Holanda

Espantando o fantasma

Na análise da primeira metade da temporada no futebol belga, esta coluna disse que o Anderlecht mostrou sinais perigosos de irregularidade, apesar de manter o favoritismo ao título da Jupiler League. E que estar alerta desde o recomeço do torneio seria fundamental para os Mauves, se quisessem confirmar a posição de melhor time do país que aparentavam ter. Para tanto, duas das três primeiras partidas de 2012 seriam muito importantes.

Porque o jogo que marcava a volta da liga, na 20ª rodada, era o clássico contra o Club Brugge. E os Azuis-e-Negros, embora na terceira posição, mais atrás, não deixavam de ser concorrentes ao título. E, dali a duas rodadas, viria o confronto direto contra o Gent, vice-líder – vale lembrar, aqui, que os Búfalos estavam apenas um ponto atrás do Anderlecht ao final de 2012. E, no meio, mais um jogo difícil, contra o Kortrijk, talvez a grande surpresa positiva do campeonato.

Pois bem: o time de Ariël Jacobs tem o saldo mais positivo que poderia imaginar. Ganhou as três partidas, com superioridade clara. E, graças a tropeços dos rivais diretos (o Gent perdeu do Lierse e empatou com o Zulte Waregem; o Brugge perdeu para o Mechelen), abriu uma vantagem de nove pontos na liderança da fase regular, a oito rodadas da definição dos participantes do hexagonal.

No clássico contra o Brugge, o Anderlecht se impôs com facilidade: já nos primeiros minutos, Mbokani abriu o caminho para o 3 a 0. O Gent ofereceu mais dificuldades, é verdade. Até começou vencendo, com Jesper Jorgensen. Mas logo o líder se acalmou e virou o jogo no Constant Vanden Stock, concluindo com um inapelável 3 a 1. E ambas as partidas somente acentuaram o estrelato de dois jogadores nos Paars-wit.

Artilheiro da Liga Europa, Matías Suárez encerrou 2011 recebendo o justo prêmio de Chuteira de Ouro, como melhor jogador atuando na Bélgica (o país tem o costume de premiar o melhor da temporada, no meio do ano, e o melhor do ano, ao final deste). E começou 2012 como um daqueles jogadores que, volta e meia, são envolvidos em boatarias de mercado – houve quem falasse até em ida para o Arsenal, já na atual janela de transferências. Mas o argentino deverá ficar em Parc Astrid.

Por sua vez, Milan Jovanovic voltou a se sentir bem no futebol belga. Chegando como incógnita após a péssima passagem pelo Liverpool, o sérvio se solidifica, mais e mais, como o ponto de segurança no ataque do time, uma das fontes de experiência que acalma o time na ausência de jogadores ainda mais antigos – Lucas Biglia recupera-se de lesão, e Olivier Deschacht anda em má fase. A importância de “Jova” foi descrita por Ariël Jacobs, após o jogo contra o Kortrijk – definido num pênalti duvidoso convertido por Gillet: “Eu queria dizer a ele que, sem dúvida alguma, ele fez sua melhor atuação na temporada.”

Mesmo considerando que a pontuação das seis equipes que disputarão o título será diminuída pela metade no hexagonal, a diferença que o Anderlecht conseguiu o torna, sem dúvida, favorito ao título belga que deixou escapar em 2011. E deixou escapar exatamente pelo fantasma da falta da concentração. Esta, hoje, sobra ao time. Que se coloca como favorito contra o AZ, na segunda fase da Liga Europa.

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