Guia da temporada: Bélgica (II)

Chegou o dia. Após quase três meses de folgas, preparações, contratações e dispensas, a bola volta a rolar no Benelux. Nesta sexta em que esta coluna é publicada, às 15h30 (horário de Brasília), Standard Liège e Sint-Truiden, campeões de primeira e segunda divisões da Bélgica, darão, no gramado do estádio Maurice Dufrasne, em Liège, o pontapé inicial definitivo na Jupiler League.
E assim também se encerra o guia das duas principais competições do Benelux, para a próxima temporada. Enquanto a ideia da BeNeLiga ainda não encontra eco favorável entre clubes e federação, Eredivisie e Jupiler League recomeçam. E, na Jupiler, um dos dois times que entra em campo na sexta, o Standard, sofreu menos do que o esperado com a janela de transferências, iniciando a liga belga como favorito destacado. Pelo menos, por enquanto.
Lokeren
Estádio: Daknam (9.271 lugares)
Técnico: Aleksandar Jankovic
Estrela: Boubacar “Copa” Barry (goleiro)
Fique de olho: Tomislav “Tomo” Sokota (atacante)
Quem chegou:
Sulejman Smajic (m, Bósnia) – Dender
Donovan Deekman (a, Holanda) – Heerenveen
Baba Iddi (a, Gana) – Vardar Skopje
Ibrahima Gueye (d, Senegal) – Estrela Vermelha
Tomislav “Tomo” Sokota (a, Croácia) – Dínamo Zagreb
Quem saiu:
Nebojsa Pavlovic (m, Sérvia) – Kortrijk
Stijn de Wilde (a, Bélgica) – Beveren
Pretensão: vaga na Liga Europa
A princípio, os Tricolores teriam de se preocupar com a saída de Moussa Maazou somente no fim da temporada passada. Mas a atuação do nigerense no ataque estava sendo brilhante a tal ponto que o CSKA Moscou não quis saber e levou a promessa. E o sonho do título foi para o espaço – se bem que, com a quantidade de empates acumulados, não daria mesmo para sonhar em erguer o troféu.
Entretanto, a outra estrela da boa campanha passada, o goleiro marfinense Barry (provavelmente, o melhor arqueiro atuando na Jupiler League), permanece no time. E a contratação do experiente Tomo Sokota, presente no elenco do Porto campeão da Liga dos Campeões 2003/04, pode ajudar o time a não sentir tanto momentos mais decisivos.
Mechelen
Estádio: Veolia (14.145 lugares)
Treinador: Peter Maes
Estrela: Olivier Renard (goleiro)
Fique de olho: David Destorme (meio-campista)
Quem chegou:
Yoni Buyens (m, Bélgica) – Lierse
David Destorme (m, Bélgica) – Dender
Antonio Ghomsi (m, Camarões) – Siena
Ayar Moro (d, Gabão) – Lille
Abdallah Khaled Deeb Salim (a, Jordânia) – Shabab Al-Ordon
Quem saiu:
Nana Asare (d, Gana) – Utrecht
Bjorn Vleminckx (a, Bélgica) – NEC
Pieter Mbemba (d, República Democrática do Congo) – Sivasspor
Cor Gillis (d, Bélgica) – Tubize
Kristof Imschoot (m, Bélgica) – Dender
Jean-Paul Kielo-Lezi (a, República Democrática do Congo) – Waasland
Pretensão: vaga na Liga Europa
No KaVé da temporada passada, o destaque do time estava na defesa. Tanto no vigor físico apresentado por Nana Asare, na lateral-direita, como na segurança de Olivier Renard, que volta e meia está nas convocações da seleção da Bélgica. Se a campanha na Jupiler League foi apenas digna, quase resultou em título, na Cofidis Cup.
