Ele também quer

Segunda-feira, dia 13 de fevereiro. Um jornalista holandês coloca em sua conta no Twitter que é curioso o Heerenveen anunciar uma entrevista coletiva para a tarde daquele dia, aparentemente normal no futebol holandês (cabe informar que o colunista pensou no nome de Willem Vissers, do diário “De Volkskrant”, mas procurou e não encontrou o tuíte mencionado).
O evento ocorre. E só então o clube alviazul anuncia a razão de tudo aquilo: finalmente fora escolhido o técnico que comandará a equipe a partir da temporada 2012/13. Após três anos sabáticos, Marco van Basten voltará à beira do campo como treinador. Mas é necessário retroceder antes de nos aprofundarmos no anúncio da vinda do histórico ex-jogador como substituto de Ron Jans, que já confirmou a saída do clube ao final da temporada.
Pode parecer que preparar-se com antecedência para a próxima temporada indica que a atual já é caso perdido. Longe disso. O Fean vive seu melhor momento em algum tempo. Não que seja uma equipe lamentável. Mas é anormal ver o “Orgulho da Frísia” ocupando a terceira posição da Eredivisie. Contudo, mais uma vez, a equipe avança na Copa da Holanda: já está nas semifinais, onde enfrentará o PSV, em 21 de março.
O mérito da equipe de Ron Jans é o grande entrosamento: tirando uma ou outra chegada na última janela de transferências, a base é a mesma há algum tempo. Alguns jogadores são presenças muito comuns, como o zagueiro Michel Breuer. E jovens que foram contratados e preparados há algum tempo começaram a despontar agora. Como o sérvio Filip Djuricic, também com 20 anos, já armador titular. Além disso, o gol, problema sério na última temporada, anda mais regular: o belga Brian Vandenbussche consegue uma boa sequência.
Mas é no ataque que estão os principais destaques do time na temporada. No meio, Bas Dost já era uma aposta desde a temporada passada. E, no final do ano passado, explodiu. Começando em 10 de dezembro, quando, na goleada por 5 a 0 sobre o Excelsior, o atacante fez todos os gols. E, na volta para a continuação da Eredivisie, em 2012, o atacante fez mais cinco. Resultado: chegou ao posto de principal goleador da Eredivisie. 19 gols em 21 jogos.
Mas, se Dost é, francamente, um jogador que tem na finalização a sua maior habilidade (talvez a única), seus companheiros oferecem habilidade pelas pontas. Como Luciano Narsingh, muito bem pela direita – a ponto de ter sido pré-relacionado para o amistoso da Holanda contra a Inglaterra, no próximo dia 29, e de ser cogitado como possível reforço do Ajax. Ou Oussama Assaidi, que até fez parte da malograda campanha de Marrocos na Copa Africana de Nações. Fora jogadores de outros setores, como Jeffrey Gouweleeuw, 20 anos, elogiado como nova revelação da zaga na Holanda.
Com a contratação de Van Basten, o Heerenveen procura dar a um dos grandes jogadores da história da Holanda exatamente o que anda sobrando no clube – e o que faltou a Marco, nas passagens por Ajax e seleção: a chance de fazer um trabalho sem tantas pressões. A escolha do novo técnico foi elogiada por duas lendas do Heerenveen. Treinador da equipe entre 1988 e 2004, tendo conseguido levá-la até a fase de grupos da Liga dos Campeões (2000/01), Foppe de Haan disse que a escolha foi “madura”, embora “surpreendente”.
Presidente do clube entre 1983 e 2006, Riemer van der Velde declarou: “Estou agradavelmente surpreso, contente. Tenho muita simpatia e respeito por Van Basten e espero que traga o Heerenveen a um nível maior.” É o grande objetivo do clube. Para, quem sabe, igualar o que AZ e Twente fazem hoje.



