Holanda

Jong Oranje encara o Europeu sub-21. Se for bem, Van Gaal agradece

Espanha, Holanda e Alemanha no mesmo grupo de uma competição. Se fosse um torneio entre seleções adultas, seria algo de parar o mundo do futebol. Não é, mas também não deixa de ser atraente. Pois esses países estarão no grupo B do Campeonato Europeu Sub-21, que se inicia na próxima quarta-feira, em Israel. “Ah, mas são só equipes sub-21.” Verdade. Mas estão com alguns atletas que já foram experimentados nos times de cima.

Tome-se a atual campeã Espanha, por exemplo. Julen Lopetegui “só” terá à disposição David de Gea, para o gol; Thiago Alcântara e Isco, no meio-campo; e Iker Muniain, no ataque. Isso, sem contar gente sem passagem pela equipe campeã mundial e bicampeã europeia, mas que tem lá sua importância em seus clubes. E aí, a lista é até maior: Daniel Carvajal, revelação no Bayer Leverkusen; Marc Bartra e Cristian Tello, jogadores que vez por outra são escalados no Barcelona; Álvaro Morata, ainda sem tanto espaço no Real Madrid; Sergio Canales, frequente no Valencia etc.

Já a Alemanha tem menos gente que já foi convocada por Joachim Löw. Mas isso não significa que o técnico Rainer Adrion terá um time fraco em mãos. Como goleiro, Bernd Leno já mostrou qualidades no Leverkusen; Lewis Holtby ainda vai se ambientando no Tottenham, ora sendo titular, ora entrando no decorrer das partidas; Emre Can vai sendo preparado para ganhar mais chances no Bayern Munique etc. Enfim, os alemães também podem sonhar com a repetição do título de 2009, que só aumentaria a fama de país que melhor sabe utilizar as categorias de base no mundo.

Mas, ora bolas, esta é uma coluna que fala sobre futebol holandês. Então, é bom deixarmos de explicar sobre os adversários, pois há colegas que farão isso com muito mais profundidade. E falemos a respeito da Jong Oranje, a Laranja Jovem, que já está na cidade de Haifa para a disputa do torneio. Porque os 23 jogadores a serem treinados por Cor Pot protagonizam um fenômeno como talvez não se veja em nenhuma das outras nações que participam do Europeu: vários de seus jogadores não são destaque nas grandes ligas europeias (até porque 20 dos 23 convocados ainda atuam no Campeonato Holandês), mas são nomes frequentes nas equipes que Louis van Gaal tem levado a campo.

Tomemos o exemplo da escalação que enfrentou e venceu a Austrália por 3 a 1, em Emmen, no último amistoso antes da viagem para Israel. Na defesa, absolutamente todos os jogadores já atuaram pela Oranje, exceto o goleiro Jeroen Zoet – que, ainda assim, já foi convocado: Van Rhijn já jogou na lateral direita, De Vrij é titular da zaga dos adultos ao lado de… Bruno Martins Indi, seu companheiro tanto no Feyenoord quanto na seleção. Martins Indi, por sinal, pode ser improvisado na lateral esquerda, posição que é de… Daley Blind, que tomou o lugar para si tanto na adulta quanto na sub-21.

Essa realidade só se torna mais notável a partir do meio-campo que atuou contra os australianos. Kevin Strootman dispensa apresentações, pois até Eurocopa já tem no currículo. Adam Maher, armador rápido, não só começa a ter mais chances no time de Van Gaal (foi destaque no amistoso contra a Itália, em fevereiro), como é febre no futebol holandês. E Marco van Ginkel foi dos grandes destaques da boa campanha do Vitesse na Eredivisie.

Curiosamente, no ataque é que estão os nomes menos badalados da Jong Oranje. O que não significa que não tenham experiência. Georginio Wijnaldum, antes apontado como uma das grandes promessas da Holanda, teve diminuído o alarido em torno de seu nome, mas voltou a crescer no PSV e pode fazer boa Euro sub-21. Luuk de Jong não disse a que veio no Borussia Mönchengladbach ainda, mas tem margem de evolução, e até fez parte do banco de reservas da Oranje na Eurocopa.

