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Stekelenburg, Van der Wiel, Heitinga, Mathijsen e Van Bronckhorst; Van Bommel e De Jong; Kuyt, Sneijder e Robben; Van Persie. Esta era a escalação da seleção holandesa vice-campeã mundial. E tinha um ritmo de jogo considerável. Afinal de contas, todos os onze titulares supracitados eram constantemente escalados em seus times, presenças certas entre os titulares.
Seis meses depois da campanha histórica na África do Sul, a Oranje volta a se encontrar. E um olhar mais aprofundado para a pré-convocação de 25 jogadores rumo ao amistoso contra a Áustria, em Eindhoven, no dia 9 de fevereiro, revela como as últimas janelas de transferências têm sido benéficas para a equipe de Bert van Marwijk. Porque os jogadores do grupo que ainda não tinham espaço em suas equipes conseguiram mudar de ares. E, em seus novos clubes, ocupam lugares de destaque – ou, pelo menos, têm perspectivas mais sólidas de que isso aconteça.
Pode-se dizer que esse benefício começou com o caso de Van der Vaart. Nos três jogos em que pôde atuar antes da volta de Robben, na Copa, o camisa 23 se atrapalhou: além de, normalmente, atuar na mesma faixa de campo em que Sneijder estava, tinha seu ritmo de jogo prejudicado pela falta de atuações no Real Madrid. Algo justificavel: já então, o destino de VdV em Chamartín estava com os dias contados. O clube só esperava uma oportunidade para se livrar dele.
No último dia da janela de transferências, enfim, Van der Vaart achou o Tottenham. E reencontrou em White Hart Lane uma boa fase que não via desde os tempos de Hamburg: tomando conta do meio-campo, rapidamente se entrosou com Luka Modric e passou a ser bastante criativo na armação de jogadas. O que lhe beneficiou bastante, quando entrou no lugar de Nigel de Jong, durante a “geladeira” que Van Marwijk impôs a este, e não decepcionou ao lado de Van Bommel.
Mas as novidades foram ganhas mesmo com o atual espaço para compra e venda de atletas, neste mês. E o clube que mais ajudou a Oranje foi o Milan, ao comprar, praticamente de uma tacada só (as duas negociações foram concluídas num espaço de dois dias), Urby Emanuelson e Mark van Bommel. Como que provando que ambos não foram comprados somente para compor elenco, Massimiliano Allegri já utilizou os dois contra a Sampdoria, pelas quartas de final da Copa da Itália.
A parada de Van Bommel em Milanello foi absolutamente providencial para Van Marwijk. Afinal de contas, embora continuasse jogando constantemente no Bayern Munique, o nativo de Maasbracht já vinha perdendo espaço para Tymoshchuk, como parceiro de Schweinsteiger. Já havia confirmado sua saída dos Roten, no final da temporada.
E todo esse cenário só faria com que ele perdesse oportunidades – e, por conseguinte, seu ritmo de jogo. Algo perigoso para o meio-campista, parte fundamental da base montada por Van Marwijk. Mas o Milan chegou e evitou que esse problema ocorresse. Pois, se não poderá jogar a Liga dos Campeões, é quase certo que o camisa 4 milanista deverá ser usado constantemente no Campeonato Italiano.
E a contratação de Emanuelson representou mais uma promessa para o futuro. Jogando pelo Ajax, o lateral esquerdo de origem (transformado em atacante) já parecia ter atingido o teto – tanto é que há duas temporadas, pelo menos, ele desejava sair de Amsterdã. Foi uma saída surpreendente: mesmo que o jogador tenha técnica, não se esperava que ela se desse para um gigante europeu. Mas, além de ter sido assim, a chance do surinamês de Paramaribo é gigantesca: afinal, é certo que ele terá a titularidade nos Rossoneri.
Afellay foi outro a ter conseguido uma ótima chance de dar o salto que precisa para entrar entre os titulares laranjas e não sair mais. Certo, não será titular no Barcelona. Não há, hoje, como tirar do time a dupla formada por Xavi e Iniesta. Todavia, por ter experiência maior do que Thiago Alcântara (e até pelo Barcelona ainda estar em três competições – e com chances reais de título em todas), “Ibi” certamente terá várias oportunidades para se consolidar como um jogador útil para os barcelonistas – e manter-se em boa forma para ser utilizado na seleção.
Excetuando-se Van Bommel, todos os citados na coluna fazem parte do banco de reservas da Holanda. Assim como Edson Braafheid, que também mudou de ares e, caso jogue constantemente no Hoffenheim, equilibrará a disputa com Erik Pieters pela lateral esquerda. E será, no Hoffe, companheiro de Ryan Babel, que tentará dar um rumo mais tranquilo à sua carreira, após o fim turbulento no Liverpool. Ou de Eljero Elia, que também vai seguindo como titular no Hamburg. Enfim, além de ter um time com ritmo de jogo, Van Marwijk também poderá conseguir, cada vez mais, um banco pronto para eventualidades. Para a sua sorte.
A luta continua
Pelo menos na volta do Campeonato Holandês, o PSV mostrou que a saída de Afellay foi totalmente assimilada, fazendo 3 a 0 no VVV e mantendo a liderança. No entanto, dá para se dizer que o maior impulso desta semana no futebol holandês veio para o Twente. Os Enschedese tiveram de superar dois duros desafios, para mostrarem que estão mais vivos do que nunca na temporada.
Primeiramente, era a partida contra o Groningen, concorrente direto das primeiras posições. Fora de casa. E, para piorar, saindo atrás no placar, com mais um gol de Matavz. Aí apareceu a nova grande estrela dos Tukkers. Finalmente, Marc Janko começa a mostrar a boa forma que exibiu no Red Bull Salzburg: empatou o jogo no Euroborg, ainda no primeiro tempo, e, depois, aos 36 minutos do segundo tempo, fez o gol da virada. Ainda perdeu um pênalti, mas já havia feito o bastante.
E, no meio da semana, ainda que a competição fosse a Copa da Holanda, o duelo era contra o PSV. E se revelou um duelo altamente desgastante. No meio do segundo tempo, Janssen colocou a equipe na frente, mas Danny Koevermans empatou nos acréscimos, levando a uma prorrogação ainda mais tensa.
Tudo acabou nos pênaltis. E, aí, o estandarte dos Tukkers, Sander Boschker (que passa a temporada na reserva de Nikolay Mihaylov), apareceu de novo: defendeu a cobrança de Orlando Engelaar. Dwight Tiendalli converteu a cobrança, e o Twente fez 7 a 6, avançando às semifinais da KNVB Beker. E, por ter superado dois duros rivais, com a certeza de que pode bastante nesta temporada. Mas ainda continua na luta.



