Holanda

Fora da festa

Após um início irregular, o PSV vai se recompondo e é líder do Campeonato Holandês. O Twente se mantém altamente regular, e segue à espreita dos Eindhovenaren, na vice-liderança. Ajax e Feyenoord fazem campanhas mais discretas, mas nada impede que despontem em algum momento, ainda. Vitesse e Utrecht fazem campanhas satisfatórias – no caso do primeiro, tendo direito até a sonhar com o título nacional.
Sente falta de algum time? Pois é. O AZ é a exceção à regra: está bastante afastado da disputa pela liderança da Eredivisie. Pior: está bastante afastado até da disputa pelas vagas nas competições europeias. Risco de rebaixamento? Não – ainda, pelo menos. Mas a campanha dos Alkmaarders está bastante apagada: até agora, o que há é o 12º lugar. E com um desempenho muito irregular: três vitórias, cinco empates e cinco derrotas.
E, na última partida, o que houve foi um empate também insatisfatório: apenas 1 a 1 com o Groningen. Surpreendente para um time que pôde ser considerado o melhor holandês da temporada passada, fora do Trio de Ferro: na Liga Europa, seguiu até as quartas de final. E, na Eredivisie, a equipe ficou na quarta colocação, a mesma posição de 2010/11. Até mesmo na temporada atual, havia resquícios: a equipe chegou a participar dos play-offs por vaga na Liga Europa, sendo eliminada pelo Anzhi.
Talvez fosse possível dizer que a saída de Niklas Moisander tenha exercido algum tipo de influência na queda de desempenho do AZ. Afinal, o defensor finlandês não só fornecia segurança, como exercia um tipo saudável de liderança dentro do elenco. Ainda assim, dizer que a saída de apenas um jogador é responsável pela decadência de um time é bastante relativo. Ela ajuda, mas é apenas um possível motivo.
Até porque a base da equipe treinada por Gertjan Verbeek continua a mesma. O goleiro Esteban, o zagueiro Nick Viergever, os meio-campistas Maarten Martens e Adam Maher (este, ainda visto como dono de um futuro promissor no futebol holandês), o ataque com Viktor Elm, Roy Beerens e Jozy Altidore – que deve ficar em Alkmaar, a despeito de alguma oferta que é feita aqui e ali… todos estão lá.
Um outro motivo que poderia ser abordado é o da “fadiga de materiais”: o velho caso de um time que não rende mais sob um certo treinador, e dá mostras de que mudanças são necessárias. Aí até poderia surgir uma discussão interessante. Mas que ainda não tem provas concretas: não há nada, na imprensa holandesa, que induza ao pensamento de que Verbeek terá vida curta no AFAS Stadion. Nem mesmo há “vazamentos” de histórias dando conta de rachas no elenco, ou de discordâncias com o técnico.
Sendo assim, deve-se pensar que a resposta pode estar no fraco desempenho do AZ em jogos fora de casa no Holandês: o time só venceu uma das sete partidas que fez saindo do seu estádio. Porém, essa única vitória veio contra um time que anda por cima na Eredivisie: 2 a 1 no Vitesse, a única derrota que os aurinegros ostentam até agora na liga. Ou seja, apesar do desempenho irregular, há alguma chance de evolução. Que tem nova oportunidade para florescer, com a partida contra o Feyenoord, na 13ª rodada, no próximo domingo. Uma vitória talvez trouxesse esperanças de reação. O AZ anda precisando disso.
Adianta alguma coisa?
O “Bayern do Amstel”. Depois da nomeação de Edwin van der Sar como diretor de marketing do clube (com o auxílio do executivo Michael Kinsbergen, mais experimentado na área), o ambiente no Ajax levou o ex-jogador Willem van Hanegem a cunhar este apelido para um possível “cenário” que tomaria conta do clube de Amsterdã, em sua coluna no jornal “Algemeen Dagblad”. Afinal, como no clube alemão, ex-jogadores que fizeram fama às margens do rio Amstel ganharam destaque no cenário interno.
Senão vejamos. Frank de Boer é o técnico da equipe, auxiliado por Dennis Bergkamp; Marc Overmars é o diretor de futebol; e a entrada na diretoria de marketing é apenas o primeiro passo para que Van der Sar, recém-diplomado em administração esportiva, cumpra o papel que o maior de todos os ex-jogadores, Johan Cruyff, espera dele: ser o diretor geral do Ajax, algo parecido com o que Karl-Heinz Rummenigge é no Bayern. Cruyff deixou isso claro: “Van der Sar é o homem ideal para um posto-chave no Ajax. Ele significou muito no futebol, e é muito inteligente”.
Tudo muito bom, tudo muito bem, tudo andando como Cruyff queria, desde que voltou a participar mais dos destinos do clube em que fez história. No entanto, não é o bastante. E Van Hanegem também apontou isso em sua coluna: “Não se trata somente de trazer ex-jogadores para o clube, para que as coisas sejam melhor administradas”.
E a melhor mostra de que não será tão fácil “trazer o Ajax novamente para perto do topo da Europa”, como Cruyff escreveu em sua coluna semanal no diário “De Telegraaf”, foi o 4 a 1 inapelável do Borussia Dortmund, que dizimou o sonho das oitavas de final da Liga dos Campeões. Aproveitando a fragilidade defensiva do time holandês, os aurinegros exibiram, melhor do que qualquer mudança no organograma, que não adianta tentar tornar um clube mais moderno, se os resultados em campo não melhorarem. O caminho será muito, muito longo. Se é que há caminho.

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