Assim, dos onze jogadores que atuaram no amistoso, os únicos nomes mais desconhecidos são o supracitado Jeroen Zoet e o último atacante, Memphis Depay, do PSV. No entanto, há mais gente no banco que é alvo do olhar de Van Gaal. Como Jordy Clasie, destaque do Feyenoord – que até poderia ocupar a vaga que é de Van Ginkel, entre os titulares, caso não estivesse em recuperação de uma gripe. Ou Leroy Fer, que começou como titular absoluto a segunda passagem de Van Gaal pela seleção adulta, mas teve o caminho impedido por contusões.

De todo modo, é uma geração plenamente capaz de superar os fortes desafios que a fase de grupos já oferece – além de espanhóis e alemães, ainda há a Rússia, comandada tecnicamente por Alan Dzagoev, tendo promessas como o zagueiro Taras Burlak e o atacante Fyodor Smolov.

Mas, voltando à Holanda, o grupo de jogadores também tem recebido bons conselhos de Van Gaal, no sentido de serem criteriosos na aceitação de eventuais ofertas para transferências. Afinal, foi exatamente essa volúpia exagerada por oportunidades num grande centro europeu que dilapidou boa parte das promessas que vieram da geração bicampeã europeia sub-21, em 2006 e 2007. Fique-se num exemplo: Royston Drenthe.

Por enquanto, a grande parte do elenco holandês que disputará o Europeu sub-21 prefere esperar, e continuar ganhando corpo nos clubes holandeses. Assim, chegará com status de candidata a fazer bom papel. Quem sabe, até, a conquistar o seu terceiro título na categoria. O otimismo nota-se até nas palavras de Cor Pot: “Meus jogadores estão empolgados, com muita vontade. Todos sabem com precisão como jogaremos. Isso só mudará em caso de contusão, ou por questões táticas. O grupo está bem focado”.

Em meio a um processo de renovação da seleção holandesa, Van Gaal agradece uma boa campanha em Israel.

Enquanto isso, no Oriente…

Algumas seleções preparam-se para a Copa das Confederações. Outras fazem amistosos de dificuldade considerável: a Alemanha enfrentou o Equador na última quarta, e pega os Estados Unidos no domingo, por exemplo. Já a Holanda… em final de temporada europeia, a Oranje teve de se deslocar até os confins do Oriente, para jogar contra a Indonésia, no próximo dia 7, e contra a China, no próximo dia 11.

É de se imaginar que alguns jogadores convocados deverão render pouco, como Robben, desgastado física e emocionalmente pela final da Liga dos Campeões, momento máximo de sua carreira até agora. Louis van Gaal, então, tomou atitude inteligente: até por não poder chamar atletas que estão na disputa do Europeu sub-21, experimentará vários novos atletas.

Nas laterais, sem Janmaat e Van Rhijn, vêm por aí Miquel Nelom, do Feyenoord, e Dwight Tiendalli, do Twente – para raiva de Van der Wiel, que já protestou por não ter sido lembrado (“Se eu jogo regularmente por um dos melhores times da Europa, mas não sou um dos 22 melhores jogadores holandeses para Van Gaal, não posso fazer nada. Nada contra o pessoal, mas é estranho ver Nelom, que fez 12 partidas pelo Feyenoord em toda a temporada, ser convocado”).

Ainda há mais jogadores que merecem alguns minutos com a camisa da Oranje, como Jens Toornstra, destaque do Utrecht, ou Jasper Cillessen, ainda merecedor de confiança como promessa no gol do Ajax. E essas deverão ser as únicas atrações, numa sequência de amistosos que servirá apenas para mais testes rumo à Copa de 2014. É pouco mas é algo.

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