Holandesão, a liga em que o 9º pode ser líder com uma vitória
O Campeonato Holandês se consagrou como uma competição limitada a três times. O país já teve 29 campeões nacionais, mas desde que a liga por pontos corridos foi instituída, em 1956/57, a taça praticamente só ficou nas mãos de Ajax, PSV e Feyenoord. Os únicos a desafiar o poderio dos três grandes nestes 57 anos foram Sparta Roterdã, Twente, DWS e DOS, com um título cada, e o AZ, dono de dois. Um desequilíbrio histórico que pouco serve para explicar a realidade atual da Eredivisie.
O Ajax é o atual tricampeão nacional. No entanto, Twente e AZ foram os campeões anteriores, quebrando uma sequência de 27 triunfos do trio de ferro. E a atual temporada do Holandês começou mais indefinida do que nunca. Três times dividem a liderança na 11ª rodada: Twente, Ajax e AZ, todos com 19 pontos – ou seja, um aproveitamento apenas razoável de 57,6%.
Mas não é só o topo da tabela que está emparelhado. Apenas um ponto separa os líderes do sétimo colocado, o Groningen; o oitavo, Feyenoord, está a dois pontos da dianteira; o Roda JC, em nono, poderia tomar o posto com uma vitória; e apenas sete pontos distanciam os líderes do Utrecht, primeiro time acima da zona de rebaixamento. Somente os três últimos colocados não subiriam quatro posições ou mais com uma mísera vitória.
Para se ter uma noção, no equilibrado Brasileirão 2013, o líder Botafogo estava quatro pontos à frente do quarto colocado e sete à frente do sétimo na 11ª rodada. Já na Holanda, a última vez que três times estavam empatados na liderança durante a 11ª rodada foi em 1998/99. Mesmo assim, já tinham aberto sete pontos em relação ao sétimo colocado. E, desde então, sempre o primeiro colocado teve 25 pontos ou mais a esta altura do campeonato. Para achar um equilíbrio tão grande, só recorrendo a maracutaias como as do Nigerianão.

A rodada deste final de semana não poderia ter sido mais pródiga para demonstrar esse equilíbrio. Dos oito primeiros colocados, o único a vencer foi o AZ. O trio de ferro holandês inteiro tropeçou, com já havia acontecido no final de semana anterior. Até mesmo o ADO Den Haag, antepenúltimo colocado, surpreendeu ao vencer o ainda líder Twente por 3 a 2.
Ter uma liga equilibrada não significa necessariamente uma liga melhor. Porém, a competitividade ajudou a tornar a Eredivisie um campeonato mais interessante de se assistir. Ajax, PSV e Feyenoord não são mais potências continentais, sofreram uma queda na última década, mas seguem como forças regionais. E, em compensação, os times médios cresceram. Já não são aquela baba toda, capazes de tomar goleadas a cada encontro com o trio de ferro.
Pode até ser que o Ajax se desgarre do pelotão a partir do segundo turno, como aconteceu nas duas últimas temporadas – embora os Godenzonen não indiquem essa força toda desta vez. Porém, o equilíbrio parece ser mais benéfico em relação ao público do que o monopólio. Mais de 3 milhões de pessoas assistiram ao programa de TV com os melhores momentos da Eredivisie neste domingo, quase 20% da população do país. Sinal de que ter um campeonato com média de 3,5 gols por jogo é bom, mas ainda melhor quando eles são distribuídos de maneira igualitária entre os times.



