Holanda

Em compasso de espera

Antes mesmo da pausa de inverno e do início do returno, o Campeonato Belga assemelhava-se a uma briga de cachorro, rato e gato. O Anderlecht, então líder, era perseguido pelo Standard, que, por sua vez, era acompanhado a par e passo pelo Club Brugge. 2009 chegou, o returno começou e o cenário não mudou. Bem, mudou um pouco, já que, agora, o perseguido da vez é o Standard, que ganhou a liderança de presente da chuva, responsável pelo adiamento do jogo entre Anderlecht e Gent, há três semanas. Mas parece claro: embora clubes como Racing Genk, Cercle Brugge e Westerlo estejam bem colocados na tabela, a briga pelo troféu parece estar resumida ao trio.

Mas mesmo dentro do triunvirato as coisas podem mudar. O returno mostra desempenhos irregulares das três equipes, em algumas partidas, o que desemboca em uma diferença de pontos superável (Standard, 46; Anderlecht, 44; Club Brugge, 40). E aí é que mora a razão do compasso de espera: as próximas rodadas da Jupiler League serão fundamentais para uma definição mais cristalizada das três primeiras posições. Na próxima rodada, o Club Brugge pega justamente o Racing Genk, que, com uma vitória, encurtaria a diferença aos Blauw-en-Zwart a um ponto; na semana que vem, o Anderlecht joga a partida atrasada contra o Gent, podendo retomar a ponta da tabela; e o ponto culminante da temporada pode ser a 23ª rodada, quando Standard e Anderlecht fazem o confronto direto.

Caso seja irresistível a tentação de apontar um favorito à liderança (e, por tabela, ao título), tal posto recai, por hora, no Standard. Os Rouches não mostram um futebol brilhante – e, além do mais, a Copa da UEFA voltará na próxima quarta, para ser mais uma competição a se acumular no calendário, podendo minar o vigor físico dos jogadores. Porém, as coisas em Sclessin estão calmas, e a equipe de Laszlo Bölöni parece ter a segurança de saber que é a favorita e que, quase sempre, terá um jogador capacitado a dar o toque decisivo. A partida contra o Kortrijk, na última rodada da Jupiler, foi um exemplo: mesmo sem convencer, Jovanovic e Dalmat apareceram na hora certa para fazer os 2 a 0. Se os dois não aparecessem, haveria Mbokani. Ou Witsel. Ou Defour. Ou Igor. Contar com tantos jogadores capazes de decidir pode ser muito útil para manter o rumo do bi. É só evitar bobeiras contra o Tubize, na última rodada. E, claro, entrar com tudo contra o Anderlecht.

 Os Mauves, por seu lado, também vão fazendo o suficiente para manter a vice-liderança sem muitos problemas. Além disso, no quesito “jogadores importantes na hora de decidir”, Ariël Jacobs também tem importantes armas: Gillet, Polak, Boussoufa, Biglia, Losada e De Sutter – que entrou muito bem na equipe. Também colabora o fato dos Paars-wit serem a equipe de melhor ataque no torneio (50 gols). O problema é a inconstância mostrada no returno. Mesmo com bom desempenho em casa (o melhor da Liga, junto ao Westerlo), foi justamente no Constant Vanden Stock que se viu a derrota para o Cercle Brugge e a perigosíssima pane vista frente ao Mons, na última rodada, quando o time foi para o intervalo com uma derrota por 2 a 0. O time reagiu e conseguiu animadora virada no segundo tempo, mas precisará de mais regularidade durante os jogos, caso queira reconquistar a ponta. Os jogos contra Charleroi, Gent e Standard serão decisivos. Após eles, a equipe tanto pode estar ocupando a liderança, com quatro pontos de vantagem para o Standard, como pode ter caído para o terceiro lugar.

 Já o Club Brugge está com as barbas de molho. Jacky Mathijssen há muito anda com o bafejar da demissão em seu cangote, e o princípio de returno não afastou por completo tais temores. O mesmo time que ganha com autoridade de Tubize e Malines é capaz de perder fragorosamente para Zulte-Waregem e de suar para ganhar do Dender, na última rodada (o peruano Chávez marcou os dois gols do time nos últimos dois minutos do tempo regulamentar). Com isso, permitiu a aproximação do sólido Racing Genk. A vitória no confronto direto amenizaria bastante as ameaças ao cargo de Mathijssen – e, por que não dizer, aumentaria levemente as esperanças de título. Uma derrota mais drástica poderia causar a demissão do treinador. É a hora da reação de um bom time, que melhorou seu meio-campo com as contratações de Kruska e Odjidja-Ofoe – que fazem bom trabalho ao auxiliar Dirar – e que sempre conta com os gols de Sonck e Akpala.

Enfim, após as próximas duas semanas, a Jupiler League tanto pode estar com um time na rota do (bi)campeonato como pode estar definitivamente embolada. A conferir.

Reformulou, mas não mudou

A coluna já cansou de escrever (e o querido leitor deve ter se cansado de ler) que o Ajax iniciou esta temporada guiado pela intenção de reformular. Bem, durante boa parte de 2008, a reestruturação deu resultado e o time mantinha-se próximo ao AZ nas primeiras posições da tabela da Eredivisie. Mas, com os péssimos resultados de 2009, os fantasmas das últimas temporadas voltam a povoar a cabeça dos torcedores. Que já protestam, mas não da melhor maneira: após o empate contra o Heracles, alguns invadiram os treinos da equipe para protestar contra Marco van Basten.

A esperança era de que uma vitória contra o Vitesse pusesse água na fervura cada vez maior que anda cercando a Amsterdam Arena. Que nada: provavelmente, desde o 5 a 2 sofrido no primeiro turno para o Heerenveen, a defesa do Ajax não ia tão mal numa partida. Theo Bos colocou os donos da casa numa postura francamente ofensiva, Lasse Nilsson e Ricky van Wolfswinkel tiveram ótimo dia, e não deu outra: um 4 a 1 que ficou muito barato, para o que a defesa Ajacied (não) jogou – principalmente a dupla de zaga Vermaelen e Wielaert, em péssimo dia. O 3-4-3 armado por Van Basten também foi deficiente: perdia-se a conta de quantas vezes os atacantes aurinegros livravam-se da linha de impedimento e saíam na cara de Stekelenburg.

Claro, falar em demissão de Van Basten, como chegou-se a falar nas duas últimas semanas, parece exagero. O técnico, apesar dos pesares, já mostrou ter capacidade de armar bem uma equipe (embora tenha um temperamento impessoal demais, às vezes). Além disso, o time é jovem e pode desenvolver-se para ter resultados melhores nas próximas temporadas. Mas, sem dúvida, os últimos resultados fazem duvidar não só que os Godenzonen alcancem o AZ, mas também que passem pela Fiorentina nos 16avos-de-final da Copa da UEFA. Seria um alento vencer o De Klassieker contra o Feyenoord, para tentar iniciar uma reação. Porque o clube já se reformulou. Agora é hora de mudar. De vez.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo