Holanda

E o perigo continua

Dirk Scheringa é peça-chave na transformação pela qual o AZ passou, nos últimos cinco anos. O antigo policial que fundou, em 1975, o banco DSB, sempre foi um amante do futebol – e, de certa forma, partiu para outro projeto importante, a partir de 1993, quando tornou-se presidente do clube de Alkmaar.

Mas a coisa começou a mudar a partir de 2005, quando o presidente comprou o clube e o DSB virou o patrocinador. Com a contratação de Louis van Gaal, Dirk anunciava: ali começava um projeto para trazer de volta ao clube os tempos de glória do início da década de 1980, quando a equipe fora campeã da Copa e do Campeonato Holandês, e chegou à final da Copa Uefa. Já na primeira temporada, deu certo: a equipe alcançou as semifinais da Copa Uefa e foi terceira colocada na Eredivisie.

As medidas de Scheringa organizaram o AZ e deram ao clube a estrutura necessária para que, cinco anos depois, a equipe chegasse ao título holandês, finalizando 28 anos de jejum. Porém, a equipe começou a Eredivisie desta temporada de modo irregular. E chegava para o jogo contra o Twente, líder do campeonato, com apenas uma vitória, nos últimos três jogos.

Pois bem: dentro de campo, a equipe de Ronald Koeman teve desempenho honroso e elogiável, como de costume nos últimos tempos. Contando com uma dupla de ataque respeitável, em Dembélé e El Hamdaoui (e, agora, com Rasmus Elm como homem-surpresa, vindo do meio-campo), os visitantes viraram o jogo em Enschede. Mas permitiram que os Tukkers virassem novamente. E com gol no último dos últimos segundos, que foi para ter requintes de crueldade.

Porém, o resultado do jogo já não era o mais importante. Afinal de contas, alguns dias antes, o DSB de Dirk Scheringa sucumbira aos efeitos da crise financeira global. Sofrendo desde o início da quebradeira de bancos mundo afora, a instituição finalmente teve seus direitos cedidos ao DNB (De Nederlandsche Bank), no dia 12. E, no dia 19, a falência foi decretada.

A influência principal, claro, foi para cima de Dirk Scheringa. Afinal de contas, o presidente dos Alkmaarders viu uma história de 34 anos ir para o ralo – e, certamente, com ela foi o seu sossego, já que ele deve sair da presidência do AZ para tentar socorrer o que ainda resta da massa falida. De mais a mais, há outras fontes de renda para manter o clube que não o dinheiro proveniente do banco, como o dinheiro da tevê, a bilheteria, os carnês de ingressos, o dinheiro da Liga dos Campeões…

De mais a mais, o próprio clube se apressou em dizer que a quebra do DSB em nada influiu no espírito do time. Bem, pelo menos agora. Porque não é exagero dizer que será difícil que um clube holandês consiga arrumar um patrocinador generoso. E, pelo que se vê na fase de grupos da LC, será difícil continuar contando com a renda do torneio continental.

Contra o Arsenal, a equipe mostrou falhas defensivas – por exemplo, a perda de bola de Niklas Moisander, que resultou no gol de Cesc Fàbregas. Como que tentando animar o elenco para o resto da temporada, a sorte que não estivera do lado da equipe nos jogos contra Olympiacos e Standard Liège se apresentou, com o gol de David Mendes da Silva, nos acréscimos.

Porém, ao aplaudir calorosamente o desalentado Dirk Scheringa, antes do jogo pela LC, a torcida parecia aplaudir também o homem que ajudou a trazer o clube para uma nova era. Que pode ter suas primeiras turbulências: o DSB já não estampa mais a camisa do clube, que pode ser forçado a vender gente como Schaars, Mendes da Silva, El Hamdaoui, Dembélé e Romero para fazer mais dinheiro.

Além do que, o time vem de apenas uma vitória em cinco jogos. E o próximo desafio é indigesto: enfrentar um Ajax muito motivado. A crise chegou no AZ, e o perigo mencionado, há algumas colunas atrás, agora tem motivo. Financeiro, por incrível que pareça.

O Standard não desmorona

Após 11 rodadas, a primeira derrota na Jupiler League, para o Westerlo. Sem contar que a equipe acumula cinco empates e cinco vitórias, o que não lhe permite chegar mais perto de Club Brugge, Anderlecht e Mechelen. E, finalmente, o último lugar no grupo H, na Liga dos Campeões. Tudo isso pode dar a impressão de que o Standard Liège é um time em frangalhos.

Mas não é. Em campo, a equipe de Laszlo Bölöni mostra uma raça elogiável. E até surpreendente, tendo-se em conta que Defour e Witsel, as principais peças do meio-campo, não estão jogando. Mas a hora de outros importantes jogadores se sobressaírem chegou. E Yannick Dalmat faz bem o seu papel na marcação, assim como Igor de Camargo mantém qualidade nas ajudas ao ataque. Que, por sua vez, dá razões de sobra para confiança – principalmente em Milan Jovanovic.

Se isso ainda não foi suficiente para fazer a equipe deslanchar na liga, na LC mantém o time com leves esperanças de avançar – e até um pouco maiores, de ir à Liga Europa. Mostra disso veio com a performance alentadora contra o Olympiacos: mesmo permitindo a virada dos Thrylos, os Rouches mostraram espírito de luta, só permitindo o 2 a 1 nos acréscimos.

Com dois jogos em casa, contra Olympiacos e AZ, contando com uma torcida febril, o time de Bölöni tem tudo para vencer. E não deixar o sonho europeu desmoronar.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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