Insanidade pura! Na rodada final, Ajax entregou um título inimaginável ao PSV
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De um lado, a memória de Cruyff. De outro, o fim da parceria histórica na camisa. Ajax e PSV tinham os seus motivos para tornar o título holandês desta temporada especial. E ele foi, independente da intenção dos clubes, graças aos desdobramentos agônicos na rodada decisiva. O clube de Amsterdã estava com a taça nas mãos e só precisava conquistar um resultado igual ao dos rivais – a não ser que a equipe de Eindhoven tirasse a diferença de seis gols no saldo. No entanto, a missão que parecia simples ao Ajax se tornou complicadíssima por causa do De Graafschap, vice-lanterna e já condenado aos playoffs do rebaixamento. Os alviazuis atuaram como se eles quisessem a taça. Seguraram o empate por 1 a 1 com o time de Frank de Boer, o suficiente para armar a festa do PSV. Após a vitória por 3 a 1 com o Zwolle, os Boeren esperaram o apito final em Doetinchem para celebrar o seu 23º título na Eredivisie.
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O Ajax pode não ter sido o mais regular dentro de campo, mas o bom início da campanha, combinado com o começo errante do PSV, lhe garantiu a ponta da tabela durante a maior parte do tempo. Antes do último jogo, os Ajacieden permaneceram na primeira colocação em 26 das 33 rodadas. O PSV, por sua vez, tomou a ponta em meados do segundo turno. Todavia, a vitória do Ajax no clássico acabou sendo decisiva para a troca de posições. Para fazer a equipe de Frank de Boer só depender de si na conquista da taça.
Enquanto o PSV emendava vitória atrás de vitória, o empate do Ajax com o Utrecht permitiu que os oponentes igualassem sua pontuação. Mas a vantagem no saldo de gols era suficiente para manter o clube de Amsterdã no topo. De qualquer forma, o Ajax precisava fazer a sua parte contra o combalido De Graafschap. O que não aconteceu. Amin Younes anotou um belo gol para abrir o placar logo aos 16 minutos, mas os virtuais campeões se acomodaram. Aos 10 da segunda etapa, Bryan Smeets empatou para os anfitriões. Justo ele, torcedor do Ajax desde a infância. E os Ajacieden pareciam não ter brio para retomar a vantagem. Pelo contrário, toda a garra estava do outro lado. Os líderes abusavam dos erros e o desespero atrapalhou mais ainda, diante do excesso de bolas levantadas na área. Depois de cinco minutos de acréscimo, sobraram lamentos e choro no gramado.
O PSV, por sua vez, manteve o seu jogo sob controle – mesmo contra um adversário com pretensões na tabela, buscando os playoffs da Liga Europa. Jürgen Locadia e Luuk de Jong abriram dois tentos de vantagem e, por mais que o Zwolle tenha encostado no placar, o artilheiro apareceu para fechar a conta em 3 a 1, o gol do título. Com sua partida encerrada antes do apito final no duelo do Ajax, os Boeren se reuniram para acompanhar o resultado dos rivais na tela do celular. Por fim, veio o alívio, a celebração e a entrega do troféu do bicampeonato. Uma façanha para ser lembrada por muito tempo em Eindhoven.
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Não havia ninguém melhor para motivar o PSV do que o próprio técnico Phillip Cocu. Afinal, o antigo capitão protagonizou o maior milagre do clube na conquista de um título da Eredivisie, na inesquecível rodada final de 2006/07. Diante da derrota do até então líder AZ, Ajax e PSV disputavam tento a tento quem ficaria com a taça, empatados em pontos, mas em busca da vantagem no saldo de gols. Até que o veterano, aos 36 anos, acertasse o chute que garantiu a vitória por 5 a 1 sobre o Vitesse e a diferença de 50 a 49 aos Boeren no saldo.
“Hoje, no café da manhã, eu mostrei as imagens do título de 2007. Quando mostrei, disse que deveriam sempre acreditar na conquista. Um final desses é fantástico. O que posso dizer num momento assim? Que atuação maravilhosa! Estou muito orgulhoso deste time”, afirmou Cocu, logo após o jogo deste domingo.
Em nível de emoção, o desfecho pode não ter se igualado a 2007. No entanto, torna-se um título também inimaginável, até pelas circunstâncias que as duas equipes enfrentaram, com o Ajax pegando um rival bem mais fraco. O feito ajuda a deixar em evidência um ótimo PSV, de predicados ofensivos, destaques individuais e boas promessas. O bicampeonato já seria suficiente para a consagração. Mas a forma com que ele saiu contribui ainda mais para tanto.