Holanda

Feio é bonito

Sabe-se que o Anderlecht é um dos grandes clubes da Bélgica – para muitos, o maior. Sabe-se que o clube vive sempre perto do título da Jupiler League, embora só o tenha conquistado duas vezes nos últimos cinco anos. E sabe-se, também, que a equipe anda decepcionando por muitas vezes, nas temporadas mais recentes. Demasiadas vezes, para uma equipe tida como promissora – e que conta com um sério trabalho de Ariël Jacobs à frente dos Paars-wit, há cinco anos.

Pegue-se como exemplo os jogos especiais para decidir o campeonato da temporada 2008/09: mesmo enfrentando um Standard que sofria com algumas polêmicas nascentes (por exemplo, o desejo de sair por parte de alguns atletas), o time não evitou o bicampeonato dos Rouches. Em 2010/11, houve o fracasso na tentativa de chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões, deixando a vaga para o Partizan em casa, nos pênaltis. Na última temporada, a queda no hexagonal pelo título. E, em 2011/12, após uma primeira fase perfeita na Liga Europa, a queda para o AZ, logo na segunda fase.

E, dentro da alternância vista no Play-Off I, cujo vencedor conquistará a liga, os Mauves viam um grande perigo de desperdiçar uma liderança que chegou a ser de vários pontos. Tiveram um início horrível, com apenas três pontos conquistados nas primeiras quatro partidas. Pode-se dizer que a equipe só não perdeu a liderança porque Club Brugge e Gent também desperdiçaram pontos. Era hora, então, de jogar para o título, apenas.

É o que a equipe de Ariël Jacobs vem fazendo. E isso fez com que a roda da fortuna parasse de girar. Ou melhor, girasse somente a favor do Anderlecht. Principalmente a partir da quinta rodada do hexagonal pelo título, quando a equipe venceu o Club Brugge – por 1 a 0. Mas foi na partida seguinte que o título voltou a ficar próximo: além da goleada sobre o Racing Genk (4 a 0), o Brugge caiu por 1 a 0, para o Gent. Resultado: novamente, uma vantagem confortável de sete pontos. Bastou vencer o Gent, no meio desta semana, por 1 a 0, para ficar a apenas um ponto do título, que pode ser garantido no próximo domingo, recebendo justamente o arquirrival Club Brugge no Parc Astrid.

Houve críticas a esse estilo mais pragmático? Evidente. No jogo contra o Gent, os Búfalos tiveram uma atuação melhor, e ficaram várias vezes perto do empate, parando na ótima atuação de Silvio Proto, no gol. Desde então, a opinião geral, na Bélgica, é de que o Anderlecht será um campeão imerecido. Prontamente, o presidente Roger Vanden Stock reagiu: “Campeão é campeão”. Já Cheikhou Kouyaté compreendeu: “Contra o Gent, os três pontos eram o mais importante. Mas entendemos que o público quer ver um melhor Anderlecht.”

E, nessa sequência de três vitórias, se houve um protagonista, ele foi brasileiro. Rubenilson dos Santos da Rocha, mais conhecido como Kanu, marcou dois gols contra o Racing Genk, e garantiu a vitória contra o Gent. Virada grande para o baiano de Salvador, surgido no Grêmio Barueri, que mal era relacionado para as partidas, há algum tempo. A razão da mudança? Segundo José Garcia, auxiliar de Ariël Jacobs, “agora, a esposa e os filhos dele estão na Bélgica, e ele vive mais de acordo com um jogador profissional. Por meses nós conversamos com ele.”

Bom para o Anderlecht, até porque Matías Suárez, o grande destaque da temporada, não jogará contra o Club Brugge, suspenso por cartões amarelos. Kanu certamente será titular de uma equipe que até merecerá o título, por ter sido melhor na temporada regular, e ser a única a ter dois indicados à melhor jogador da temporada (Mbokani e Suárez). Mas que teve de mudar para continuar onde estava: à beira do título. Jogou feio, mas está bonita.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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