Holanda

Lucas Pratto no Feyenoord é inusitado, mas um movimento interessante

O atacante Lucas Pratto mudou de ares em 2021. Aos 32 anos, o atacante, que passou pelo Atlético Mineiro e pelo São Paulo, ingressou por empréstimo no Feyenoord até o fim da temporada europeia, em junho. Uma transferência incomum para um jogador da sua idade, mas uma boa oportunidade do “Urso”, como é chamado, mostrar que tem capacidade de jogar também no futebol europeu, ainda que em um liga que esteja fora das principais do continente. Ele tem contrato com o River Plate até junho de 2022. Pratto foi anunciado pelo Feyenoord com o trocadilho “Happy New Bear” (“Feliz Urso Novo”).

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Curiosamente formado pelo Boca Juniors em 2007, Pratto nunca jogou pelo time principais dos xeneizes. Foi para o Tigre e já tem passagem pelo futebol europeu. Primero, como garoto ainda em 2008, foi para o FK Lyn, da Noruega, onde passou uma temporada. Depois da sua passagem de muito sucesso pela Universidad Catolica, do Chile, foi vendido ao Genoa em 2011. Ficou menos de uma temporada na Itália e voltou à Argentina para defender o Vélez, em fevereiro de 2012. Acabaria comprado pelo time argentino.

De lá, foi para o Atlético Mineiro em 2015, depois para o São Paulo em 2018 e voltou à Argentina para defender o River Plate em 2018. Foi campeão da Libertadores nesse mesmo ano, além da Copa Argentina e da Recopa Sul-Americana em 2019. Tornou-se reserva do clube e foi liberado para essa surpreendente transferência para a Holanda, onde tentará o sucesso em uma das camisas mais pesadas do país.

Transferência foi pedido do jogador do River Plate

A transferência foi um pedido de Pratto, que queria mais tempo em campo. “Veremos se iremos nos arrepender. Lucas pediu para aproveitar esta oportunidade. Para ele, é uma grande oportunidade de jogar por um clube importante na Holanda”, afirmou Enzo Francescoli, diretor do River Plate. “Nós ouvimos ao seu pedido. Uma vez que o jogador tomou a decisão, é difícil mudar. Ele queria isso, o Feyenoord é um clube importante”.

Nem a perspectiva de ganhar uma outra Libertadores pelo River Plate seduziu Pratto a permanecer no clube, ainda que como reserva. “Se trata do que o jogador quer. Ninguém quer que uma coisa dessa acontece nesses momentos importantes, mas elas acontecem. Eu posso entendê-lo. Você também tem que pensar sobre a sua família e sua carreira”, disse ainda Francescoli.

Ambição alta: “Quero ajudar o time a ser campeão”

“Com a minha experiência e mentalidade vencedora, eu posso adicionar algo ao time”, afirmou Pratto à Feyenoord TV. “Eu quero ajudar o time a ser campeão, assim como nos outros clubes que joguei. Nós também queremos ganhar a Copa [da Holanda]”, afirmou Lucas. O Feyenoord atualmente está em terceiro lugar, cinco pontos atrás do líder, Ajax.

“Nós estamos muito perto. Eu acho que a primeira rodada depois da parada de inverno será decisiva”, disse ainda o atacante. No dia 17 de janeiro, o Feyenoord enfrentará justamente o rival de Amsterdã, em um duelo que pode ser fundamental para a briga pelo título. Pratto diz que está pronto. “Eu me sinto bem e recentemente mantive o meu nível físico”.

O Urso espera levar suas qualidades para o time, onde pode ser uma referência com o seu bom jogo, sua inteligência em campo e também a finalização. “Eles me chamam assim [Urso] desde o começo da minha carreira. Por causa da minha altura, é claro (ele tem 1,88 metro), mas também porque eu sou combativo e levo muita personalidade e vontade para campo”, comentou o jogador.

“Eles não queriam me negar a chance de jogar em um clube tão grande, porque pode ser a chance da minha vida. Eu sou grato a eles por isso, assim como ao Feyenoord, porque eles me permitiram ter esta oportunidade”, continuou o argentino.

No Feyenoord, Pratto terá um compatriota que o ajudará a se integrar, Marcos Senesi. “Eu vi imagens do estádio com público e eu senti a atmosfera aqui. Marcos também confirmou isso e eu mal posso esperar para sentir isso, quando os torcedores puderem voltar”, disse o novo contratado.

Tentará repetir os passos de Julio Cruz

Um argentino que atuava na sua posição e fez muito sucesso foi Julio Cruz, que defendeu as cores da equipe de 1997 a 2000 e conquistou um título holandês no período, além da idolatria da torcida. É o segundo argentino com mais partidas na Eredivisie, com 86, atrás apenas de Sergio Romero, que fez 90 pelo AZ. Nicolás Tagliafico, do Ajax, chegou a 79 e pode ultrapassar a marca se permanecer mais tempo no clube de Amsterdã. “Eu sei que ele jogou aqui e foi importante. Espero que eu possa corresponder a essas expectativas”.

“Com a chegada de um atacante experiente como Lucas, nós estamos adicionando uma opção extra de ataque para o time que pode jogar imediatamente. Algo que é muito bem-vindo tendo em vista o importante recomeço da temporada e as ambições que temos para esta temporada. É bom para o Feyenoord termos conseguido reforçar o nosso time para o resto da temporada desta forma”, afirmou o diretor técnico do Feyenoord, Frank Arnesen.

Pratto tem um estilo de jogo que pode de fato se encaixar no futebol holandês. Fisicamente forte, sabe trabalhar a bola e pode ajudar o time. É um jogador que se esforça sempre ao máximo, o que sempre ajuda os companheiros. Não vinha em grande fase no River Plate, onde fez poucos gols. Aliás, fazer gols e ser artilheiro nunca foi a dele e isso não dá para esperar. Mas dá pra imaginar que Pratto deve trabalhar pelo time e pode criar oportunidades para os outros jogadores, algo que ele fez bem.

Será importante também ter um jogador como referência. Os artilheiros do Feyenoord nesta temporada são Steven Berghuis (11 gols), ponta direita, e Bryan Linssen (4 gols), ponta esquerda. Nicolai Jörgensen, centroavante e camisa 9 do time, tem um gol em 12 jogos. Nos últimos jogos do Feyenoord em 2020, o time jogou duas vezes no 4-3-3 e uma no 5-3-2. Variou entre os atacantes titulares. Linssen atuou por ali no último jogo, com Luciano Narsingh fazendo uma das pontas. Antes, Jörgensen vinha jogando como o atacante centralizado.

Pratto pode fazer esse papel e tentar potencializar os bons pontas que o time holandês têm. Deve ser uma experiência interessante tanto para o Feyenoord quanto para ele. Não dá para saber se vai dar certo, mas é algo diferente do que vemos habitualmente. Pode ajudar o time, que busca o título que não vem desde 2016/17, ainda com o ídolo Dirk Kuyt.

Nos acostumamos a ver os clubes europeus, especialmente os de ponta, buscarem apenas jogadores jovens no futebol sul-americano. Em clubes holandeses, por vezes vemos jogadores jovens que tentam entrar no mercado europeu por uma liga como a Eredivisie. A contratação de Pratto tem esse aspecto diferente, que pode ser interessante de ver. Um jogador mais experiente, com um bom currículo no continente, tentando o sucesso na Europa depois dos 30 anos.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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