É decisão, sim

Um dos duelos mais tradicionais do futebol belga. Líder contra vice-líder da Jupiler League. Ingressos esgotados há mais de duas semanas. Terceiro colocado mais distante no retrovisor, após perder o confronto direto contra o quarto colocado e ficar a dez pontos de distância do ponteiro. Pois é: se apostar qual será o vencedor de Standard x Anderlecht (ou mesmo se haverá vencedor) é absolutamente imprudente, pode-se ter a certeza de que a partida deste domingo, 22, pode, sim, ser considerada a “decisão” da Liga Belga. E mais: uma decisão cujos protagonistas chegam a ela em posições mudadas, após uma semana traiçoeira.
Do lado vermelho, tudo começou como deveria. Mesmo desfalcado “só” de Jovanovic, Mbokani, Sarr e Witsel, todos suspensos, não houve dificuldades para despachar o Tubize por 4 a 0. Daí, viria a parte importante da semana: claro, o duelo de ida contra o Sporting Braga, pela Copa da UEFA. E a boa atuação na Jupiler (contra o 15º colocado desta, é verdade) foi esquecida. Não sem motivo. Afinal, para uma equipe tida e havida como favorita no duelo de 16avos-de-final, levar um 3 a 0 indubitável, com uma atuação apática no Municipal de Braga, foi algo próximo do vergonhoso.
Claro, como Laszlo Bölöni disse na entrevista coletiva pós-jogo, torneios em mata-mata têm dessas coisas. E não se pode negar que houve certo menosprezo em relação aos Arcebispos. Mas tal resultado torna a volta no Maurice Dufrasne um jogo cujo desafio de descontar os três gols de vantagem é respeitável. Pior: após entrada de Meyong em seu tornozelo, Defour (que fora, junto de Igor e Benteke, responsável por manter o nível do time contra o Tubize) não só teve de deixar o gramado, substituído por Nicaise, como teve diagnosticada uma entorse. O meia desembarcou em Liège de muletas, fora do duelo contra os Anderlechtoises – e, só para constar, também da partida de volta pela Copa da UEFA. Sem dúvida, perda pouco recomendável para os Rouches.
Até porque a derrocada dos Liègeoises ajudou a tornar a semana do Anderlecht perfeita. Sim, perfeita. Se faltou bom futebol, sobrou eficiência. Os Mauves não precisaram jogar muito para vencer o Charleroi fora de casa, pela contagem mínima. E, no duelo atrasado contra o Gent, jogado no meio de semana, também fora, a equipe conseguiu aproveitar as chances que teve, mesmo com a melhor atuação dos Buffalos de Michel Preud'homme. O 2 a 1 devolveu a liderança da Jupiler League à equipe, um ponto à frente do Standard.
E o time de Ariël Jacobs parece ter reencontrado a regularidade. Algo auxiliado, primeiramente, pelo bom desempenho da linha Deschacht-Juhász-Kruiswijk-Rnic(Wasilewski), na defesa. Mas, principalmente, pelo crescimento notável das atuações de Tom de Sutter. Vindo do Cercle Brugge, De Sutter caiu como uma luva no meio-campo, que sentia falta de um armador com a contusão de Frutos. Tanto o meia de 23 anos tem assumido para si o papel de principal jogador dos Paars-wit que marcou os dois gols contra o Genk. Tal desempenho credencia-o a ser o ponto de desequilíbrio do clássico. Até porque os “coadjuvantes” Gillet e Boussoufa continuam segurando bem as pontas.
Com um Club Brugge aparentemente abatido em definitivo na luta pelo título, após a derrota para o Racing Genk (2 a 0), todos os olhos estarão no Constant Vanden Stock. Caso o equilíbrio seja o mesmo do jogo do 1º turno – 2 a 1 Standard, de virada, com Jovanovic marcando o gol da vitória nos acréscimos -, o CVS verá 90 minutos de pura emoção.
Zona de turbulência
Comparando a campanha do AZ na Eredivisie a uma viagem de avião, pode-se dizer que ela entrou na fase em que, após um início tenso e uma primeira metade em velocidade de cruzeiro, tranquila, o comissariado de bordo fala pelo rádio o célebre “senhores passageiros, queiram, por favor, afivelar novamente o cinto de segurança e voltar o recosto de suas poltronas à posição vertical, pois passaremos agora por uma zona de turbulência”.
Não, a primeira colocação da Eredivisie não ficou a perigo. O time de Louis van Gaal teve bom desempenho no importante jogo contra o PSV. Tão bom que abriu 2 a 0 ainda no primeiro tempo. Em pleno Philips Stadion. Só que ninguém contava com a bela atuação de Danny Koevermans: substituindo o suspenso Toivonen, o avante nascido em Schiedam conseguiu marcar duas vezes e pôr fim à série de onze vitórias dos Alkmaarders na Eredivisie.
A questão é que, inegavelmente, o clima de segurança total diminuiu um pouco no DSB Stadion. Ainda mais vendo o Twente conseguindo manter a calma, mesmo após sair atrás contra o Volendam, virando para 2 a 1. E um Ajax que, se ficou apático no 1º tempo do clássico contra o Feyenoord – que também não foi irresistível então -, foi francamente superior no segundo, com a boa entrada de Leonardo, que conseguiu impulsionar melhor desempenho de Suarez e Kennedy Bakircioglu e ajudar na definição dos 2 a 0 para os Godenzonen na Amsterdam Arena. Isso, sem contar as quatro bolas na trave de Timmer. Tanto que Marco van Basten disse, após a partida: “Devíamos ter aproveitado melhor as chances. O jogo poderia ter sido definido bem antes.”
Mas um maior cuidado não faz mal nenhum à equipe de Louis van Gaal. Até porque o time, ora bolas, continua com uma sólida vantagem de nove pontos na tabela. E cuidado será fundamental para manter aquela calma que faltou em 2007. Para enfrentar os confrontos diretos contra Twente e Ajax. E para conseguir fazer com que o voo tenha uma boa aterrissagem, quer dizer, que o título sonhado chegue.



