Lá vem o PSV subindo a ladeira

Antes do jogo contra o Ajax, primeiro clássico desta temporada na Eredivisie, pela terceira rodada, a questão geral era como o PSV conseguiria parar Luis Suarez, principal peça do ataque da equipe de Amsterdã. Bem, conseguir, não conseguiu (Suarez marcou duas vezes). Mas os Eindhovenaren reverteram as expectativas, fazendo 4 a 3 e impondo a primeira derrota aos rivais.
Na última rodada, a sétima, mais uma vez a equipe de Fred Rutten teria sua capacidade posta à prova. Afinal de contas, enfrentaria o Feyenoord – que, além de rival, dividia a primeira posição do Campeonato Holandês. Como se não bastasse, o jogo seria em pleno De Kuip. Pois, mais uma vez, o time foi paciente para superar as expectativas (incluindo as do colunista), fazer 3 a 1 e isolar-se na liderança do torneio.
Olhando a classificação, porém, a impressão é a de que não há motivo para surpresa. Afinal de contas, o PSV permanece um dos dois únicos invictos, com cinco vitórias e dois empates. Vendo as atuações mostradas nos primeiros jogos da temporada, havia várias razões para preocupação. Principalmente na defesa.
Já na estreia, o setor mostrou falhas: um 2 a 0 seguro contra o VVV-Venlo transformou-se num empate por 3 a 3, permitindo que Keisuke Honda fizesse a festa. Depois, jogando fora de casa, contra o Twente, a equipe exibiu um exemplo perfeito de como não se defender numa jogada de bola parada. Atrapalhado, o setor permitiu que Douglas abrisse o placar para os Tukkers.
Se não ficou perfeito, porém, o entrosamento entre os jogadores se aperfeiçoou. Muito criticado no início da Eredivisie, Andreas Isaksson conseguiu melhorar um pouco, deixando de lado as atuações atabalhoadas. No miolo de zaga, Marcellis e Ooijer já não batem mais cabeça. E, pela lateral-direita, o búlgaro Manolev, que iniciara sua passagem por Eindhoven mostrando um estilo duro demais, quase sempre apelando para faltas, ainda que sem deslealdade, agora já parece mais acostumado ao futebol holandês.
No meio de campo, apenas uma mudança merece destaque. Antes tido como um dos “intocáveis” da equipe, Timmy Simons perdeu espaço no 4-3-3 com que Fred Rutten forma a escalação. Pouco mais lento na marcação, o belga é usualmente colocado na reserva, abrindo espaço para Orlando Engelaar – que começa, lentamente, a achar algo da forma que mostrou no Twente, conseguindo até ser incluído nas convocações de Bert van Marwijk para a seleção. Além de manter certa ênfase no desarme, o volante de 1,96m consegue dar mais qualidade na saída de bola.
Não muda muita coisa – afinal, como Simons, Engelaar é lento, o que dificulta a marcação no setor. Além do mais, Afellay e Bakkal já tinham como característica a velocidade na armação de jogadas. Entretanto, com as contusões e a irregularidade em suas atuações, Afellay às vezes cede espaço para a improvisação de Ola Toivonen no setor. Se o meio perde em aceleração, então, ganha em presença física.
É no ataque que reside a grande mudança dos Boeren. Já que Toivonen não mostra, nesta primeira metade da temporada, a qualidade promissora nas finalizações que exibiu em sua chegada, Fred Rutten decidiu conceder novas chances a um atacante que esquentava o banco de reservas há algum tempo. E Danny Koevermans as aproveita com vontade, como no jogo contra o NAC Breda, quando entrou em campo no intervalo e, com dois gols, virou uma partida que parecia dramática. Desde então, vieram mais quatro gols: dois contra Groningen (2 a 0, fora de casa) e dois contra o Feyenoord. Caso mantenha a recuperação, Koevermans pode sonhar até com um retorno à Oranje.
Pelos lados, Dzsudzsák mantém um ótimo nível, mesmo sem o brilhantismo do início de temporada, e Lazovic também provê rapidez pela direita. E, caso uma das três peças falhem, há a opção, cada vez mais utilizada, do brasileiro Jonathan Reis. O avante criado no Atlético Mineiro ainda enfrenta certa resistência, por ter um comportamento tão problemático quanto hábil é seu futebol, mas começa a quebrar os preconceitos com algumas atuações salvadoras – principalmente na estreia pela Liga Europa, quando salvou o time da derrota para o Sparta Praga.
Mesmo assim, a mudança mais importante (mesmo que não seja grande) veio no comandante da equipe. Após comportar-se de modo confuso no início de seu trabalho, como se atirasse para todos os lados em busca da melhor formação para sua equipe, Fred Rutten, enfim, parece ter encontrado um estilo em que possa basear seus comandados. Claro, teve a sorte de conseguir manter a invencibilidade do PSV. E, agora que o time parece entrar numa espiral mais regular, pode mostrar a todos, nesse momento, a força que tem a equipe de Eindhoven. Que vai subindo a ladeira.



