Holanda

Hora de recomeçar

É sintomático que Louis van Gaal inicie sua segunda passagem pela seleção da Holanda, a valer, no mês de setembro. Porque foi justamente no nono mês do ano (precisamente, no dia 1º) que ele atingiu o ponto mais baixo de sua carreira, há onze anos: a derrota por 1 a 0 para a Irlanda, em Dublin, decretando que a Holanda não iria participar da Copa de 2002.

O tempo passou, Van Gaal foi recontratado, e agora reinicia para valer a oportunidade de tentar apagar o seu grande fracasso. Porque nem mesmo a derrota para a Bélgica, num amistoso em agosto, apagou o ânimo de LvG para iniciar os trabalhos com vistas às eliminatórias para a Copa de 2014 – que têm sua primeira prova nesta sexta, com o jogo contra a Turquia, em Amsterdã.

E, nesse ânimo, Van Gaal toma algumas iniciativas interessantes. A primeira delas: como já visualizado contra os belgas, a Oranje deixará de lado o 4-2-3-1 dos tempos de Bert van Marwijk, para a volta do 4-3-3 que é sua marca registrada. O próprio técnico já deixou clara sua opção, nas entrevistas coletivas dadas ao longo do período de treinamentos, em Katwijk: “Temos qualidade para jogar nesse sistema. Ele foi muito usado na Holanda, e muitos jogadores o conhecem”.

Outra marca de Van Gaal nessa sua nova passagem é dar oportunidades a gente nova. Van der Wiel, Nigel de Jong, Afellay e Van der Vaart ficaram de fora da lista de 23 jogadores, provavelmente pelos envolvimentos em importantes transferências. A principal mudança veio para o meio: o setor foi bastante renovado, com Jordy Clasie e Leroy Fer entre os convocados.

Grande destaque do Twente no ótimo início dos Tukkers dentro do Campeonato Holandês (quatro vitórias em quatro jogos), Fer deve começar jogando, formando uma dupla mais marcadora, com Strootman, enquanto o agora capitão Sneijder é o responsável único pela armação. E o meia da equipe de Steve McClaren se disse pronto: “Quando eu me transferi para o Twente, precisei conhecer o novo ambiente, e fiquei no banco. Agora, estou em forma. Espero poder mostrar isso também na Oranje.”

Sem dúvida, pelas suas características (meio-campista que sabe tanto sair para o jogo, quanto marcar), Fer será útil para o 4-3-3, que deverá sobrecarregar a defesa holandesa. Assim como Clasie, verdadeiro dínamo no meio-campo do Feyenoord. Porém, sabedor e espectador da fragilidade dos defensores, até pelos quatro gols cedidos, Van Gaal já decidiu mudar o próprio setor.

A começar pela lateral direita: outra novidade da convocação, Daryl Janmaat, mais afeito à marcação do que Ricardo van Rhijn, deve começar jogando, pelos últimos treinamentos – na esquerda, Jetro Willems segue como titular. No ataque, enquanto Narsingh e Robben vão pelas pontas, a questão que ajudou Van Marwijk a cair (Huntelaar ou Van Persie?) foi respondida, pelo menos, por enquanto: o atacante do Schalke 04 será o titular. Justificativa curta e grossa: “Huntelaar sempre jogou bem pela Oranje. Van Persie, menos.”

Aparentemente, a honestidade do treinador agradou a ambos. Ambos elogiaram a conversa mantida com ele. Tanto o titular (“Van Gaal nos mostra com toda a segurança o que vê, o que quer e como deve-se jogar. E ele mostra essas ideias, também. É honesto e claro”) como o reserva (“Achei a conversa que tive com ele maravilhosa. Falamos de tudo. Tive uma boa impressão. O mais importante é que este técnico é honesto, e explica suas escolhas abertamente”).

Além de tudo, o técnico parece se mostrar mais ameno do que em sua primeira passagem pela seleção laranja – um dos principais defeitos de então, apontado por muitos, foi ter tratado a maioria dos jogadores, já então experientes e jogando Europa afora, como se ainda fossem juvenis precisando de alguém que os orientasse.

Mas Louis não esqueceu ainda o seu lado mais ranheta. A tal ponto que sua principal reclamação foi feita ao ver um octocóptero, com uma câmera acoplada, ter entrado no estádio, durante o treinamento de quarta-feira, fechado para a imprensa. Van Gaal vociferou: “O desejo do técnico é fechar o treino, de todas as maneiras. Não é a intenção que, por causa dessas câmeras, no dia seguinte, a escalação esteja nos jornais, e que o técnico da Turquia saiba delas.”

Mesmo com essas distrações imprevistas e indesejáveis, contudo, o clima na Holanda é de otimismo. Van Gaal foi contratado, afinal, exatamente para apagar a má lembrança da pior campanha que a Oranje fez num grande torneio desde 1980. E para apagar a lembrança pessoal que o 1º de setembro de 2001 deixou nele. Não há mais desculpas. Chegou a hora de recomeçar.

De leve

Só para terminar: o Feyenoord lançou o projeto de um novo estádio. O “Nieuwe Kuip” teria a construção iniciada em 2016. Sua capacidade deve ser de 63 mil lugares, e ele ficará em Varkenoord, a pouco mais de cem metros do atual De Kuip. A ver.

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