Holanda

Enfim, acabou

Por mais que a reação para o bicampeonato tenha sido comovedora, o final da última temporada já dava sinais de que o domínio que o Standard Liège vinha construindo na Bélgica começava a ruir. Tanto pelo desejo mal-disfarçado de alguns jogadores em deixar Sclessin rumo a centros maiores do futebol europeu, quanto pelas também mal disfarçadas rusgas que começavam a aparecer entre os jogadores.

Contudo, os Rouches começaram a Jupiler League atual com a mesma base que rendeu à equipe dois títulos. De modo até surpreendente, apenas Oguchi Onyewu saiu, dentre os integrantes realmente importantes da equipe. Porém, logo na primeira rodada, já veio a impressão de que algo não ia bem, quando o time suou para sair do Maurice Dufrasne com apenas um empate por 2 a 2 com o Sint-Truiden.

E por todo o campeonato, o Standard dá a impressão de ser uma equipe que promete reagir, que até tem jogadores talentosos o bastante para tanto, mas que não engrena de maneira alguma. A alta quantidade de empates, ou mesmo a campanha na Liga dos Campeões, também fazia com que a equipe não tivesse muita atenção com o Campeonato Belga.

Paralelamente a tudo isso, os pequenos problemas vinham se avolumando: a ausência de Steven Defour, que ficou de fora do campeonato por todo o final de 2009; a suspensão de Axel Witsel, pela falta infeliz cometida contra o Anderlecht, no primeiro turno; e, vez por outra, algumas escaramuças surgidas entre os próprios atletas.

No fim das contas, a garra sempre acabava por eclipsar tais problemas. Exemplo maior disso foi a garantia de vaga na Liga Europa: o time perdia por 1 a 0 para o AZ, em casa, na última partida, até que Sinan Bolat partiu para a área e, de cabeça, marcou o gol que deu aos Liègeoises o terceiro lugar do grupo H. Enfim, nas horas necessárias, o grupo se unia para resolver os problemas.

Pelo menos, aparentemente. Pois, na Jupiler League, o que aparecia sempre era a incapacidade para vencer adversários menores. Daí, avolumavam-se (e avolumam-se) resultados surpreendentes, até certo ponto. Como a derrota por 2 a 0 para o Sint-Truiden, no começo do segundo turno. Ou o 1 a 0 sofrido para o Roeselare. Ou o 2 a 0 para o Cercle Brugge.

Até que tudo culminou com o vexaminoso 4 a 0 sofrido para o Anderlecht, em casa. E, finalmente, com nova derrota por 1 a 0, desta vez para o Racing Genk. Desde então, voltaram a aparecer as cisões internas. Em entrevista ao diário Het Nieuwsblad, o capitão Defour foi enfático: “Já estou cheio da mentalidade de alguns atletas, e falarei com eles nos próximos dias. É meu trabalho, como capitão, manter todos focados e atentos. Não merecemos ir aos play-offs, se continuarmos jogando assim. Não sei o que meus companheiros estão pensando, mas é claro que eles não estão focados no Standard Liège.”

Porém, dois fatos colaboraram ainda mais para fazer crer que a hora da reformulação, finalmente, chegou. O primeiro deles, confirmado após uma longa novela. Milan Jovanovic, finalmente, terá sua tão sonhada saída, rumo ao Liverpool, após assinar um pré-contrato por três anos, e irá para Anfield em junho. Não é tão surpreendente, já que o sérvio ensaiava a saída há certo tempo – de modo até escancarado demais, segundo alguns atletas. Mas causa problemas: afinal de contas, é o jogador mais ativo do ataque vermelho, por aliar noções de armação e finalização, ponto em que Mbokani, Igor de Camargo e Witsel falham.

E, na quarta, veio a demissão de Laszlo Bölöni. Como disse o diretor técnico (transformado em interino até o fim da temporada) Dominique D'Onofrio, a demissão foi “surpreendente”, até certo ponto. Mas escancarou, finalmente, como certas coisas andavam podres no clube. Chegou a hora da reformulação. Que seja pouco drástica – afinal de contas, o time ainda tem os 16-avos de final da Liga Europa, contra o Red Bull Salzburg. Mas que ela venha. Será necessária para que o Standard volte a brigar pelos títulos – e não se arraste apenas num sexto lugar opaco, brigando para entrar no mata-mata pelo título.

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Equipe Trivela

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