandes seleções mundiais, atualmente. Nem tanto quando enfrenta equipes menores, mas, sim, quando pega adversários de calibre igual. Basta ver o esforço apresentado na Copa, contra Brasil, Uruguai e Espanha.

Compreensível. Afinal, o único fora de série da geração atual a ter sequência constante de jogos é Sneijder. Robben tem talento inquestionável, mas não é confiável fisicamente. Van Persie e Huntelaar fazem temporadas esplendorosas em seus clubes, mas ainda não mostraram tanto da capacidade na Oranje – bem, o atacante do Schalke 04 até anda mais confiável do que Van Persie com a camisa laranja.

Enfim, todas essas peças capazes de fazer a diferença deverão estar em forma na Euro. E o nível de esforço alcançado na última Copa terá de ser exibido novamente em campos poloneses e ucranianos. Só assim a Holanda terá aprendido com as marcas do que se foi em 2011. E terá chance de realizar os sonhos que ela vai ter. 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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