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Ajax é favorito ao título holandês. Mas PSV é o melhor time

Este final de semana poderia ser o mais empolgante do futebol holandês de clubes em muito tempo. Desde 2010/11 não se via duas equipes disputando o título do Campeonato Holandês ponto a ponto até a última rodada. Sem contar que é inevitável lembrar a incrível rodada derradeira da temporada 2006/07 da Eredivisie, quando AZ, PSV e Ajax chegaram iguais em pontuação: enquanto os Alkmaarders eram derrotados, os rivais de Amsterdã e Eindhoven brigaram gol a gol durante suas partidas, para aumentarem o saldo – até que o PSV, com 5 a 1 no Vitesse, superou o Ajax no critério (50 a 49) e comemorou o terceiro título do tetracampeonato ganho entre 2005 e 2008.

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Enfim, poderia ser um final de semana daqueles em que come-se, dorme-se, respira-se futebol na Holanda. Mas não será. Porque, embora Ajax e PSV estejam novamente iguais em pontos (81), como há nove anos, a vantagem dos Ajacieden no saldo de gols é bem mais confortável do que na temporada lembrada acima. Se antes da última rodada de 2006/07, o time da estação Strandsvliet tinha apenas um gol à frente no saldo (47 a 46), agora a vantagem está em seguros seis gols (60 de saldo, contra 54 dos Eindhovenaren).

Além do mais, os adversários dos dois contendentes pela Eredivisieschaal oferecem cenários diferentes para as partidas do próximo domingo, ambas fora de casa. Os Boeren terão pela frente um Zwolle que ainda tem coisas a buscar: qualquer ponto pode representar aos Dedos Azuis a garantia de vaga nos play-offs por um lugar na Liga Europa. Já o Ajax enfrenta um De Graafschap que já está com o destino sacramentado: ficará na penúltima posição, e terá a chance de manter-se na elite via play-offs de acesso/descenso.

Com um adversário mais relaxado, é bem plausível supor que os Godenzonen são mais favoritos à vitória, e que será dificílimo para o PSV conseguir uma goleada por sete gols de diferença sem que o rival marque contra o De Graafschap. Isto é: em condições normais, o esperado é que o Ajax receba a salva de prata no gramado do estádio De Vijverberg, na cidade de Doetinchem, usando o novo uniforme de visitante para a próxima temporada, e comemore assim o 34º título holandês de sua história. No estádio e em Amsterdã: a festa da vitória está marcada ainda para o domingo, num terreno próximo à Amsterdam Arena, onde o elenco exibiria novamente o troféu.

Será justo, pela melhora que a equipe de Amsterdã viveu nesta reta final de temporada. Se até a metade do campeonato, apenas Davy Klaassen e Riechedly Bazoer brilhavam, as ascensões vertiginosas de Arkadiusz “Arek” Milik e Amin Younes ajudaram demais os Amsterdammers. Klaassen continuou justificando plenamente o fato de ter a braçadeira de capitão e a camisa 10: continua direcionando as jogadas, liderando o time, criando a maioria dos ataques. E se fosse necessário, Bazoer chegava como “elemento-surpresa”, arriscando chutes de fora da área.

Mas a finalização andava capengando. Não anda mais. Com 12 gols marcados nos últimos dez jogos da Eredivisie, “Arek” Milik parece, enfim, cumprir as expectativas que justificaram a compra junto ao Bayer Leverkusen: pode-se dizer, até, que o desempenho crescente levou o polonês a converter-se em reserva imediato de Robert Lewandowski na seleção de seu país. De quebra, se antes parecia meio inconstante e até improdutivo na esquerda, agora Amin Younes aprendeu a usar o drible na hora certa. Some-se isso à velocidade e à capacidade de finalização naturais do alemão de ascendência libanesa, e o que se tem é um atacante que ajuda o time em horas difíceis. Como na 33ª e penúltima rodada: Younes teve duas assistências e um belo gol para converter um tenso 1 a 0 contra o Twente numa goleada por 4 a 0, no fim do jogo.

Sem contar que a eliminação vexaminosa na terceira fase preliminar da Liga dos Campeões (e a atuação bem apagada na Liga Europa) ensinaram algumas coisas a Frank de Boer na proteção à defesa. Nas duas últimas rodadas, ele não pestanejou em sacar o ofensivo Bazoer, começando os jogos contra Heerenveen e Twente com o marcador incansável que é Thulani Serero. O que protegia mais a defesa, improvisada que estava com as ausências de Kenny Tete e Jaïro Riedewald: se não esbanjam talento, Mike van der Hoorn e Nick Viergever cumpriram seus papéis no miolo de zaga, enquanto Mitchell Dijks foi outro a crescer de produção, na lateral esquerda. Joël Veltman também não traz muitos problemas pela direita, e Jasper Cillessen é habitualmente seguro no gol.

Enfim, o Ajax que deverá ser campeão holandês é mais pragmático. Ainda assim, sofre com alguns erros defensivos, visíveis em partidas como o 2 a 2 contra o NEC (em casa) e, principalmente, o 2 a 2 contra o Utrecht – neste, só um pênalti inexistente marcado deu a chance do empate aos Ajacieden. Diferentemente do PSV, que perdeu o jogo que não podia perder (provou do próprio veneno: pragmaticamente, o Ajax fez 2 a 0 em Eindhoven), mas é, muito provavelmente, o melhor time holandês da temporada.

Não só pela atuação honrosa na Liga dos Campeões – lembre-se, o PSV foi o time que mais se aproximou de eliminar (e mais dificultou as coisas para) o agora finalista Atlético de Madrid. Mas também por ser um time entrosado no 4-3-3. Que faz contratações acertadíssimas e até ambiciosas – quem diria que Marco van Ginkel, atormentado por lesões no Chelsea, no Milan e no Stoke City, voltaria com tudo ao meio-campo, marcando oito gols em 12 jogos? Que tem vários “pilares” experientes no time: Bruma, Guardado, Luuk de Jong… sem deixar de lado a criação de talentos tão cara ao futebol holandês: Jeroen Zoet, Jorrit Hendrix e Jürgen Locadia que o digam.

Além disso, Phillip Cocu mostra ser técnico promissor, ao saber ser ofensivo na hora necessária e defensivo se o jogo assim exige. Enfim, o Ajax tem uma tarefa mais fácil. Praticamente só depende de si para ser campeão holandês, novamente. Mas sabe: não poderá mais chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões e dar o vexame habitual. O PSV subiu um pouco o nível de exigência. E até serviu de exemplo. De mais a mais, a festa de um “milagre” está pronta em Eindhoven (ocorreria na segunda, caso o título venha). Sem contar que o autor do gol “do título” em 2006/07 foi um certo Phillip…

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