Falhas no caminho

André Krul é um goleiro, de 25 anos – não, apesar do sobrenome e da posição, nenhum parentesco com Tim. E, após ser cedido pelo Utrecht a clubes menores da Holanda (Telstar, Sparta Rotterdam e AGOVV Apeldoorn) encontrou vaga no Valletta, de Malta, que está na segunda fase preliminar da Liga dos Campeões – por sinal, levou 4 a 1 do Partizan na ida. Mas o interessante foi o que Krul falou sobre o jogo contra o Lusitanos, de Andorra: “Não lembrava tanto a Liga dos Campeões. Não havia o hino antes do jogo, nem o emblema nas camisas.”
Se os jogos da segunda fase preliminar da maior competição futebolística interclubes do mundo têm esse clima anônimo, o que dizer da Liga Europa, prima pobre? Pois bem: poucos prestaram atenção, mas ela já começou para os clubes holandeses. Vitesse e Twente entraram em campo, contra Lokomotiv Plovdiv (Bulgária) e Inter Turku (Finlândia), respectivamente. E os dois times já viram que ainda têm algum trabalho no resto de pré-temporada que sobra até 10 de agosto.
Essa constatação foi feita principalmente pelos Tukkers. Apesar de viver certo momento de reestruturação em alguns setores, e ter uma base pronta, o jogo contra o Inter Turku mostrou ao Grolsch Veste um Twente frágil na defesa (em que pese ter feito o cruzamento para o gol de Dusan Tadic, Roberto Rosales ofereceu muito espaço pela esquerda). E ainda em processo de definição no ataque. Sem Luuk de Jong – que conseguiu a transferência desejada para o Borussia Mönchengladbach, após algum período de discussões com a diretoria do Twente -, Glynor Plet foi colocado no centro do ataque. Não só não deu certo, como Plet parece estar de saída de Enschede (provavelmente, para o NEC).
Fica, então, a dúvida sobre o substituto de Luuk no papel de principal finalizador. Provavelmente, a tentativa cairá sobre Dmitri Bulykin, dispensado pelo Ajax. Isso, se o plano A não der certo: pagar à Internazionale os 5 milhões de euros que ela solicita, e repatriar Luc Castaignos. O que será bem difícil, nas palavras do presidente Joop Munsterman (“Castaignos é uma opção muito boa, e pensamos nela, mas precisamos falar com a Inter primeiro. Precisamos de mais atacantes, porque nunca se sabe o que eles querem”).
Por sinal, do lado do Vitesse o problema também foi verificado na defesa. Fora de casa, a equipe do recém-chegado Fred Rutten conseguiu um feito de honra duvidosa: foi o primeiro time holandês, em toda a história do país em competições europeias interclubes, a fazer quatro gols e não vencer um jogo. Porque, se o ataque mostrou ser promissor, com Wilfried Bony e Jonathan Reis (tendo Marco van Ginkel e Nicky Hofs como coadjuvantes), a defesa permitiu que o Lokomotiv Plovdiv empatasse o jogo por 4 a 4.
Clubes holandeses darem vexames nas fases preliminares da Liga Europa não é nada muito inédito, também: afinal, em 2010/11, o PSV perdeu por 1 a 0 para o Sibir, da Rússia. E aplicou 5 a 0 na volta. No entanto, são, sim, um sinal de que as coisas precisam ser revistas antes do início. Nem tanto para o Vitesse, que ainda joga a volta em casa. Mas principalmente para o Twente, que terá de solucionar as coisas em Turku. Com ou sem novo atacante.
Agora é só você
E enfim, Jan Vertonghen se foi. Demorou um pouco, mas o zagueiro belga tentará realizar, no Tottenham, o que se espera que ele possa ser: um dos grandes jogadores de defesa do continente. Restará a Toby Alderweireld mostrar se chegou a hora dele mostrar que é um zagueiro tipicamente formado nas hostes do Ajax: habilidoso, com capacidade para sair ao ataque e espírito de liderança, como os que vieram antes dele. Não só Vertonghen: Ruud Krol, Frank de Boer…
Pelo menos até agora, sem muitos problemas. Até porque o Ajax pegou adversários fracos na pré-temporada, e, claro, os goleou (5 a 0 no Emmen e 5 a 1 no Veendam, da segunda divisão holandesa; 8 a 0 no Noordwijk, da terceira divisão). O único digno de mais nota será o Celtic, no próximo sábado. Ainda assim, pelo que mostrou desde que virou titular, Alderweireld ainda é nervoso em demasia, em alguns momentos. Vai para o ataque sem pensar nas consequências. E, decididamente, não é tão hábil quanto Vertonghen é, ao sair com bola dominada. Mas, também, já demonstrara possibilidades de logo ser assim. Pois bem, hora chegada. É com Alderweireld.



