Estréias opostas para os treinadores

Começo de temporada quase sempre é sinônimo de estréias – ou, então, de recomeçar um trabalho já desenvolvido. Esses parecem ter sido os casos das seleções belga e holandesa, em suas atuações. Enquanto René Vandereycken iniciou nova fase de seu trabalho, desta vez destinada a levar os Diabos Vermelhos de volta a uma Copa do Mundo, a Oranje mostrou algumas reformulações a que foi obrigada após a boa campanha na Euro 2008. E mesmo as reformulações apresentadas no empate por um gol contra a Rússia, algoz na Euro, não foram tão dramáticas.
Stekelenburg, por exemplo, já vinha ganhando oportunidades há algum tempo no gol e era quase natural que fosse o sucessor de Van der Sar. E, se a aposentadoria de Ruud van Nistelrooy foi surpreendente, até certo ponto, Klaas-Jan Huntelaar é, atualmente, o atacante com estilo de jogo que mais se assemelha ao do atacante do Real Madrid. Talvez, “Hunter” precise mais é de confiança para que possa virar a referência ao meio-campo holandês.
Mesmo com algumas ausências, como a de Boulahrouz, Engelaar e Sneijder, o desempenho do time de Bert van Marwijk foi considerado satisfatório pela opinião pública do país. Com a volta de Mark van Bommel, após dois anos fora do time por problemas de relacionamento com Marco van Basten, a cabeça-de-área holandesa ganhou em combatividade, com a dupla Van Bommel-De Jong, elogiada por Van Marwijk após o jogo. E o mais alvissareiro: mesmo longe do brilhantismo demonstrado há dois meses, o meio-campo prosseguiu sendo o ponto forte da seleção, algo demonstrado, entre outras coisas, pelo bom desempenho de Robin van Persie, autor do gol que abriu o placar no Lokomotiv Stadium.
É bem certo que o empate russo, em pênalti surgido após Van Bronckhorst – novo capitão da Oranje – derrubar Torbinski e convertido por Zyryanov, deixou um gosto amargo em todos que esperavam uma vitória que amenizasse a ainda sentida eliminação no Europeu. Mas, ainda assim, a sensação geral na Holanda é de que a ida à África do Sul é mais do que possível.
Preocupação belga
Do lado dos Diabos Vermelhos, a atuação contra a Alemanha causou apreensão para o início da campanha nas Eliminatórias da Copa, a serem iniciadas em 6 de setembro, contra a Estônia. Como a campanha belga nos Jogos Olímpicos tirou de Vandereycken a possibilidade de chamar jovens que já vêm sendo testados com a camisa vermelha, como Mirallas e Dembele (além, é claro, dos não-liberados Kompany e Fellaini), restou a aposta em veteranos como Bart Goor, Wesley Sonck e Filip Daems, de volta à seleção após quatro anos.
Entretanto, o time foi considerado muito defensivo. A falta de tentativas no ataque possibilitou que a vice-campeã européia chegasse, mesmo sem muito esforço, ao gol de Stijn Stijnen, que conseguiu segurar investidas de Podolski e Trochowski, no primeiro tempo. Entretanto, mesmo com as subidas de Timmy Simons ao meio-campo, na tentativa de alimentar um isolado Goor no ataque, o segundo tempo não possibilitou uma melhora. Schweinsteiger, em pênalti de Van Buyten sobre Mario Gomez, abriu o placar, aos 11.
Porém, o alemão que destruiu definitivamente as esperanças belgas foi Marko Marin. Em sua segunda partida com a camisa do Nationalelf, o meia do Borussia Mönchengladbach substituiu Hitzlsperger e atormentou a defesa belga até fechar o placar, aos 32, em bonito chute de longe.
Evidentemente, deve-se ressaltar que é apenas o começo da nova fase do trabalho de René Vandereycken, de contrato renovado. Mas é inegável que haja preocupação, quando um time já acumula três derrotas consecutivas. Ainda mais se o grupo das Eliminatórias contém a nova campeã européia e uma motivada Turquia.



