Holanda

Jupiler League: Los Tres Rivales

Na semana passada, esta coluna, ao terminar de falar sobre a Jupiler League, dizia que a quinta rodada do Campeonato Belga poderia isolar Excelsior Mouscron, Anderlecht e Standard Liège na ponta da tabela, ou então dar a Club Brugge e Gent oportunidades valiosas de aproximação. Pois bem: a primeira hipótese saiu comprovada. Por erros e chances aproveitadas, o que se vê agora é um empate triplo em primeiro lugar entre os clubes citados, todos eles com treze pontos ganhos. Somente no saldo de gols (10, 8 e 6, pela ordem) é que o Anderlecht abocanha o primeiro lugar e coloca o Standard em 2º. O fato do trio já despontar na Liga também é favorecido pelos tropeços do Brugge, que acabou por se fixar em 4º, já tendo de descontar cinco pontos de diferença caso queira chegar à frente.

Se um clube do trio teve um fim de semana que se possa chamar de desapontador, este clube foi o Excelsior – e só ele. Afinal de contas, os Hurlus vinham de uma campanha perfeita (quatro jogos, quatro vitórias) e acabaram caindo da ponta para o 3º lugar com o empate sem gols contra o Westerlo. É certo que os comandados de Enzo Scifo enfrentariam um time que faz bom papel – sexto lugar, com oito pontos –, comandado no banco por Jan Ceulemans e, no campo, pelo experiente Nico van Kerckhoven. Mais, ainda: o jogo do último sábado seria no Het Kuipje de Westerlo, fora de casa.

Contudo, os comandados de Scifo, além da boa campanha, têm se feito notar exatamente pelo bom desempenho ofensivo, obra dos atacantes Ouali e Custovic – este, vice-artilheiro do Campeonato. E a partida mostrou exatamente isso: um time visitante que pressionou quase ininterruptamente os donos da casa. Porém, nenhum dos atacantes, nem ao menos Baseggio, ponto de segurança no meio, conseguiram vencer a barreira montada pelo Westerlo. Nem mesmo a expulsão de Scheelen (atacante, a bem da verdade) ajudou o Excelsior a fazer um gol. O empate foi mais lamentado do que comemorado, mesmo que mantivesse o clube em cima. Teria sido diferente, caso, na sexta anterior, o Anderlecht tivesse tropeçado contra o Charleroi.

Todavia, os Mauves, nas últimas duas rodadas, tiveram na persistência e na sorte suas duas mais valiosas companhias. Contra o Mons, na quarta rodada, o gol da vitória só viera a onze minutos do fim, por obra de Gillet. Frente ao Charleroi, a coisa foi ainda mais difícil. Mesmo em casa, num Constant Vandenstock com o maior público da rodada (24.091 espectadores), o time de Ariël Jacobs também fraquejava na hora de fazer valer sua superioridade. O 2 a 0 final só começou a vir, novamente, a onze minutos do fim, com Jelle van Damme, sendo o gol do alívio marcado oito minutos depois, com o tcheco Vlcek.

Mesmo com as vitórias vindo de modo difícil, deve-se dar os méritos que o time merece: a eliminação para o BATE Borisov, ainda nas preliminares da Liga dos Campeões, não significou um time totalmente mudado na Jupiler League. E a manutenção era mesmo o caminho mais indicado. Afinal, Zitka tem desempenho seguro no gol; a dupla de zaga pode variar (Juhasz-Kruiswijk ou Juhasz-Deschacht) sem perder a pegada; e, no meio, Boussoufa e Lucas Biglia sempre estão ajudando a Polak ou mesmo ao veterano Goor, no ataque. Ou seja: mesmo vindo aos trancos e barrancos, o primeiro lugar não deixa de ser merecido.

Como merecida também foi a volta do Standard à ponta. Se bem que nem foi tão difícil assim: o time de Laszlo Bölöni tinha uma partida mais fácil, enfrentando o lanterna Tubize. O 1 a 0 não correspondeu ao seguro desempenho dos Rouches durante toda a partida, até mesmo pela falta de desafio que o Tubize representava. E, de qualquer modo, jogo após jogo, o time mostra que, em cada setor, há sempre um jogador que faz bem seu papel. Na defesa, os pilares são o goleiro equatoriano Rorys Aragon Espinoza e o zagueiro americano Onyewu, ambos não comprometendo, mesmo que às vezes, assustem os torcedores.

O meio tem dois donos: Axel Witsel consegue fazer com que a saída de Fellaini não seja tão sentida, enquanto Steven Defour confirma ser o melhor meia belga da atualidade. E o ataque tem um impressionante Dieumerci Mbokani: dos cinco jogos disputados, o congolês só não marcou contra o Roulers, na terceira rodada. Não impressiona que tenha voltado à artilharia com o tento contra o Tubize e que continue sendo valioso na luta dos Liègeois pelo bi.

Já o Brugge não conseguiu aproveitar nem ao menos a partida do meio de semana. Em jogo atrasado da 1ª rodada, o time de Jacky Mathijssen apenas empatou contra o Malines, em um gol. E, no fim de semana, o desempenho já não fora brilhante. Se houve a vitória pela contagem mínima contra o Genk, o principal atacante, o nigeriano Akpala – justamente o autor do gol – foi expulso, após fazer parte de um lance assustador. Após uma falta para a área do Genk, Akpala subiu e chocou-se com o goleiro Bailly.

O avante sentiu a cabeçada, mas conseguiu voltar. Já Bailly caiu no chão e lá ficou, inconsciente por dez minutos, até ser levado para o hospital. Mesmo com seu pai temendo até por uma paraplegia, o goleiro belga na Olimpíada recebeu alta na terça e poderá voltar a jogar, numa rodada que terá um “jogo de seis pontos”. Afinal, Standard e Anderlecht se enfrentam. O Excelsior só fica de camarote, jogando contra o Genk e torcendo para poder se distanciar na frente, de novo.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo