Feyenoord e Vitesse: agora eles são os protagonistas
Na semana passada, era evidente que Ajax e PSV fariam o jogo mais esperado da 30ª rodada do Campeonato Holandês. No mínimo, o resultado da partida no Philips Stadion definiria quem iria para o final da Eredivisie com mais vontade e melhores condições de faturar o título. Quis o destino que o time de Amsterdã se mantivesse mais calmo em campo, não se desesperasse ao ficar com o placar empatado duas vezes, e fosse premiado com a falha de Erik Pieters, que deixou Derk Boerrigter ultrapassá-lo, dar um toque maroto na bola e fazer o 3 a 2 final, colocando os Ajacieden na rota do tricampeonato que eles não veem desde 1996.
E a partida entre os de Amsterdã e os de Eindhoven ficara ainda mais decisiva pelos tropeços de Vitesse e Feyenoord. Enquanto os Arnhemmers tiveram uma bobeada gigantesca – venciam por 3 a 0, e deixaram o Roda empatar -, o Stadionclub não saiu do empate com o RKC, por 1 a 1. Tais fatores não só deram razões ao Ajax para agradecer mais o triunfo que viria no domingo, mas também fizeram com que a partida principal desta 31ª rodada se desse no De Kuip, no próximo domingo. Porque ela vai reunir justamente… Feyenoord e Vitesse.
E não é porque ambos empataram e viram suas chances de título diminuídas que o jogo perdeu em importância. Vice-líder, o Vitesse ficou cinco pontos atrás do Ajax; já o Feyenoord permaneceu na quarta posição, com seis pontos de distância do líder. Mas é justo dizer que a temporada de ambos continua sendo bastante honrosa. Bem ou mal, ambos continuam nas primeiras posições da tabela. E ainda pensam em prêmios de consolação que seriam muito adequados para ambos.
Principalmente no caso do Vitesse. A equipe conseguiu se reerguer, relativamente, das turbulências por que já passou. E conseguiu se refazer a ponto de estar na segunda posição da Eredivisie – feito muito honroso, e que até colabora para a ambição do dono do clube, Merab Jordania, que é fazer do clube campeão nacional em 2015. Aliás, não custa lembrar que ainda há chance de ocorrer o que seria o primeiro título de Eredivisie da história do Vitesse.
Mas isso é secundário. O que importa, no final das contas, são os jogadores. E alguns deles voltaram a brilhar dentro do Vitesse. Como Theo Janssen. Talvez pelo alerta que fez (o de poder abandonar a carreira, aos 31 anos, caso a equipe conquiste o título), o meio-campista voltou a ditar o ritmo da equipe, auxiliando o jovem Marco van Ginkel e estando mais calmo em campo, após ficar suspenso por três jogos, em razão de uma expulsão no 2 a 2 contra o PSV. Ainda há Mike Havenaar, que cresceu bastante nos últimos jogos, tendo marcado dois gols contra o Roda.
Mas é impensável falar do Vitesse, em 2012/13, sem fazer referência a Wilfried Bony. A relação de fatos que o atacante marfinense tem trazido a cada rodada fala por si. Para começo de conversa: juntando Campeonato Holandês, Copa da Holanda e a terceira fase preliminar da Liga Europa (quando o Vitesse foi eliminado pelo Anzhi), Bony já fez 35 gols na temporada. É o terceiro maior artilheiro atuando na Europa em 2012/13, só perdendo para Lionel Messi e Cristiano Ronaldo – que pairam tranquilos e infalíveis como Bruce Lee, atualmente.
Não é só isso. Com os 30 gols marcados pelo Holandês, Bony está a quatro gols de igualar o recorde de um atacante com a camisa aurinegra do Vitesse na história do torneio (o grego Nikos Machlas fez 34, na temporada 1997/98). E tem mais: já são nove rodadas consecutivas em que o marfinense coloca a esférica no filó do adversário, o que o deixa a duas do recorde da Eredivisie, também pertencente ao Vitesse: Pierre van Hooijdonk marcou por 11 rodadas seguidas em 1993/94. Dificilmente há melhores credenciais para o marfinense conseguir a transferência que deseja (e certamente terá) para um centro maior do futebol europeu.
Só que o adversário do Vitesse joga em casa. E o Feyenoord é rei em De Kuip, onde já não perde há 25 partidas pelo Campeonato Holandês. Além disso, a equipe alvirrubra anda seca para recuperar o tempo perdido e manter as esperanças de encerrar o jejum de 14 anos. Não é nem o caso de querer muito, mas de precisar, mesmo. Porque o Stadionclub apresentou fragilidades pouco alvissareiras, nas últimas rodadas.
Contra o Heerenveen, há três rodadas, a equipe tinha a grande chance de provar que podia vencer sem Graziano Pellè, suspenso pelo quinto cartão amarelo. Conseguiu cozinhar o jogo por um bom tempo, esperando o momento de partir para definir a partida fora de casa, no contra-ataque. O que não se esperava era que as falhas na defesa permitiriam à equipe da Frísia vencer por 2 a 0, diminuindo o ímpeto dos Feyenoorders.
Pior: essas mesmas falhas fizeram com que a equipe não conseguisse segurar o RKC na rodada passada, levando um gol que decretou o empate em 1 a 1, impossibilitando o Stadionclub de ultrapassar PSV e Vitesse e manter a caça ao Ajax. Pior ainda: a julgar pelas duas últimas partidas, a “Pellè-dependência” ficou escancarada. Na 29ª rodada, vitória por 1 a 0 sobre o VVV-Venlo; na 30º, o empate supracitado. Desnecessário dizer quem fez os dois gols do Feyenoord nessas partidas.
De todo modo, o italiano é ajudado por gente como Clasie, Trindade de Vilhena e Schaken, que atuam bem. E são esses personagens que mantêm o Feyenoord com esperanças de alcançar as fases preliminares da Liga dos Campeões, como nesta temporada. E que podem ajudá-lo contra o Vitesse, num jogo que provavelmente definirá quais serão os finais de duas campanhas honrosas. Ou não. Afinal de contas, vai que o ultrafavorito Ajax tropece em casa contra o ascendente Heerenveen…



