Holanda

Falta pouco

No dia 6 de março, o tema principal desta coluna era o Twente. Bem, para falar a verdade, não especificamente o clube de Enschede, e sim sua aparente incapacidade para dar saltos maiores e ocupar o lugar que era do AZ. Isto é, ser o time que perturbava o Trio de Ferro e conseguia até superá-lo, para conquistar títulos. A eliminação nos 16-avos de final da Copa Uefa, para o Olympique de Marselha, em casa, com vantagem de 1 a 0 no jogo de ida, ampliava essas indagações. Ficava a dúvida sobre o Twente, que intitulava a coluna: “O que falta?”.

Passados quase oito meses desde a coluna, a resposta parece ser dada nesta Eredivisie. Há quase um ano sem perder dentro de casa, com quatorze vitórias e quatro empates, o Twente é a única equipe invicta no Campeonato Holandês, ao lado do PSV, com nove vitórias e dois empates. Por ter uma vitória a mais do que os Eindhovenaren, lidera o torneio. Além disso, ainda tem boas chances de classificar-se para a próxima fase da Liga Europa – em que pesem tropeços pouco alvissareiros.

Mais do que isso: a equipe de Steve McClaren continua mostrando em seu estilo de jogo a mesma coesão que já a levara a um merecido vice-campeonato, na Eredivisie 2008/09. E, melhor ainda, a equipe não se abateu com as baixas que vieram na janela de transferências – e foi atrás de reforços com a competência que já começa a ficar costumeira.

Esta precisão cirúrgica na hora de repor as perdas facilita demais o trabalho de McClaren. Exemplos disso estão na lateral esquerda e no ataque. Na posição canhota, quando Edson Braafheid foi-se para o Bayern de Munique, houve inteligência para perceber que o Feyenoord estava se desfazendo de Dwight Tiendalli, jogador frequente em seleções de base na Holanda, mas que teve raras chances no Stadionclub, de uns anos para cá. O Twente aproveitou o fim de contrato, assinou com Tiendalli, e este já virou titular absoluto – até marcando gols, como no belíssimo chute de fora da área que abriu o placar para os 4 a 0 contra o Groningen.

E se o trio de ataque que tanto sucesso fez na última temporada foi dizimado, com as saídas de Elia e Arnautovic, foi a vez dos Tukkers aproveitarem as conexões com grandes clubes. Já mantendo uma relativa tradição em emprestar jogadores do Chelsea, o elenco ganhou o eslovaco Miroslav Stoch – que é menos técnico do que Elia, mas mantém agilidade pela esquerda. E o costarriquenho Bryan Ruiz está saindo-se melhor, na comparação com Arnautovic. Após 11 rodadas na temporada passada, o austríaco marcara apenas dois gols; Ruiz já fez sete, mesmo atuando mais pela direita.

E um dos gols marcados por Ruiz indicam outra qualidade do Twente: o inesgotável espírito de reação, que apareceu em duas partidas contra rivais potenciais pela liderança. Contra o Utrecht, a equipe empatava em 2 a 2. Mesmo em casa, o jogo era difícil: a equipe até virou o jogo contra os Utregs, mas permitiu o empate. E, aos 45 minutos do segundo tempo, o camisa 22 fez o gol da vitória.

Contra o AZ, a vitória foi ainda mais elogiável. Kenneth Perez abriu o placar, mas os Alkmaarders viraram. Pois Ruiz empatou e, novamente no instante final do jogo, Blaise Nkufo fez o terceiro, extasiando a torcida no Grolsch Veste. Não bastasse já ser um dos símbolos do Twente, transformando-se no maior artilheiro da história do clube (104 gols, desde 2003), Nkufo também continua bastante apurado nas finalizações, com sete gols marcados na Eredivisie. Mesmo assim, seus gols mais importantes vieram na Liga Europa: os dois da virada sobre o Fenerbahçe, em pleno Sukru Saraçoglu.

É claro que o Twente ainda não está totalmente imune a falhas. O empate sem gols contra o Steaua Bucareste e a derrota para o Sheriff Tiraspol, ambos na Liga Europa, são provas disso – e causam irritação em Steve McClaren. Mas a equipe mostra plenas condições de ir além. E, quem sabe, ocupar nesta temporada o lugar que foi do AZ.

Crônica de uma falência anunciada

Ao consultar a coluna do dia 6 de março para falar sobre o Twente, foi encontrada mais uma coincidência. Falando sobre a Jupiler League, o texto ressaltava que o Excelsior Mouscron teve ótimo começo, mas que as ameaças de falência que já afligiam o clube encarregaram-se de fazer com que os bons resultados rareassem. Mesmo assim, a equipe ainda terminou na 11ª posição, mais longe do rebaixamento.

Pois, agora, a falência virou uma realidade praticamente inescapável para os Hurlus. Por mais que o empresário Philippe Dufermont tenha tentado salvar o clube, injetando até € 8 milhões nos últimos dois anos, o Excelsior viu sua permanência no campeonato ficar quase insustentável na terça, quando a KBVB cancelou a licença do clube no futebol profissional.

Não deixa de haver certa tristeza no fato. A equipe tem talentos como Walter Baseggio (que não tem jogado, em tratamento por um câncer na tireóide) e Idir Ouali, que disputou ativamente a artilharia do campeonato, na temporada passada. Após reunião, a diretoria ainda afirma que apelará da decisão da federação. Porém, são grandes as chances de a partida contra o Standard Liège, pela 13ª rodada, ser a última partida da história do Excelsior Mouscron. E de a Jupiler League passar a ter apenas 15 clubes.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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