Para esta temporada, os aurirrubros focaram-se em reforços para o ataque – questão primordial, até porque o destaque Bjorn Vleminckx se foi. Um dos que se salvaram no rebaixamento do Dender, David Destorme, chega tendo concentradas em si as esperanças de ser o criador das jogadas ofensivas – a serem finalizadas, provavelmente, pelo jordaniano Deeb Salim. Caso as novidades deem certo, o Mechelen pode surpreender.
Racing Genk
Estádio: Crystal Arena (24.000 lugares)
Técnico: Hein Vanhaezebrouck
Estrela: Elianiv Barda (atacante)
Fique de olho: Marvin Ogunjimi (atacante)
Quem chegou:
Moussa Koita (a, Senegal) – Virton
Istvan Bakx (a, Holanda) – Kortrijk
Fabien Camus (m, Tunísia) – Charleroi
Torben Joneleit (a, Alemanha) – Charleroi
Gilles Lentz (g, Bélgica) – Standard Liège
Quem saiu:
Maxim Geurden (m, Bélgica) – Germinal Beerschot
Tom Soetaers (m, Bélgica) – Kortrijk
Ivan Bosnjak (a, Croácia) – Iraklis
Alex da Silva (d, Brasil) – Sint-Truiden
Adam Nemec (a, Eslováquia) – Kaiserslautern
[Robin Henkens (m, Bélgica) – KVSK United]
[Tom de Mul (m, Bélgica) – Sevilla]
Pretensão: vaga na Liga dos Campeões
Nunca a saída de um treinador atrapalhou tanto a ascensão de um time. Ao demitir Ronny van Geneugden, a diretoria do Genk acabou perturbando a sólida ascensão que o time vinha experimentando. Nas primeiras posições da tabela da Jupiler League, a equipe contava com atletas de nível mais do que satisfatório para o futebol belga (notadamente no ataque, com Barda, Jelle Vossen e Daniel Tózser), além de ter surpresas boas (no gol, Davino Verhulst impediu que Logan Bailly deixasse saudades) e alguns reforços elogiáveis, como Tom de Mul e Stein Huysegems.
E, mesmo com a queda de ritmo que deixou o time apenas com vaga na fase de play-offs da Liga Europa, e com Pierre Denier apenas segurando as pontas até a chegada de um novo técnico, o título da Cofidis Cup ainda veio. Para a nova Jupiler League, com técnico novo (Hein Vanhaezebrouck), a poeira se assentou, a boa base de 2008/09 foi mantida em sua totalidade, e alguns reforços foram tirados dos rivais. Caso a diretoria não se deixe levar por crises temporárias e perturbe todo o trabalho, o Racing Genk tem todas as condições de ser um dos clubes que mais trará dores de cabeça ao Trio de Ferro.
Roeselare
Estádio: Schiervelde (9.536 lugares)
Técnico: Dennis van Wijk
Estrela: Stefaan Tanghe (meio-campista)
Fique de olho: Collins John (atacante)
Quem chegou:
[Jérémy Huyghebaert (m, Bélgica) – Sochaux]
Samir El Gaaouiri (m, Holanda) – VVV
Geoffrey Ghesquière (m, Bélgica) – Deinze
Sergio Hellings (d, Holanda) – Westerlo
Collins John (a, Holanda) – Fulham
Bram Vandenbussche (d, Bélgica) – Cercle Brugge
Sören Dutoit (g, Bélgica) – Harelbeke
Quem saiu:
Sherjill MacDonald (a, Holanda) – Germinal Beerschot
[Harrie Gommans (a, Holanda) – Roda JC]
Mladen Lazarevic (d, Sérvia) – Kortrijk
Björn Smits (d, Bélgica) – Cappellen
Thomas Troch (m, Bélgica) – Aalst
Kenneth Vonck (g, Bélgica) – Hamme
David Vanhoyweghen (d, Bélgica) – FCN
Sekou Ouattara (d, Costa do Marfim) – Le Mans
[Ivan Pericic (m, Croácia) – Sochaux]
Pretensão: escapar do rebaixamento
Foi quase. Após depender de um ótimo desempenho de Sherjill MacDonald no “Torneio da Morte”, ao final da liga passada, para livrar-se do rebaixamento, mudar várias coisas virou questão de sobrevivência para o Roeselare. E, à primeira vista, o elenco recebeu reforços que lhe deixam em condições de não sofrer tanto com a ameaça de rebaixamento. Após fracassar no Fulham e se perder no NEC, com contusões e indisciplina, Collins John tem chance de ouro para entrar novamente na rota de talentos holandeses surgidos nos últimos anos.
