É ele

Era para ter sido no dia 20 de dezembro. Porém, a neve não deixou. E foi na última quarta-feira que o Anderlecht enfrentou o seu segundo maior desafio, na disputa do título belga a que, aparentemente, está destinado – até poderia ser falado que está, não fosse o regulamento pouco usual (e pouco inteligente) do Campeonato Belga.
A equipe já tinha seis pontos de vantagem para seu adversário, o Club Brugge, vice-líder da Jupiler League – e chegava para o duelo credenciada por um categórico 5 a 0 diante do Germinal Beerschot, fora de casa. A vantagem havia aumentado, pela folga forçada do time de Adrie Koster, que enfrentaria o Excelsior Mouscron, que já não está na liga.
E a vantagem pareceu ser consolidada com o ótimo começo dos Mauves, que fizeram 1 a 0 no Parc Astrid logo aos cinco minutos de jogo, com Roland Juhász marcando, de cabeça. Parecia que os comandados de Ariël Jacobs teriam um caminho tranquilo rumo à 17ª vitória na temporada. Pois precisaram de muito mais, já que os Blauw-en-Zwart começaram a exigir defesas de Sylvio Proto.
E não demorou muito para que um chute de Vadis Odjidja-Ofoe atingisse Lucas Biglia e enganasse Proto, entrando nas redes e empatando o jogo. Pior: no segundo tempo, aos 11 minutos, o camaronês Dorge Kouemaha recebeu passe de Ivan Perisic para desempatar o jogo. O Club Brugge conseguia uma ótima virada – e voltava, para o time da casa, os temores de que, após dois meses e 29 dias, o clube voltasse a sair de campo derrotado, em partida válida pelo Campeonato Belga. (E, por coincidência, o último revés fora um 4 a 2 para o… Club Brugge.)
Tudo mudou novamente aos 15 minutos, quando Ronald Vargas (que havia acabado de entrar no jogo, substituindo Nabil Dirar) acabou entrando numa dividida, de carrinho, sobre Cheiko Kouyaté. A entrada nem foi tão forte assim, mas bastou para que Luc Wouters decidisse expulsar o meio-campista, deixando o Club Brugge com dez jogadores.
Também bastou para que o Anderlecht imprimisse um ritmo mais forte no ataque, até mesmo com a entrada de Nicolás Frutos. E seria justamente o argentino a empatar o jogo, em passe de Matías Suarez. Mas parecia que o empate seria o resultado final, mesmo com algumas tentativas de Romelu Lukaku e Juhász.
Só que Mbark Boussoufa disse não. E, numa belíssima jogada, chegou pela linha de fundo, driblou Perisic, trouxe a bola para dentro e bateu forte, no ângulo esquerdo de Stijn Stijnen. Um golaço, que decretava: sim, o Anderlecht superaria seu maior rival na disputa do título belga. Sim, o Anderlecht é o favorito destacado à conquista do título. Sim, o Anderlecht é o melhor time belga da atualidade. Como se ainda restasse alguma dúvida.
Uma olhada antes de partir
A coluna passada dizia que o PSV parecia se acertar, num momento crucial do Campeonato Holandês. Pois o acerto caiu: a equipe não passou de um 0 a 0 com o Vitesse. Enquanto isso, o Twente precisou de apenas um minuto para conseguir apagar o princípio de crise: entre os 26 e 27 minutos do segundo tempo, Kenneth Perez e Bryan Ruiz marcaram, e os Tukkers venceram o Roda JC.
Na 21ª rodada, em casa, o PSV até começou ganhando do Utrecht, com Toivonen. Todavia, os Utregs empataram, com Sander Keller. Mas havia espírito de luta suficiente para que Orlando Engelaar fizesse o gol da vitória. Também em casa, no clássico contra o Heracles, o Twente voltou a estar no caminho: 2 a 0.
Estas duas rodadas mostram: ao invés de uma equipe se destacar, os dois principais competidores pelo título da Eredivisie se olham. Uma olhada desafiadora, um pequeno respiro, antes de partir para a sequência final.



