Holanda

Holanda já está na Copa, mas cuidado com Turquia e Hungria

A rigor, a Holanda não tem mais motivos para se preocupar com as eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014. Afinal de contas, já garantiu a vaga na rodada passada. E poderia usar as partidas contra Hungria (nesta sexta, em Amsterdã) e Turquia (na próxima terça, em Istambul) apenas para entrosar a equipe. Pois bem, essa será uma das utilidades. Apenas uma. Porque as partidas que encerrarão a participação da Laranja na fase de qualificação têm mais importância do que aparentam. O primeiro deles é o interesse dos adversários no jogo.

Turquia e Hungria são fortes? Nem tanto – muito embora a Turquia tenha um time razoável. Entretanto, ambos ainda têm uma esperança de estarem entre os oito melhores segundos colocados das eliminatórias, que garantem vaga na repescagem de novembro, que definirá as últimas seleções europeias a pegarem o voo para o Brasil em 2014. Separadas por um ponto no grupo D, com a Hungria como última colocada entre os vices das chaves, ambas têm nesta rodada a última chance para ainda sonharem com a Copa.

Principalmente os húngaros, que não vão a um Mundial desde 1986. Isso foi apontado por um holandês que os conhece muito bem: Erwin Koeman, técnico do RKC Waalwijk, que treinou a Hungria entre 2008 e 2010, imediatamente antes do atual comandante, Sándor Egervári. O irmão de Ronald alertou: “A seleção tem alguns jogadores que atuam em clubes dos centros grandes do futebol europeu. Pelo menos um ponto eles tentarão beliscar”.

Os magiares foram até prejudicados por uma ausência imprevista: doente, Ádam Szalai não estará na Amsterdam Arena nesta sexta. Seu substituto, por sinal, conhece o futebol holandês: Krisztián Németh, atacante do Roda JC, terá companheiros como Bálazs Dzsudzsák e Vladimir Koman para tentar manter o sonho húngaro de retornar a uma Copa do Mundo.

Se há pouco a falar dos turcos, basta lembrar três fatores. O primeiro: estão apenas a um ponto da Hungria e pegam a Estônia, rival mais acessível. O segundo: enfrentarão a Holanda tendo como vantagem o apoio sempre incandescente da torcida, no Ali Sami Yen. O terceiro: têm jogadores mais experimentados em lugares com mais pressão, como Arda Turan, do Atlético de Madrid. Sem contar que vêm de duas vitórias. Não seria nada impressionante tomarem a segunda posição dos húngaros para irem à repescagem.

Mas, ora bolas, o leitor poderá pensar que só se falou da importância dos duelos da Holanda para seus adversários. Qual a importância das duas partidas para uma equipe que já está garantida na Copa do Mundo? Uma palavra resume: cabeça-de-chave. Com a decisão da FIFA de tornar os sete primeiros colocados do ranking a ser divulgado após a rodada das eliminatórias, a Holanda precisa pensar em ganhar os dois jogos. Afinal, em nono lugar, um tropeço sepultaria as chances de ser cabeça-de-chave na Copa. E isso aumentaria os riscos de tornar-se integrante de um “grupo da morte”, algo pouco desejável.

De todo modo, Van Gaal deverá levar a campo uma equipe um pouco mais estável do que em rodadas passadas. Principalmente na defesa. Pelo cenário atual (e as perspectivas futuras), Michel Vorm passou Kenneth Vermeer, enfraquecido pela má fase que o tornou reserva do Ajax, e tornou-se o titular no gol da Laranja. O goleiro do Swansea mostrou-se animado: “Agora, penso muito mais na seleção. Fico com ela na cabeça até quando estou em meu clube”. A única alteração foi no reserva de Janmaat: Van der Wiel, enfim, voltara à seleção, mas lesionou-se no primeiro dia de treinos e foi cortado, dando lugar a Paul Verhaegh.

E a novidade veio no meio-campo: onde havia Schaars, um pouco menos firme na marcação, agora haverá Nigel de Jong, que recebeu a chance de Van Gaal e fará a dupla com Strootman. Na armação, Van der Vaart novamente recebeu a prioridade, com as desconfianças sobre Sneijder (aliás, qualquer dia a coluna falará sobre uma discussão: ambos podem ou não jogar juntos? O colunista acha que não).

No ataque, as desconfianças recaem sobre Van Persie, que passou a semana sem treinar em razão de um problema num tendão do pé, e pode ser substituído por Kuyt – que, por sua vez, já não marca pela seleção há nove horas e quarenta minutos. É mais um dos problemas que a Holanda tem de enfrentar nesta última rodada das eliminatórias. Cujos jogos podem não significar nada agora. Mas devem ser vencidos pelo que representariam num futuro próximo e importante.

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