Além de John, Samir El Gaaouiri, peça atuante na promoção do VVV Venlo à primeira divisão na Holanda, foi aquisição inteligente. E Jérémy Huyghebaert, agora em definitivo no Schiervelde, pode se entrosar ainda mais com o veterano Tanghe. Caso a defesa também colabore, a pretensão do Roeselare pode, sim, ser cumprida. Até mais facilmente do que o previsto.
Sint-Truiden
Estádio: Staaien (11.250 lugares)
Técnico: Guido Brepoels
Estrela: Ibrahim Sidibé (atacante)
Fique de olho: Alex da Silva (meio-campista)
Quem chegou:
Alex da Silva (m, Brasil) – Racing Genk
Ludovic Buyssens (d, Bélgica) – Mons
Dennis Odoi (d, Bélgica) – Leuven
Hervé Onana (a, Camarões) – Waasland
Quem saiu:
Marc Hendrikx (m, Bélgica) – Eupen
Sander Debroux (m, Bélgica) – Leuven
Osman Köse (d, Tunísia) – Kocaelispor
Kurt Weuts (a, Bélgica) – Leuven
Pretensão: escapar do rebaixamento
Os auriazuis não devem ter muitas possibilidades de sonhar com um domínio parecido com o que exerceram na segunda divisão belga, quando lideraram desde a 8ª rodada e asseguraram o título (e o acesso) com cinco pontos de vantagem sobre o Lierse. Porém, o trabalho mostra traços saudáveis de continuidade. Desde 2008 comandando a equipe, Guido Brepoels teve a manutenção de Sidibé, seu principal atacante na temporada passada, e ainda poderá dar a Alex da Silva as oportunidades que este não teve no Racing Genk. Só o tempo dirá se será suficiente para não fazer apenas um bate-e-volta na Jupiler.
Standard Liège
Estádio: Maurice Dufrasne (30.030 lugares)
Técnico: Laszlo Bölöni
Estrela: Steven Defour e Axel Witsel (meio-campistas)
Fique de olho: Zoro Gohi Bi Cyriac (atacante)
Quem chegou:
Alex Moraes (d, Brasil) – Juventude
[Grégory Dufer (m, Bélgica) – Tubize]
Andréa Mbuyi-Mutombo (m, Bélgica) – Portsmouth
Moussa Traoré (a, Costa do Marfim) – Ouagadougou
Cédric Collet (a, França) – Mons
Jonathan Mendes (m, França) – Auxerre
Tiago (m, Portugal) – Vitória de Guimarães
Quem saiu:
Oguchi Onyewu (d, Estados Unidos) – Milan
Salim Toama (m, Israel) – Larissa
Leon Benko (a, Croácia) – Kortrijk
Rorys Aragón Espinoza (g, Equador) – fim de contrato
Marco Ingrao (d, Bélgica) – fim de contrato
Digão (d, Brasil) – Milan
Pretensão: título
O favorito. O time a ser batido. Se os Rouches poderiam ser considerados como tal pelo simples fato de serem bicampeões nacionais, o andamento da janela europeia de transferências está sendo bastante benevolente, por ora, com os planos esquadrinhados em Sclessin. Certo, Onyewu se foi. Mas a saída do norte-americano era certa desde metade da temporada passada – e, ora bolas, Eliaquim Mangala recebeu oportunidades na zaga exatamente para ir se preparando.
