Em agosto, nova fase

Foi até mais fácil do que se pensava. Evidentemente, o jogo contra a Islândia tinha de ser levado a sério, pela importância que tinha, ao poder dar à seleção da Holanda a vaga na Copa do Mundo de 2010. Mas, tão logo Nigel de Jong cabeceou para as redes cruzamento de Van der Vaart, aos oito minutos do primeiro tempo, ficou claro que a Oranje ia ser, inevitavelmente, a primeira nação europeia a assegurar sua passagem para o Mundial. O gol de Van Bommel, aos 15 minutos, ampliou ainda mais a certeza.
Na partida contra a Noruega, em que pesem alguns momentos de desconforto no meio-campo, durante a primeira etapa, a Oranje também foi soberana na partida, e fez 2 a 0 sem muitas dificuldades. Enfim, a invencibilidade continua, e a equipe já está classificada para a África do Sul. Entretanto, a questão sobre a capacidade da equipe de Bert van Marwijk superar adversários de quilate igual continua. Que a capacidade técnica para tanto existe, não há dúvidas – e, se havia, foram dissipadas nos duelos contra islandeses e noruegueses.
A performance do primeiro tempo em Reykjavik foi unanimemente elogiada. Não só pelos dois gols precoces que deixaram a vitória (e, por tabela, a vaga na Copa) praticamente garantida, como pelo domínio pleno no ataque, que lembrou as boas performances da Euro 2008: toques rápidos, de primeira, com bola de pé em pé, e atuações irresistíveis de Robben, Van der Vaart e Van Persie. E, sempre que solicitada, a defesa mostrou segurança, principalmente o miolo de zaga. Mathijsen e Ooijer raramente deixaram Stekelenburg a perigo, e até ajudaram, vez por outra, no ataque – ajuda de sucesso, algumas vezes, como mostrou o gol de Ooijer que abriu o placar contra a Noruega.
Mas a maior qualidade mostrada pela equipe foi mesmo a seriedade apresentada durante a partida. Nada se via da presunção, que, algumas vezes, vitimou outras equipes formadas na seleção: o time estava focado, e, até por isso, conseguiu impor sua maior qualidade. Não só contra a Islândia, mas também contra a forte defesa armada pelos noruegueses – sem dúvida, o mais difícil adversário destas Eliminatórias, contra quem se marcou menos gols (1 a 0 em Oslo, 2 a 0 em Roterdã).
Sim, a qualidade dos adversários no grupo 9 das Eliminatórias não é das mais abonadoras. Mas a Oranje já enfrentara a Macedônia, um dos oponentes, na qualificação para a Copa de 2006, e conseguiu, então, apenas dois empates (2 a 2 em Skopje, 0 a 0 em Amsterdã). Agora, 2 a 1 em Skopje, na estreia pelas Eliminatórias, e 4 a 0 em Amsterdã. Há um sinal de melhora, sem dúvida. Detectado até por, ora vejam só, o sempre exigente Johan Cruyff. Em sua coluna no diário De Telegraaf, a estrela maior da história do futebol holandês falou: “Pode parecer mais fácil jogar contra rivais mais fracos, mas não para mim. A qualidade exibida, de mostrar que um adversário inferior é realmente inferior a você, é essencial.”
Porém, novamente, JC fez questão de deixar claro que não concorda com o esquema adotado por Van Marwijk, fixo no 4-2-3-1, e advertiu: “Contra Islândia, Noruega e Escócia, deu certo. Agora, é ver como se saem contra times de um nível mais alto.” Além do mais, houve certo fastio no segundo tempo, contra os islandeses. Aí mora a próxima fase do trabalho do técnico holandês: usar as Eliminatórias como “treino de luxo” para amistosos contra equipes mais fortes, que são imperiosos no planejamento até a Copa.
E a nova fase começa em agosto, com um adversário de inegável qualidade. Para o dia 12, em Amsterdã, já está agendado um amistoso simplesmente contra a seleção da Inglaterra. Além de ser bastante superior a qualquer uma das equipes vencidas nas Eliminatórias, o English Team vive situação semelhante à holandesa: invencibilidade na qualificação, técnico que conseguiu trazer foco a um time bom no quesito técnico, lugar na Copa quase garantido, necessidade de provar constantemente o valor… será o início da tentativa de provar, uma vez mais, se a Oranje aguenta o tranco de enfrentar times do mesmo tamanho.
Em setembro, a partida contra a Escócia, pelas Eliminatórias, tem seu valor. Não na técnica, mas em enfrentar um ambiente adverso, o Hampden Park de Glasgow, que certamente estará lotado pela torcida febril do Tartan Army, tentando ajudar a levar a equipe de George Burley para a repescagem. Ainda para 2009, outros amistosos também já estão marcados, contra Austrália, Japão e Paraguai. Rivais razoáveis. Mas não faria nada mal iniciar 2010 com jogos contra, quem sabe, Brasil, Alemanha, Espanha, Itália, Rússia…