Além de “Gooch”, Jovanovic já declarou várias vezes o desejo de sair. Mas a eventual ausência do sérvio, mesmo sentida (“Jova” era o homem que acalmava as coisas no ataque, quando Mbokani não dava sorte), pode ser preenchida pelo marfinense Gohi Bi, também usado como promessa. Fora as duas prováveis defecções citadas, nenhuma perda deve ocorrer. Mbokani? Fica. Defour? Já disse que da Bélgica não sai. Witsel? Confirmou a permanência mesmo antes do fim da temporada passada – no qual, diga-se de passagem, foi um dos grandes responsáveis pela conquista do bi.
Na defesa, Sinan Bolat conseguiu conquistar, com apenas algumas rodadas, o status de titular inquestionável no gol do Standard, fazendo com que Espinoza saísse pela porta dos fundos. Enfim, o único senão ao favoritismo do Standard é a necessidade de concentrar-se também na disputa da fase de grupos da Liga dos Campeões. Mas é algo superável, para um grupo cada vez mais próximo de ser mantido, em sua maioria. E que manterá o Standard como o time a ser perseguido, mais uma vez, na Bélgica.
Westerlo
Estádio: Het Kuipje (7.903 lugares)
Técnico: Jan Ceulemans
Estrela: Jaime Alfonso Ruiz (atacante)
Fique de olho: Soufiane Bidaoui (meio-campista)
Quem chegou:
Steven de Petter (m, Bélgica) – Dender
Soufiane Bidaoui (a, Marrocos) – Diegem Sport
Glenn van Asten (m, Bélgica) – Heist
Quem saiu:
Sergio Hellings (d, Holanda) – Roeselare
Getúlio Vargas (g, Brasil) – fim de contrato Nicolas Timmermans (d, Bélgica) – Mons
Tom van Imschoot (m, Bélgica) – fim de contrato
Pretensão: lugar no play-off do título
Devagar, Jan Ceulemans faz um trabalho absolutamente seguro no comando do Westerlo. Tão seguro que já até o coloca como um dos destaques entre os técnicos do país. Isso foi comprovado já na temporada passada, quando o clube conseguiu um lugar entre os seis primeiros.
Mais do que isso: mostrando uma defesa de nível respeitável, liderada pelo veteraníssimo Nico Van Kerckhoven, e contando com as atuações abençoadas do colombiano Ruiz, que encerrou a Jupiler passada com o posto de principal goleador debaixo do braço, superando até Dieumerci Mbokani. Sem grandes mudanças no elenco, e com reforços modestos, o Westerlo também é um time a ser olhado com atenção.
Zulte-Waregem
Estádio: Regenboogstadion (8.500 lugares)
Técnico: Francky Dury
Estrela: Kevin Roelandts (meio-campista)
Fique de olho: Khaleem Hyland (meio-campista)
Quem chegou:
Khaleem Hyland (m, Trinidad e Tobago) – Portsmouth
Teddy Chevalier (a, França) – Francs Borains
Steffen Ernemann (m, Dinamarca) – Silkeborg
Kevin Goeman (g, Bélgica) – Lens
Badis Lebbihi (d, França) – Lille
Jérémy Taravel (d, França) – Lille
Jorgo Waeghe (a, Bélgica) – Roeselare
Quem saiu:
Loris Reina (d, França) – Kortrijk
Nikica Jelavic (a, Croácia) – Rapid Viena
Janis Coppin (a, Bélgica) – Mons
Khalifa Sankaré (d, Senegal) – Mons
Pretensão: vaga na Liga Europa
O Essevee está a um “se” para executar uma boa campanha na liga. “Se” conseguir manter o embalo mostrado após a pausa de inverno, na temporada passada, pode sonhar até com posição melhor do que o 5º lugar com que ficou. Condições para tanto, existem. Francky Dury já vai para seu sétimo ano à frente da equipe, mostrando, cada vez mais, capacidade de montar equipes jovens, baratas e promissoras – já na equipe passada, criou o destaque Mbaye Leye, rapidamente comprado pelo Gent. Outro clube apostando em trabalho paciente para, quem sabe, surpreender.



